The Economist parece não entender nada de Ciência. “Parece”?

Meu RSS é lotado às vezes. Nem sempre tenho tempo de ler tudo. Às vezes, eu leio e me interesso sobre algo que eu possa postar. Salvo o atalho muitas vezes no dropbox, para falar sobre (o que na maioria das vezes não acontece, dado o tempo ou outro assunto melhor). Assim, só hoje que eu vi um artigo do The Economist do dia 19/10, falando sobre como as coisas na Ciência andam mal.

Andam mesmo? Ou teremos mais um caso de jornalista falando de Ciência é a mesma coisa que tartaruga tentando costurar?

Pista: não é o primeiro.

O artigo do The Economist começa com um lampejo digno do Cap. Óbvio:

Uma ideia simples sustenta a ciência : "Confie, mas verifique" . Os resultados devem ser sempre sujeito a contestação do experimento.

Deveria ser assim, mas nem sempre há tempo hábil para ficar muito tempo se questionando. Devemos lembrar que cientistas não trabalham com fundos infinitos e qualquer mantenedor irá querer resultados o mais rápido possível. Passamos da fase que cientistas eram homens abastados, com pouca coisa pra fazer na vida, então se dedicavam a pesquisar as coisas, já que para a classe endinheirada, conhecimento era um luxo e, por isso, príncipes financiavam cientistas, Desde Da Vinci, bancado pelos Médicis, até Kepler, financiado pelo arquiduque da Áustria, príncipe Ferdinando de Habsburgo… se bem que Ferdinando era caloteiro e Kepler morreu na miséria,  hoje seus restos mortais estão perdidos… e creio que para sempre.

O problema é que mecenas não davam dinheiro apenas porque amavam a Ciência. Era apenas um passatempo de rico. Se hoje, reis do camarote ficam tirando onda com champanhe, carro e prima, naquela época, o lance era entreter nobres tendo o melhor cientista da parada. E por cientista entende-se: Um z´[e ruela que faz coisa maneira, como mágicos e ilusionistas. Ninguém estava interessado na combustão do hidrogênio e sim que bolas de sabão explodem. YYYHAAAAAAAAAAAA!!! Assim, cientistas que dependiam de salário eram pagos para serem animador de festa. Só isso, nada mais. Em troco, ele ganhava uma grana e podia fazer ciência de verdade.

O segundo problema é que príncipes não eram idiotas e, além de bolinha flutuando, queriam armamentos. Da Vinci bem que criou várias, mas bem poucas saíram do papel e formaram o exército de Lourenço de Médici. Ou seja: Da Vinci passou a perna no florentino. E enquanto nada ficava pronto (seja Da Vinci ou qualquer outro) o mecenas ficava cobrando pelas invenções, obras artísticas, armas etc. Ninguém ali está para dar dinheiro de graça, filho.

Um pesquisador precisa de tempo para testar tudo, verificar tudo. Ele bem que tenta provar que ele mesmo está errado, mas nem sempre é possível, por causa de quem patrocina a pesquisa. Assim, o pesquisador não pode pensar e tudo, mas aí entra a maravilha do Método Científico: ele não precisa. Para isso, temos a revisão de pares, onde outros cientistas examinaram sua pesquisa e apontarão as falhas. Isso é 100% eficaz? Claro que não, mas é melhor que nada. Daí, vem outra maravilha da Ciência: a replicabilidade.

Cientistas terão a chance de replicar a pesquisa, mas às vezes fica inviável e esta é uma das críticas do Economist: a falta de replicabilidade das pesquisas. Mas por que todos os cientistas do mundo têm que testar a pesquisa dos outros? Há tempo para isso? E a pesquisa destes?^Como fica? Acho que o The Economist pensa que só tem uns 5 cientistas no mundo inteiro. Só pode!

Mas nem tudo são flores.

Existe má ciência? Não, sei, perguntem à USP com sua faculdade de homeopatia, a UNB com seu departamento paranormal e cromoterapia do Instituto Estadual do Cérebro, no Rio de Janeiro. Existe pesquisadores que arrumam pesquisas para ganharem doutorados, pós-doutorados etc? ÓBVIO que tem, e não é só aqui. A ciência não é perfeita, mas é melhor do que sem ela.

O jornaleiro do The Economist diz que muitas pesquisas não podem ser replicadas. Responsabilidade jornalística? Levantamento de fontes? Imagino que tenham seguido isso, mas não divulgaram nenhuma. É o caso do "eu digo s besteiras, vocês que procurem as fontes"? Não é muito honesto;. E sim, eu sei que isso ocorre, mas por muitos motivos: a pesquisa não existe. Muitas delas são fraudulentas. Este artigo de 2010 da Nature discute isso. Mas me soa mal aos ouvidos pelo modo como o Economist trouxe: parece que são maioria. A questão é: quem descobre as fraudes? Os próprios cientistas. Então, fica a máxima: a Ciência sempre corrige a si mesma.

Agora, vem a maravilhosa ESTUPIDEZ do jornal: Cientistas só publicam pesquisas que deram certo.

Senhores jornaleiros, os senhores sabem oque é ficar dias, semanas, MESES esperando por algo e este algo não acontecer? No 27 mês, acontece: e dá… errado! Quem é o maluco de mandar um artigo pra Science com um abstract semelhante a este aqui:

Depois de anos pesquisando, vemos que o Dilúvio não apresenta nenhuma evidência, e o mesmo acontecendo com pesquisas que propuseram evidenciar a existência de Jesus, Godzilla, Papai Noel e Poliítico Honesto.

FINALMENTE, criacionistas conseguir~]ao ter seus preciosos artigos publicados em periódicos indexados, com citações assim:

De acordo com LOURENÇO, Adauto, homens e dinossauros conviveram. Tal proposição não teve nenhum  embasamento mais sólido que a atmosfera inexistente da Lua.

Taí uma citação. E várias desse tipo aumentarão o fator de impacto? Isso é fazer ciência, SEUS IDIOTAS?

Ficarei injetando urânio em um beagle e expô-lo a radiação gama para ver se ele vira o Hulk. Enquanto isso, publicarei vários artigos dizendo que estão dando errado e mudarei para plutônio. No passado, havia supositório de rádio para problemas de disfunção erétil (é sério!). Daí, você, patrocinador (seja CNPq, entidade privada, doador de croudfunding via Vakinha.com.br) ficará MUUUUUUUUUUUUUUUUUITO satisfeito do seu patrocinado só ter publicado besteira, atestando que não está produzindo nada. O que você acha disso?

Para coroar a insânia, o jornaleco vem com uma conta maluca, com infográfico idiota para quem sabe matemática de Ensino Fundamental 1, "demonstrando" porque a maioria dos artigos científicos publicados são provavelmente falsos. Veja o videozinho:

Ele diz que em todas as pesquisas científicas, erros aleatórios podem ocorrer. Thank you, Cap’n!. Tomando uma amostra de, 1000 pesquisas publicadas, nem todas são verdadeiras. O autor deste retardo mental arbitrou que APENAS 10% (ou seja, 100 pesquisas) seriam verdadeiras, número que ele tirou durante um exame proctológico.

Calma, que piora.

O economista (e economista se metendo em Ciência acaba sendo pior que jornaleiros) diz que há o caso das pesquisas que parecem ser verdadeiras, mas são falsas. São os "falso positivos" que, e ainda com números tirados da cavidade retrofuricular dele, seriam em torno de um-vinte avos (5%) do total, o que daria 45 casos.

Quer que piore? Maravilha: taí:

O economista disse que ainda há casos que uma proposição é verdadeira, mas escapou dos cientistas. São os falsos negativos, que o RETARDADO, IMBECIL, IDIOTA, ESTÚPIDO, ENERGÚMENO, BURRO E… claro, ECONOMIOSTA descontou dos números tidos como o que seriam pesquisas verdadeiras.

Mas, ora merda, se a pesquisa foi tida como falsa ANTES, porque descontar do número total de pesquisas certas? Ele atribuiu o número de 2,5% (sabe-se lá de onde) de falsos negativos, mas que poderia ser 80% do total de pesquisas tidas como verdadeiras. What the porra is that?

O designer e o economista cruzaram ados de pesquisas que são replicadas? Não. Pegaram casos onde a pesquisa não deixa dúvida? Não. Pegaram quais dados? Ninguém sabe, é uma estimativa, o que em, Estatística significa: CHUTE!

Existem mentiras, malditas mentiras e Estatística.
— Mark Twain

No episódio sobre Números (tá com legenda em espanhol, mas dá pra entender. Não encha), da série Bullshit, Penn & Teller mostram como números podem enganar as pessoas.; Na 2ª parte, eles falam de Estatística e como uma pergunta feita de forma diferente pode dar um resultado totalmente diferente. No caso do The Economist, o malabarismo matemático foi totalmente risível, mas garanto que terá gente que balançará a cabeça dizendo "isso mesmo".

Jornais deveriam informar, esclarecer as pessoas. Entretanto, o que eu vejo é um ódio patológico à Ciência e ao Método  Científico. Se fosse o caso dos neutrinos supraluminosos, só uma pesquisa seria feita, pronto e acabou, mas ocorreu isso? Para os "estatísticos" do Economist, sim. Mas vemos a realidade do que aconteceu.

Agora,m e quanto às matérias de jornais fraudulentas e pesquisas fabricadas pelos próprios estatísticos? Vão comentar sobre isso?

Tenho 89,364% de certeza que não, mas 23,84106% das pessoas ainda terão dúvidas e 79,5862% das pessoas ainda acreditarão, mas só se o Sol estiver em Áries, com ascendente lunar em Leão ou alguma besteira assim.

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