USP e UFSCar “iluminam” pacientes obesos para que possam emagrecer. Céus, oh, Céus!

No Brasil, Ciência é brincadeira (de mau gosto). Vivo lendo sobre como as coisas estão melhorando. Melhorando tanto que ao invés de desenvolver pesquisas aqui, nos gabamos em mandar cientistas para outros países. Próxima meta, acabar com toda a atividade científica aqui, já que a ralezinha que acha que Filosofia presta para algo, condenada nós de "cientificistas com pensamento do século XIX" (sim, já me disseram isso, vindo de gente que pensa como Platão, com um pensamento tacanho de mais de 2000 anos!).

Enquanto não atingimos esta meda, passamos pro passo intermediário: desenvolver a pseudociência, como é o caso de uma "pesquisa" da USP — que os retardados enchem a boca (e outros orifícios) para dizer que é a melhor universidade do Brasil – que usa luz de leds para obesos emagrecerem. Bem-vindos ao Domingão da Pseucociência!

A notícia saiu no G1, um dos sites com o melhor do jornalismo científico (leia isso sem rir. I double dare you!). Nele é veiculado uma nova pesquisa da USP e da Universidade de São Carlos (UFSCar), que usam luz para ajudar no emagrecimento. De acordo com a notícia:

A fototerapia é usada no tratamento de lesões e agora sua aplicação foi estendida, já que diversos estudos acadêmicos indicam que a incidência de luz atua positivamente nas atividades celulares. “Nós usamos fontes específicas de luz como laser e led. E já temos algumas evidências em animais que isso realmente acelerou o efeito do exercício”, falou Parizotto.

De fato, existem pesquisas sobre a influência da luz no desenvolvimento celular e no metabolismo de alguns seres vivos… como o mofo, por exemplo[1]. Uma outra diz que luz azul regula a proliferação e diferenciação em células de pele humana[2]. Mas isso é um pouco diferente de dizer:

Além de reduzir o peso, nós pudemos perceber uma série de melhoras adicionais muito importantes, como a potencialização do metabolismo celular, diminuição de toda massa de gordura do corpo e redução do perfil lipídico, que são triglicérides e colesterol.

Ok, há pesquisas em que se usa emanações luminosas para estimular processos celulares. Mas daí a diminuir a gordura é um pouco diferente, né? Parece algo como:

Gordura: Carai! Luz! Onde está meu caixão? Bleaaaaarghhhhhhhhhhhh!!

O nosso Stephen Hawking explica como é esta técnica. Basicamente é "(…) uma manta de led que pode ser entendida como uma espécie de cobertor pequeno, cheio de leds, feito com um material plástico que vai cobrir determinada região como, por exemplo, a coxa".

A manta de leds é uma manta com… leds. Thank you, Cap’n!

Agora, eles estão caçando voluntários para o experimento (ainda não saiu da fase de hipótese). As cobaias serão submetidas a uma sessão de exercícios aeróbios e musculação combinados com sessões de terapia de luz, avaliação física e análises clínicas laboratoriais. Em outras palavras: SOPA DE PEDRA!

Vamos ver se eu adivinho como é a técnica: Um café da manhã consistindo de meia bolacha de água e sal e meio copo d’água (temos que evitar retenção de líquido). Depois, meia hora de exercícios físicos medianos. Uma folhinha de alface de lanche. Depois mais 2 horas cavando buraco na areia da praia. No almoço: uma fatia de pão integral, meio copo de chá aguado sem açúcar e uma folhinha de alface. Sobremesa? Are you kidding me? Depois, o resto da tarde caminhando no meio do lamaçal para depois ter natação e levantamento de peso.

Como? Onde está a luz? Ora, tudo isso é feito debaixo do Sol, seus energúmenos!

Parizotto tranquiliza todo mundo que ficar pegando luz não tem contra indicação e, muito provavelmente, na próxima fase ele injetará clorofila no pessoal para ver se eles fazem fotossíntese, acabando com a necessidade de comer.

Ciência Brasileira FTW!

15 comentários em “USP e UFSCar “iluminam” pacientes obesos para que possam emagrecer. Céus, oh, Céus!

    1. @Orci, kkk foi o que pensei, eu vi essa piada quando era criança, em que a pilula deve ser tomada com dois copos de água gelada!!

  1. A gUSP está sem verba para fazer pesquisas científicas, então…então….tchan..TCHAMMM…mas deixem os caras executarem as experiências e depois publicarem os resultados.

  2. Que raios de pesquisa é essa que parece não ter: metodologia, objetivos, critérios de amostra, grupo de controle e principalmente sentido.

  3. Putz olha só que oportunidade de ganhar dinheiro! É só fazer a manta de leds (agora tem fitas de leds em tudo que é home center) e vender para as clinicas de estética feminina. Vocês tem idéia da quantidade de equipamentos estúpidos eles tem lá dentro? E vai estar respaldado pela pesquisa. Não é o máximo? E se quiser aperfeiçoar é só ligar mais uns leds coloridos e um chaveador de luzes usado em shows. Aí completa dizendo que é cromotorepia emagrecedora.

  4. No futuro nos curaremos de doenças, teremos corpos esbeltos, seremos felizes e inteligentes apenas assistindo Avatar na TV de LED?

  5. suco de clorofila leva maçã, couve ou espinafre, cenoura, abobrinha, ou beterraba, hortelã, aipo e mel. não e nada milagroso mas contem uma boa quantidade de vitaminas e fibras, mas a maioria das pessoas acha que é uma bebida magica que vai te emagrecer e deixar saudável e so tomar um depois do terceiro x-tudo

  6. O que me chamou a atenção foi o projeto ser orientado por um cientista da Pontíficia Academia de Ciências (Vanderlei Bagnato), onde se supõe que tenham cientistas de valor.

  7. André, esses dias, conversando sobre pesquisas na Universidade, me lembrei desse artigo seu. Quando comentei há um ano eu fiquei pasmo com a participação do Vanderlei Bagnato nesse projeto, conforme o comentário que eu fiz. Entretanto, dessa vez minha curiosidade atiçou mais e fui procurar os resultados dessa pesquisa.

    Encontrei artigos do próprio grupo, como esse
    https://scholar.google.com/citations?view_op=view_citation&hl=pt-BR&user=Ks1DHQQAAAAJ&citation_for_view=Ks1DHQQAAAAJ:9yKSN-GCB0IC
    E esse outro
    https://scholar.google.com/citations?view_op=view_citation&hl=pt-BR&user=Ks1DHQQAAAAJ&citation_for_view=Ks1DHQQAAAAJ:UeHWp8X0CEIC

    E achei mais esse, que cita brevemente alguns estudos realizados pelo grupo da USP/UFSCar, mas que chama atenção para alguns detalhes da metodologia.
    http://link.springer.com/article/10.1007/s10103-016-2021-9

    Em resumo, os artigos do grupo relatam resultados positivos para os voluntários tratados com LED. Mesmo apesar dos treinamentos físicos, se comparar com candidatos que também fizeram treinamentos físicos sem os LEDs.

    No artigo do outro grupo, entendi (mas posso estar errado) que há evidências de que a terapia com lasers é efetiva, mas os efeitos realmente só apareceriam quando combinada com exercícios físicos, por exemplo. E isso contraria uma hipótese do efeito dos lasers ser local, mas não é evidência de que a redução se deu somente por causa de fatores externos aos LEDs.

    Você mantém sua opinião sobre os estudos do grupo da USP/UFSCar, André?
    Desculpe, meu inglês não é tão bom e eu talvez não seja tão treinado para ler artigos científicos (apesar de ter aprendido bastante com a ceticismo.net a ter pelo menos curiosidade de abri-los para ler, agradeço por isso).
    Ficaria grato com um retorno.

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