Para hospital católico, feto não é gente

O problema de lidar com hipócritas é… hummm…. sua hipocrisia. Posando como bastiões da moral e bons costumes, autoproclamando-se responsável por conduzir a vida de milhões de pessoas e posicionando-se como responsável pela Civilização Ocidental, representantes católicos sempre foram um pé no saco querendo mandar na vida de todo mundo. Até a hora que preferem mudar de opinião quando lhes é conveniente.

O caso em questão foi uma negligência de um hospital católico, que acabou fazendo merda e uma paciente grávida morreu, juntamente com as crianças gêmeas que estava esperando. Para fugir das acusações, o hospital alegou que feto não é gente.

É uma questão delicada. Claro que um feto humano é gente. O que se discute quando se fala em aborto é que um grupo de células não têm direitos civis, pois, para todos os efeitos, fetos não são reconhecidos como cidadãos, não pagam impostos, não possuem carteira de identidade e se já tiver nome escolhido é sorte. Mas, para a ICAR, isso é um atentado contra a vida humana, pouco importando se isso seria para salvar a vida da gestante, a qual se morrer levará o feto junto. Ninguém pensa nos detalhes.

Vida de médico não é fácil, entendo. No entanto, isso não é motivo para se colocar paninhos quentes quando fazem besteira, como foi o caso ocorrido em 2006, onde Lori Stodghill deu entrada no Hospital St. Thomas More, em pleno dia de Ano Novo, mas ela não veria este ano. Lori tinha 31 anos e estava grávida de sete meses de meninos gêmeos, que também não veriam o alvorecer de um novo ano.

Ela estava vomitando e com falta de ar e desmaiou enquanto estava sendo levado para uma sala de exame. A equipe médica tentou reanimá-la, mas, como ficou claro só mais tarde, uma artéria principal que alimentava seus pulmões estava entupida. Lori estava faminta por oxigênio, mas a obstrução levou a um ataque cardíaco fulminante. Ainda haveria tempo de salvar as crianças, mas os médicos não o fizeram. Os bebês morreram.

O tempo é relativo. Entre a hora que Lori chegou ao hospital e seu fatídico momento, demorou-se menos de 1 hora. Pouco tempo, mas uma eternidade que viverá na memória de seu marido, Jeremy Stodghill e de sua filha. Enquanto a dor varre sua alma, Jeremy canalizou sua raiva contra o único responsáveis por isso: o próprio hospital. Ele entrou com uma ação onde se alega que a equipe médica poderia ter salvo as crianças. O hospital, na mais covarde das defesas, alegou que não poderia ser responsabilizado por isso, pois "fetos não são gente".

A missão da organização que possui ativos nacionais de US$ 15 bilhões, é descrita como:

Enraizado no ministério amoroso de Jesus como curador, nós nos comprometemos a servir todas as pessoas, com especial atenção para aqueles que são pobres e vulneráveis. Nosso ministério da saúde Católica é dedicado ao cuidado centrado espiritualmente, holístico, que sustenta e melhora a saúde dos indivíduos e das comunidades. Somos defensores de uma sociedade compassiva e apenas através de nossas ações e nossas palavras. (FONTE)

Mateus 19:14 — Jesus, porém, disse: Deixai os meninos, e não os estorveis de vir a mim; porque dos tais é o reino dos céus.

Os tentáculos desses hospitais católicos estão causando preocupação, já. Em 2011, o procurador-geral do Kentucky e seu governador brecaram o plano no qual a Saúde Católica tencionava ganhar o controle de hospitais com financiamento público em Louisville [1]. Eles já estavam com ideia de conter qualquer procedimento com respeito à reprodução e fim de vida. Segundo o The Denver Post[2], temores semelhantes desacelerou o plano das Irmãs da Caridade de Leavenworth de comprar a Exempla Luterana Medical Center e a Exempla Good Samaritan Medical Center, na área metropolitana de Denver, Colorado (lá o aborto é permitido, mas há restrições na cobertura de seguro de aborto em quaisquer circunstâncias).

No caso do aborto, fetos são tão gente quanto Soylent Green e o cachorro (me refiro ao Canis lupus familiaris) do ex-ministro do trabalho Antônio Magri. Entretanto, quando é para meterem a mão no bolso, num instantinho feto deixou de ser gente, a Virgem Maria faz ponto na esquina e sempre estivemos em guerra com a Eurásia.

Gostaria muito de me revoltar, mas isso já não me surpreende mais, o que é péssimo, pois estamos nos acostumando com o que é errado, com o que nunca deveria ser normal. No final, esta história será esquecida coo tantas outras e a ICAR ainda ficará repetindo a cantilena que criaram e moldaram a civilização ocidental e que os direitos humanos foram baseados em seus preceitos e isso e aquilo.

Qual será a resposta óbvia para o ocorrido supracitado? O hospital católico mantido pela Igreja Católica não é católico de verdade.

Um comentário em “Para hospital católico, feto não é gente

  1. Se a ICAR esconde PEDÓFILOs e nada acontece, que dirá de um caso de erro médico?

    Já é asqueroso o que uma empresa faz para sair de um erro, mas estas em particular adjetivo nenhum é suficiente!

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