Os esquisitos crânios deformados de mexicanos do passado

No filme do Indiana Jones, o arqueólogo malvadão sai em busca de caveiras pré-colombianas, as chamadas caveiras de cristal. Longe de serem artefatos extraterrestres, que na verdade eram "ossadas" de antigos ETs (sim, spoiler. E o dr. Jones tem um filho, o pai dele já tinha morrido e ele continua com medo de cobras. Me processe). Infelizmente, a realidade não é bem essa e as caveiras não tinham formato esquisito.

Agora, arqueólogos escavavam um cemitério pré-hispânico de mil anos de idade, no sul do México. E o que tem lá é bem estranho.

A drª Cristina Garcia Moreno é pesquisadora da Universidade Estadual do Arizona. Infelizmente, ela não tem uma página decente lá, mas pelo menos faz parte da Red Mexicana de Arqueología, uma espécie de Orkut de Arqueólogos. Ela não costuma saquear tumbas ou fugir de pedras rolantes, mas sabe fazer o seu trabalho, cujo foco são civilizações mesoamericanas.

No antigo cemitério escavado por Garcia Moreno, 25 indivíduos foram encontrados, sendo que 13 deles exibem deformações intencionais cranianos, com uma projeção para trás, o que possivelmente indicava status social. Isso, muito provavelmente, porque não havia iPhone na época. Veja o cabeção abaixo:

Não, ele nunca foi 8º passageiro de lugar nenhum!

Muitos povos faziam este tipo de "auto-enfeite" de forma a se projetar socialmente (vide ilustração que abre o artigo). Não é muito diferente de um mané que coloca piercing no nariz, tatuagens no corpo todo ou ser alguém como o tal Homem-Gato que faleceu recentemente. As pessoas são estranhas.

O processo de "decoração craniana" devia começar quando criança, já que os ossos vão se soldando aos poucos e ainda estão moles. Placas de madeira eram pressionadas contra o crânio da criança e mantidas assim por uns 6 meses, o que não devia ser nada confortável. Só de ver o resultado me dá vontade de tomar uma aspirina.

Maiores informações na sua Wikipédia.

Dos 25 restos mortais encontrados, 17 são de crianças e adolescentes na faixa de 5 meses e 16 anos de idade. Apenas oito esqueletos são de adultos. Mesmo porque, mortalidade infantil era um problema muito sério na época e é por isso que as famílias tratavam de "produzir" muitos filhos, na esperança de pelo menos um se salvar. Alguns indivíduos também apresentavam mutilação dental, pois pelo visto não bastava ser cabeçudo, tinha que ser banguela também.

Os indivíduos sepultados estavam bem ornamentados, o que reforça a ideia que eram de boa condição social. Foram encontrados pulseiras, anéis de nariz, brincos e pingentes feitos de conchas encontradas no Golfo da Califórnia, o que foi praticamente algo inédito. Um corpo continha uma tartaruga que foi cuidadosamente colocada sobre o abdômen.

Antes que você comece a sacanear os defuntos, alegando que aquilo é coisa de gente atrasada, ridícula e tosca, pensem nos rituais de embelezamento pelos quais passamos, ainda mais no caso das mulheres. Eu mesmo já disse que se tivesse nascido mulher seria uma mulher feia, pois não passaria horas me mutilando, alisando pelos, passando um monte de trecos na cara, no cabelo e em lugares que Jesus fica lá em cima advertindo que não foi para isso que ele criou as referidas partes. A busca pela perfeição estética acompanha o Homem há milênios, até mesmo Neandertais faziam isso. Lembre-se disso quando estiver com uma pinça arrancando as próprias sobrancelhas.


Fonte: Instituto Nacional de Antropología e Historia

6 comentários em “Os esquisitos crânios deformados de mexicanos do passado

  1. A primeira reação da minha mãe ao ver essa notícia foi exclamar “TÁ AQUI, FULANO, A PROVA DOS ALIENÍGENA!”

    Poupar-vos-ei dos detalhes do diálogo. Enfim, acho incrivelmente interessante esse comportamento do homem (e de muitos animais) de alterar conscientemente suas características físicas para se tornar mais desejável. Li em algum lugar que, daqui a uns tempos, perderemos os pelos corpóreos completamente justamente por conta do fato de que indivíduos – especialmente mulheres – com menos pelos são vistos como mais belos. Ao menos atualmente. Me pergunto o que exatamente define uma alteração dessas como belo, e alguns séculos depois, faz com que ela se torne grotesca… Quem sabe se na hora em que, finalmente, formos completamente lisos, a moda vai ser fazer aplique nas pernas.

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  2. Este tipo de deformação craniana não provoca dores constantes ao longo da vida, ou algum tipo de dificuldade de locomoção ou fala?

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    1. @reinaldo, O dito mexicano (comendo um burrito, claro) diria: “Quem se importa? Agora eu sou cool!”
      BTW mulheres que usam salto alto podem sofrer de problemas nos pés e na coluna ( por mais que não possa se comparar em fazer um crânio na forma do Alien), ou seja, ser “masoquista” sempre esteve na moda nas sociedades ao longo do tempo (o cristianismo não me deixa mentir).

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  3. Não precisa ser ganhador do Nobel em Fisiologia e Medicina para ver que deformar o crânio é uma ideia muito idota. Mas eu sempre foi contra essa atitude de “beleza a todo custo”. Esse pessoal deveria ler “Uma Carniça” de Charles Beaudelaire.

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