Pistas de nossas antigas chuvas esquecidas

Olhamos para o passado mediante pistas que existem hoje, no presente. Sabemos de seres vivos que já não existem mais mediante seu registro fóssil, que pode ser desde um dente até uma pegada. Sabemos de como era a superfície do planeta mediante rochas e como era a atmosfera com a análise de amostras de gelo  retiradas da Antártida. Agora, sabemos mais ainda sobre como era a atmosfera em tempos há muito esquecidos por meio de uma coisa tão simples que mal nos damos conta quando cai, a não ser se seu maravilhoso penteado foi feito à base de chapinha: a chuva.

Mas como analisar chuva antiga?

Paleoclimatologia é a ciência que estuda a evolução das condições climáticas da Terra ao longo dos bilhões de anos As técnicas usadas para saber coo era o clima em tempos de antanho são muitas, como a dendroclimatologia (estudando as estruturas de fósseis de árvores que passaram por permineralização (árvores petrificadas), estudo de geleiras (analisando o gelo, claro), informações radiométricas e de vestígios em rochas. Um desses vestígios é algo que pode parecer meio sem sentido, mas não é se entendermos um pouco de química: a análise de chuvas que caíram há milhares e milhões de anos.

It was rainning, man!

Estas marcas da foto foram registradas na Austrália. Elas têm 2,7 BILHÕES de anos. As marcas que deixaram nas rochas ao longo do tempo dão pistas de como era a atmosfera, devido ao modo como desgastaram as rochas. Isso nos dá pistas sobre a história climática da Terra. Com as marcas, pesquisadores podem estudar como eram as gotas de chuva e com que força elas caíam, pelo modo como escorreram pelas rochas, o que dá uma visão clara de como estava a densidade da atmosfera em tempos mais antigos..

O dr. Sanjoy Som é astrobiólogo e trabalha na Divisão de Astrobiologia e Ciências Espaciais da NASA. Juntamente com seus colaboradores da Universidade de Washington, Som estuda os vestígios de antigos pingos de chuva para deduzir a como era a pressão atmosférica no momento, já que isso é influência direta da densidade da atmosfera na época em questão. As evidências apontam para uma abundância de gases de efeito estufa, o que fazia da Terra um lugar nada legal para se viver, a menos que você fosse uma archaea..

A Terra era um lugar que você dificilmente reconheceria como o que temos hoje. Ela girava mais rápido, o Sol era mais fraco, a Lua estava bem mais perto e sua sogra ainda não tinha nascido (sim, eu sei que faz muito tempo). Com a aparição dos primeiros organismos fotossintetizantes, a atmosfera ganhou mais um componente e este faria toda a diferença nos anos a seguir: o oxigênio (v. Quando o Oxigênio Apareceu e Cianobactérias: A Origem do Oxigênio na Terra).

Raindrops Keep Fallin’ on My Head

A análise dos "fósseis de pingos" foi feita derramando-se látex sobre as impressões nas rochas e cinzas vulcânicas na África do Sul,para ter-se um molde do que estava lá, já que levar toneladas de material não seria viável. Laseres de varredura de alta precisão criaram uma versão virtual das impressões, de forma que os cientistas pudessem estudá-las. Em seguida, Som recriou o processo com cinzas vulcânicas vindas da Islândia e praticamente ficou gotejando água, com pipetas de diferentes tamanhos, sobre elas, no que eu chamo de "trabalho de corno". A pesquisa foi publicada no periódico Nature.

Ao compreendermos o que e como aconteceu a evolução climática do planeta, cientistas poderão olhar para outros mundos e criar hipóteses do que poderá acontecer dali para frente. Entendemos como nosso planeta nasceu e se desenvolveu, estudando como está sua evolução atual e como essa curva está sendo afetada pela ação biológica, mais especificamente do Homem.

5 comentários em “Pistas de nossas antigas chuvas esquecidas

  1. Tem algo me perturbando… O artigo diz que foram feitos moldes de latex sobre as impressões. Mas colocar o pé por sobre as marcas, como em uma das fotos, não poderia danificar ou modifica-las? E mesmo que o molde tenha sido feito antes, não se deveria prezar pelas condições das marcas?

  2. Vamos ser sinceros: “chuva fossilizada” é uma das coisas mais bizarras que se pode encontrar na Natureza.
    Jamais eu imaginaria que isso fosse possível………

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