Tutancâmon, efeminados e monoteísmo

Tutancâmon é o egípcio mais famoso. Depois dele só o Yul Brynner, digo, Ramsés II. Ramsés está mais para um Stallone, já que saiu na porrada com os hititas e foi chefiando o exército egípcio na Batalha de Kadesh (que na verdade acabou no 0 x 0, mas cada povo alegou que tinha saído vitorioso, provando que marketing político não é coisa recente). Tut está mais pro Justin Bieber ou algum ex-BBB. Ficou famoso, ninguém sabe ao certo como e o pessoal tá doido pra ver o cadáver.

Há uma aura de mistério na morte de Tut, o faraó menino, que não era tão menino assim para os padrões daquela época, já que o cabeçudo era casado já. Agora, pesquisadores se debruçam sobre uma questão meio incômoda: Por que Tut tinha um semblante mais feminino? E isso não era exclusivo dele. Quais os segredinhos purpurinados que ele esconde?

Primeiro de tudo, vamos ser claros com uma coisa: intrigas palacianas já existiam… bem, sempre existiram nos palácios. Claro, isso pode parecer um grande lampejo do óbvio, mas devemos ressaltar que no passado a coisa era um pouquinho mais suja do que possamos pensar. Intrigas, fofocas, alianças obscuras, disse-me-disse etc. sempre existiram em todas as sociedades. A única coisa difícil de acreditar é que Tut tivesse algo a ver com bicheiros, mas isso tem pouco a ver com o que quero abordar.

Argumenta-se que a morte de Tut possa ter apressado a adoção da religião monoteísta, mas ela não seria novidade de qualquer forma. Amen-Hoptep IV (não confundir com Imhotep, que não foi bruxo, nem feiticeiro e muito provavelmente não conheceu o Brendan Fraser) seguia a então religião politeísta dos egípcios, mas ele desbundou e resolveu adorar o deus Aton. Com isso, Amen-Hoptep IV (também conhecido como Amenófis IV) adotou o nome Akhenaton, que significa "o espírito atuante de Aton", mandando construir uma cidade para culto de nome Akhetaton, lá pelas bandas de Mênfis (no Egito e não na terra do Elvis).

Akhenaton não viveu lá muito. Modernas análises definiram-no como sendo pai de Tutancâmon. Este, pressionado pelos sacerdotes, volta com o culto politeísta. De minha parte, monoteísmo, em termos de mitologia,. faz pouco sentido; e, sim, as religiões fazem sentido se vocês as estudarem. Elas não estão lá por acaso. Voltando ao caso do monoteísmo, uma religião onde você só tem um único ser hiper-mega-powerful-motherfuckerly poderoso soa estranho, já que do lugar de onde saiu este deus, pode sair outros. Mas também entendo que as pessoas estão acostumadas a ter um pai, um líder de tribo, um rei etc. Também faz sentido ter um único deus, ou, como eu acho que casa bem, vários deuses e semideuses e um deus reinante sobre todos.

Desde sua ricamente decorados túmulo, quase intacto foi descoberto em 1922, a causa da morte de Tutancâmon tem estado no centro de um intenso debate. Houve teorias de assassinato, hanseníase, tuberculose, malária, anemia falciforme, uma picada de cobra — mesmo a sugestão de que o jovem rei morreu após uma queda do seu carro.

Um estudo de hieróglifos mostra que a família de Tutancâmon era muito religiosa, associando-se com as divindades, onde alguns cientistas especulam se a família de Tut não tinha problemas de epilepsia do lobo temporal, que já se mostrou como fonte de algumas "visões místicas" (v. Religião e Epilepsia).

Levando em conta que os ancestrais mais próximos ao rei Tut (inclusive ele mesmo) tinha feições mais efeminadas, os pesquisadores deduzem que sim, isso tem a ver com a epilepsia do lobo temporal, já que tal região controla a liberação de hormônios. Além de "ver gente mooooooooorta", Tut e seus ancestrais ainda pareciam mais com menininhas. É muita decadência!

Anos antes, Akhenaton via coisas, e acabou elevando o deus Aton, representado pelo disco Solar (não, Hórus não tem nada a ver com isso, ele não nasceu em dezembro, não teve discípulos, não era o caminho a verdade e a vida e Ísis era tão virgem quanto uma tal de Maria, que deu golpe da barriga num empresário da época).

Entretanto, é difícil afirmar que foi assim que surgiu o monoteísmo: por causa de faraós epiléticos. Mas também não tem como afirmar outra coisa. A verdade é, portanto: ninguém sabe. Ninguém faz ideia. No máximo, temos hipóteses, o que não tira o brilho da pesquisa.

Se a Ciência se apegasse a coisas só com objetivos puramente práticos, jamais teríamos saído das cidades-estado e rodas-dágua. O Egito tem muito a nos ensinar, sobre sua história e sobre a história de nós mesmos, onde podemos entender como uma civilização de milênios acabou seguindo por uma linha comportamental e religiosa, para depois entendermos o fenômeno religioso em outras partes do mundo, e como essas religiões evoluíram com o passar do tempo.

Agora, se você quer saber tudo logo de saída, compre um livro tipo Júlia, Bianca ou Sabrina. O final é sempre o mesmo, de qualquer forma.


Para saber mais: Newscienctist, National Geographic [1] [2]

2 comentários em “Tutancâmon, efeminados e monoteísmo

  1. “(não, Hórus não tem nada a ver com isso, ele não nasceu em dezembro, não teve discípulos, não era o caminho a verdade e a vida e Ísis era tão virgem quanto uma tal de Maria, que deu golpe da barriga num empresário da época).”

    Lendo isso vejo a quantidade de cético de fundo de quintal que dá uma de fodão ao citar Zeitgeist. :shock:
    Ainda bem que o Cet.net existe!

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