Caranguejos de grandes profundidades caçam usando visão ultra-violeta

Você pensa que os seres humanos formam a espécie dominante na Terra. Somos apenas pobres coitados frente a outros grupos taxonômicos. Artrópodes formam um filo único. Fortes, bem adaptados e bem espalhados por todos os cantos do mundo. Dentre eles, temos o subfilo dos crustáceos, que mandam e desmandam no fundo do mar. Entre eles, temos os caranguejos que vivem em grandes profundezas, que segundo alguns pesquisadores são capazes de usar visão capaz de discernir luz ultra-violeta para poder caçar sua refeição, já que você nunca viu um caranguejão na fila do McDonald’s para pedir um McFish. Ou viu?

A drª Tamara Frank é professora associada do Centro de Oceanografia da Universidade Nova Southeastern. Ela usou os recursos do submersível Johnson-Sea-Link para estudar a quantas andam as vizinhanças das profundezas do mar. Ela não encontrou nenhum alien no fundo do abismo, mas observou o comportamento de alguns caranguejos, e por meio de testes percebeu que seus olhos são sensíveis à luz ultravioleta. Isso deu a vantagem de poderem se alimentar de plâncton, que aparece brilhante frente à iluminação ultra-violeta, totalmente invisível para nós, macacos pelados.

A capacidade de enxergar em um comprimento de onda mais curto deu uma vantagem adaptativa a estes animais. O que para olhos como os nosso passam desapercebidos, frente à luz UV mostra-se mais claro e brilhante que um farol em tempo limpo.

A equipe da drª Frank examinou três sítios no fundo do mar das Bahamas, devido às suas belíssimas águas claras, sol forte e moçoilas de biquíni passeando, se bem que isso mais estaria relacionado com outro tipo de estudos biológicos. Como tia Frank não é daquelas de ficar enfurnada em um sótão, escrevendo diários, ela resolveu que tinha que saber como os cascudos se alimentavam.

A equipe coletou os cascudos e acomodou-os num ambiente sem luz e totalmente isolados do ambiente, para depois levá-los a um laboratório (nesse ponto, o pessoal do PETA tem um ataque, se rasga todo e sai quicando com a cabeça). Os crustáceos não estavam nem aí pra hora do Brasil. Os pesquisadores, então, colocaram sensores próximos aos olhos dos amiguinhos casca grossa. Tia Frank fez incidir feixes luminosos de diferentes comprimentos de onda, e observava os dados que indicavam repostas de seus olhos. A pesquisa foi publicada no periódico Journal of Experimental Biology.

Tamara Frank foi uma verdadeira Einstein ao estabelecer como os crustáceos analisados enxergavam, e a hipótese que crustáceos usam visão ultra-violeta para podem se alimentar necessita de mais dados, já que enquanto alguns insetos polinizadores são capazes de achar flores usando este tipo de visão, isso não é verdade para todos os tipos de insetos polinizadores, e muito menos para todos os insetos.

Dessa forma, a franca drª Frank admite que ainda precisa de muitos outros testes, com outras espécies de crustáceos – e com comprimentos de onda mais estreitos ainda –, mas para isso terá que usar outro submersível, já que o Johnson-Sea-Link não está mais disponível.

Deixe um comentário, mas lembre-se que ele precisa ser aprovado para aparecer.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s