O kibe nosso de cada dia

ENEM 2010 e as trapalhadas educacionais
Grandes Nomes da Ciência: Beakman

morteaokibe.jpgCom a chegada da Internet, criou-se uma tola expectativa que muito conteúdo estaria na Grande Rede e que as pessoas contribuiriam com seus conhecimentos para compartilhá-los com o restante da humanidade, antes que algum ICBM caísse no nosso telhado ou que o Tiririca fosse eleito. Eu teria preferido o ICBM. O que vimos foi a criação de dois tipos espúrios: Os TDM e os KFDP. Se você tem um blog, já reconheceu e teve o desprazer de cruzar com as duas "distintas" figuras. Enquanto um fica enchendo o seu saco, falando besteiras, o outro age na encolha, roubando seu texto e colocando na maior cara-de-pau. Este último é conhecido como kibador, em homenagem ao máximo rei dos kibadores.

Começo este artigo dizendo isso porque é um saco, enervante, irritante e emputecedor, entre outras características da minha personalidade calma e tranquila, ver que se gasta um tempão para fazer um artigo e algum ixpertu resolveu angariar audiência pro blog dele copiando o seu texto. É algo diferente quando a Fabiane escreve um artigo, coloca no blog dela e posta aqui também. Sendo dela, ela pode reproduzir quantas vezes quiser (o texto, mas se ela quiser se dividir em duas, não me incomodo, mas o namorado dela é capaz de me partir em 3). Diferente de algum Zé Ruela que pega o que é SEU e coloca no que é dele (estou falando de textos, seus pervertidos). Não importa se ele colocou "Fonte: Ceticismo.net". Ele está atraindo audiência com um trabalho meu. Seria um caso diferente de ele se basear em meu texto, colocar mais algumas informações, dar a opinião particular dele e publicar. Aí sim, sou uma fonte de pesquisa.

Semana passada, um mané pega o meu texto e coloca no blog dele. Eu faço uma advertência que isso é violação de direitos autorais e o distinto me joga que eu não tinha escrito que era proibido copiar o texto. Sei. Imagino a cena…

— Rá! É um açauto!

— Ei, peraí! Você não pode me assaltar.

— Craro que posso, chefia. O çenhor não tá cum uma praca dizendo que não pode ser açautado!

Mimimimi… mas naum é assarto, pruque v6 continua com um testo.

Sim, meu caro TDM, da mesma forma que se eu pegar dinheiro e fazer cópias, não estarei roubando o governo, pois a nota original continuará em circulação, né?

Mimimimi… mas v6 cupiam notícia da Bebecê!

Não, TDM, eu pego a notícia e escrevo em cima. Coloco fonte, pois tem tanta notícia proverbialmente louca que ninguém acreditaria.

Eu num credito em v6.

Esadof.

Pessoas que copiam outros sites na íntegra estão num nível evolutivo abaixo de fungos, pois fungos pegam o material e o usam para extrair nutrientes, e não copiam as árvores. Essa raça é tão descarada (pronto, vão me chamar de racista por causa disso) que ainda ameaçam dizendo que não vão deixar de copiar enquanto eu não colocar um aviso dizendo que não pode fazer e que se eu quiser que… (nota, o miserável REALMENTE escreveu isso) que tire o MEU texto. Só soltando um imenso palavrão em klingon! E o pior é ver este pessoal cursando faculdades de Letras, Advocacia (estes nunca fazem nada direito), biblioteconomia etc.

Acham que só porque diz "Fonte: Um-site-que-roubei-descaradamente", acham que podem copiar qualquer coisa, pois suas notocordas de nematelmintos são incapazes de criar algo diferente de "LOL", "First" ou "Morri" (antes fosse, caro KFDP, antes fosse…). Se profiçionaus assim possuem a "decência" de copiar coisa alheia, imaginem em suas vidas o que não fazem. Porque ninguém tem botão liga/desliga de honestidade, tem? Pois, é. Será a eterna luta de quem produz conbteúdo de quem chupa (e nem é no sentido mais legal) de você, ainda se sentindo no direito de te dar um esporro, certo que as duas molas-mestra da sociedade brasileira o estará protegendo: a Lei de Gérson e a certeza da impunidade, mesmo levando em conta a lei nº 9.610, de 19 de fevereiro de 1998.

Mas estamos em tempos onde o certo parece ser errado e o errado é visto como algo maneiro, que há muito, muito tempo atrás, onde eu nem sonhava manter blogs e mesmo blogs per se não existiam como vemos hoje, eu já disponibilizava artigos e material em gloriosas páginas HTML, feitos inteiramente em código-fonte ou com o ridículo frontpage express (sim, eram tempos difíceis e já naquele tempo havia trolls). Um certo Conselho Regional de Química copiou alguns artigos meus e sequer citaram a fonte. Descobri por acaso, via Google. Mandei um polido e-mail (eu ainda não sabia direito como as interwebs funcionavam e dos tipinhos à solta por elas) dizendo que não me incomodava se copiassem os textos, mas que citassem a fonte.

Aconteceu algo divinamente hilário e, talvez, isso seja a prova que Deus existe (ou não): Recebi dois e-mails.

O primeiro era do webmaster, dizendo de maneira muito cortês que, realmente, eles tinham roubado copiado meus textos, pois eles eram muito bons e isso era uma forma de eu ver que eu escrevia bem (resumindo, eu tinha que agradecer por eles copiarem meus textos). Mas que doravante iriam citar a fonte.

O segundo e-mail era do presidente do referido CRQ, que não posso citar de onde é por motivos que vocês entenderão em breve. Ele escreveu de forma enfática e arrogante que o CRQ (…) Região não copiava artigo de ninguém e que isso era uma acusação gravíssima. Dessa forma, eu deveria verificar tal coisa e voltar a entrar em contato, ou o distinto Conselho tomaria medidas drásticas (ou alguma coisa nesse sentido).

No mesmo instante eu entrei no site e, UAU!, os textos sumiram como por encanto. Só que eu já conhecia o cache do Google. Respondi ao e-mail do senhor-presidente-eminência-excelência-doutor-sei-lá-mais-o-que que era estranho esta resposta dele, pois o webmaster CONFIRMARA que tinha copiado o textos, conforme anexo do e-mail enviado. Outrossim, apesar das páginas não estarem mais no site do referido Conselho, o Google mantinha o cache sob o endereço tal-tal-tal, mas que eu tinha salvo uma cópia em PDF (no anexo). Assim, o CRQ deveria sim agir de forma drástica, a começar por um pedido formal de desculpas.

Vocês se desculparam? Nem eles. Tudo o que meu advogado AMOU de paixão e me garantiu algumas reservas monetárias e é assim que devemos tratar kibador. Não no caso de uma notícia vagabunda, que eu posso escrever em 20 minutos. Mas quando temos textos bem elaborados como os muitos estudos, análises e contextos históricos que colocamos aqui, e que muitas vezes demoram semanas pra ficar prontos (eu não vivo disso e preciso dar atenção ao meu trabalho e minha família), a coisa deve ser levada a sério. BEM a sério.

ENEM 2010 e as trapalhadas educacionais
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Sobre André Carvalho

και γνωσεσθε την αληθειαν και η αληθεια ελευθερωσει υμας