DNA da maior ave já encontrada foi sequeciado através das cascas dos ovos

aepyornis.jpgAlgumas pessoas acreditam em milagres. Feitos ditos como impossíveis e atribuídos a entidades mágicas. Mas a Ciência é a arte de fazer o impossível tornar-se possível. Se antes não sabíamos o que era responsável por cada uma das características dos seres vivos, hoje sabemos que é o DNA. Se antes não sabíamos como ordenar este DNA, hoje sabemos. Se antes não tínhamos como extrair o DNA de criaturas mortas há séculos ou mesmo milênios, hoje já podemos.

Não só isso, mas cientistas executam coisas que é impossível mesmo no ramo do impossível: a extração do DNA do pássaro pertencente ao gênero Aepyornis da família Aepyornithidae, família de aves extintas conhecidas por pássaros-elefante, aves-elefante ou vorompatras. Onde está o impossível? Os pesquisadores extraíram a informação genética de cascas de ovos do referido pássaro!

Em uma pesquisa liderada pelo Dr Michael Bunce, a doutoranda Charlotte Oskam da Universidade Murdoch, em Perth, Austrália, trabalhou na extração do DNA de 18 cascas de ovos fossilizados, sendo alguns obtidos em campo e outros guardados em museus. Alguns vieram de espécies ainda encontradas hoje, como corujas e patos. Outros ovos pertenciam a espécies extintas, incluindo 3 pássaros-elefantes de Madagascar. Algumas dessas amostras possuem “apenas” alguns séculos de idade, mas o mais velho veio de um emu que viveu há 19.000 anos atrás. A pesquisa foi publicada na Proceedings of the Royal Society B (com texto integral para vocês, pessoal!).

Pode parecer estranho que se execute tal procedimento, mas em fato, cascas de ovos de aves são uma excelente fonte de DNA bem antigo. Eles são feitos de uma matriz protéica que é carregado com o DNA e cercado por cristais de carbonato de cálcio. Essa estrutura cristalina protege a estrutura do DNA e age como uma barreira ao oxigênio e água, dois dos principais destruidores de qualquer proteína, e o DNA não está imune. Nas cascas dos ovos, os microorganismo não possuem grande capacidade de reprodução; assim, não tais agentes decompositores ficam com suas “patinhas” (eu SEI que micróbios não possuem patas) longe do material genético. Oskam descobriu que as cascas fossilizadas tinham cerca de 125 vezes menos DNA bacteriano do que os ossos da mesma espécie.

Outro problema de haver bactérias é que elas também são fossilizadas, contribuindo com seu querido DNA bacteriano, acarretando erros na identificação da espécie e confundindo os cientistas na hora de sequenciar as bases nitrogenadas. Dessa forma, a Charlotte e a sua equipe tomou todas as precauções para evitar a contaminação. Eles usaram salas limpas e muitas amostras de controle. Muitas de suas seqüências, como os de Aepyornis, foram verificados por dois laboratórios independentes, garantindo confiabilidade à pesquisa, pois ninguém está livre de fazer alguma besteira. Assim é o Método Científico, onde todos são culpados até que se prove a idoneidade dos resultados.

As seqüências de Aepyornis são particularmente as mais importantes, porque muitos cientistas já tentaram extrair o DNA dos ossos do “passarão” de 3 metros, mas falharam. Com isso, pode-se enveredar por outro lado, abordando o problema de uma outra forma, usando as cascas de ovos, que demonstraram ser mais promissoras. Quem sabe, chegue a vez do tão famoso quanto extinto pássaro Dodô.

Como nada no mundo é perfeito, Charlotte tentou sem sucesso obter o DNA de pássaros de 50 mil anos. Toda técnica tem limitações e esta não seria uma exceção. Dessa forma, os pseudoescritores, com título de jornalistas, devem sossegar o facho, pois Jurassic Park ainda está um pouco longe da realidade e nem foi isso que a equipe do dr. Bunce prometeu.


Fonte:Press release da Universidade Murdoch

7 comentários em “DNA da maior ave já encontrada foi sequeciado através das cascas dos ovos

  1. Essa questão de trazer de volta à vida animais extintos é meio cruel não? O clima, até mesmo a mistura atmosférica da época em viviam possivelmente eram diferentes do que atualmente são. Acredito que eles sofreriam… mas que seria legar ver um Megalodon Carcharias no meio do oceano, aaaa isso ia!

    1. E porque nao um Velociraptor devorando o “Prof. Dr” Adauto Lourenco, na frente de uma plateia de criacionistas ?

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