Composição metálica garante a identidade de esculturas modernas

O mundo da arte fatura milhões e milhões de dólares todos os anos. Isso, como devem imaginar, faz a mão de muita gente coçar, bolando meios de falsificar obras de arte, afim de venderem como se fossem autênticas. Como saber que uma escultura de Rodin, por exemplo é original? Quando os especialistas em arte não conseguem determinar com precisão a resposta, fica a pergunta: Quem poderá nos ajudar? O Chapolim? Não, a Química!

Dr. Marcus Young da Northwestern University, juntamente com os colaboradores do Art Institute of Chicago, determinaram a composição de perfil único de grandes esculturas de bronze da primeira metade do século XX; perfis estes que podem ser utilizados como um outro método para a identificação, datação e até mesmo autenticação desses esculturas.

Bronze é uma das ligas mais antigas do mundo. Foi tão importante que foi marco na história, a saber: a Idade do Bronze (cerca de 3300 A.E.C), onde aqueles que viriam a ser os primeiros metalurgistas viram que se adicionasse certas “impurezas” a um determinado de metal fundido, este metal tinha suas propriedades físicas alteradas.

O bronze é uma liga metálica constituída basicamente de cobre e estanho (mas que pode conter fósforo manganês, alumínio e/ou silício). É consideravelmente menos frágil que o ferro (ferro, e não aço). Ele se oxida apenas superficialmente, formando o que comumente chamamos de “azinhavre” ou “zinabre” – basicamente óxidos, carbonatos ou cloretos de cobre II. Esta oxidação é apenas superficial, uma vez que a superfície oxida, a fina camada de óxido protege o metal subjacente a partir de novos pontos corrosivos. Tanto que ainda temos por aí máscaras de bronze romanas, como a da foto ao lado, datada do século I. O problema do bronze é que ele é mais pesado e menos resistente que o aço, o que acarretou alguns probleminhas, quando os romanos apareceram com seus Gladius hispaniensis (mais conhecido como “gládio”, daí o nome “gladiador”), que eram espadas feitas de aço com até 60 cm de comprimento, com gume duplo.

A presença de quantidades de estanho, zinco e outros metais altera o ponto de fusão da liga a ser formada com o cobre, bem como a força e dureza de uma escultura feita desse material, assim como a sua resistência à corrosão e sua cor (variando a quantidade de cobre, mais “dourado” fica).

O bronze era muito valorizado na Roma Antiga, a ponto de ser “chique” ter taças e talheres de bronze, enquanto que artefatos de ouro só podiam ser usados por imperadores e membros do Senado (nenhum deles fora eleito pelo Amapá). As fundições até o século XX faziam muito segredo a respeito da composição do bronze, de modo que outras fundições copiassem suas “receitinhas”, desenvolvendo um produto igual ou melhor. Espionagem industrial não foi algo inventado ontem. Além disso, nem todas as esculturas tinham uma marca indicando em qual fundição ela foi feita, muito menos provas documentais que identificassem onde e quando elas foram produzidas. Entretanto, com um profundo conhecimento sobre a composição bronze tornou-se importante para a arte e para os historiadores estudarem esculturas do século XX, tentando resolver as questões de autenticidade, a origem e a intenção artista.

O Dr. Young empregou uma forma de espectroscopia de emissão óptica (ICP – OES) para determinar a composição metálica de 62 esculturas de bronze fundido modernas em Paris, na primeira metade do século XX, a partir das coleções do Art Institute of Chicago e do Philadelphia Museum of Art. Inclusive foram analisadas as esculturas de Matisse, Picasso, Renoir e Rodin, entre outros mestres. Este estudo é o primeiro feito de forma abrangente no que concerne à composição química de um grande número de esculturas modernas, feitas por vários artistas e fundições, abrangendo meio século. Tal pesquisa foi publicada na Springer’s journal, Analytical & Bioanalytical Chemistry.

Os pesquisadores demonstraram que as esculturas consistem em cobre, zinco e estanho como os constituintes de maior concentração na liga, variando sobre uma largfa faixa de composições. Eles estavam aptos a agrupar as esculturas em 3 tipos distintos: latão com alto teor de zinco (latão é a liga formada com zinco e cobre), latão com baixo teor de zinco e bronze. Estes três grupos mostraram boas correlações com o artista, a fundição, a data de produção e o método empregado. Por exemplo, as ligas de latão com alto teor de zinco correspondem à maior parte das esculturas de Picasso, moldado em cera na fundição Valsuani, após a Segunda Grande Guerra.

Os autores concluíram que através da expansão da base de dados do ICP-OES de objetos estudados, essas correlações entre os materiais podem tornar-se úteis para identificar, datar ou possivelmente até mesmo autenticar outros bronzes que não ostentem marcas fundição.

Deixe um comentário, mas lembre-se que ele precisa ser aprovado para aparecer.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s