Distúrbio de personalidade borderline

O distúrbio de personalidade borderline (DPB) ou fronteiriço é um dos transtornos mentais mais lesivos. Ele é responsável por cerca de 10% de pacientes em atendimento psiquiátrico e 20% de pacientes com necessidade de internação. Uma característica o DPB é a instabilidade na vida do paciente, principalmente quando se trata de relacionamentos pessoais. Os pacientes DPB também têm dificuldade de controlar seus impulsos e moderar as emoções.

Os relacionamentos íntimos desses pacientes são quase sempre tumultuados e comprometidos por comportamentos altamente imprevisíveis que podem deixar outras pessoas irritadas e assustadas. Um exemplo bem conhecido, embora dramatizado, é a personagem de Glenn Close no filme ‘Atração Fatal’. No entanto, apesar da importância, os mecanismos cerebrais que poderiam provocar esse distúrbio, ainda são pouco conhecidos. Em recente publicação na Science (o resumo pode ser lido AQUI), Brooks King-Casas e colegas da Baylor College of Medicine fornecem uma visão esclarecedora da mente das pessoas que sofrem de DPB.

Nesse estudo, pacientes e um grupo de controle formado por pessoas sadias participam de um jogo em que o dinheiro é trocado entre um investidor, que decide quanto vai investir, e um gestor que decide quanto do investimento, que será triplicado durante a movimentação, será pago no resgate. Se, por exemplo, o investidor decide investir US$ 10, o gestor terá US$ 30 para dividir por três. Embora à primeira vista pareça um jogo sobre investimento financeiro, na verdade é sobre o desenvolvimento da confiança. Se ambos os jogadores cooperarem, ambos se beneficiarão muito mais com o negócio, que se o investidor ficar com a maior parte do dinheiro.

Essa transação exige um grau de confiança entre os parceiros, que é construído, pela repetição de ofertas justas. Um investidor que não confia no outro não aplica muito dinheiro. Este tipo de aplicação, muito cauteloso, foi exatamente o que aconteceu no final dos jogos com gestores portadores de DPB, indicando que eles tiveram dificuldade em estabelecer e manter uma cooperação nos relacionamentos. Os jogadores de controle, sem DPB, pelo contrário, tiveram altos lucros no final do jogo. Eles conseguiram ganhar muito dinheiro utilizando uma estratégia de persuasão na qual investidores receosos que aplicam pequenas quantias de dinheiro foram encorajados pelos generosos lucros, o que indica confiança. O estudo mostrou que os jogadores de controle usaram essa estratégia duas vezes mais que os portadores de DPB.

Esses resultados suscitaram novas perguntas. Por exemplo: O que provoca esse comportamento cerebral? A maioria das pesquisas indica que o DPB em geral surge da combinação de uma predisposição genética e um trauma sério na primeira infância. Nem todos que sofreram traumas quando crianças desenvolvem DPB, mas uma combinação de genes de risco pode tornar o impacto do trauma no desenvolvimento cerebral mais grave e permanente. Pelo fato de nenhuma região cerebral funcionar de forma isolada, é importante identificar completamente que redes cerebrais estão envolvidas nesse processo.


Fonte: Scientific American Brasil

2 comentários em “Distúrbio de personalidade borderline

  1. A música da Madonna fala do assunto:

    Madonna

    Borderline

    Something in the way you love me
    Won’t let me be
    I don’t want to be your prisoner so baby
    Won’t you set me free
    Stop playing with my heart
    Finish what you start
    When you make my love come down
    If you want me let me know
    Baby let it show
    Honey don’t you fool around
    Just try to understand, I’ve given all I can
    ‘Cause you got the best of me
    Chorus:
    Borderline
    Feels like I’m going to lose my mind
    You just keep on pushing my love
    Over the borderline
    Borderline
    Feels like I’m going to lose my mind
    You just keep on pushing my love
    Over the borderline

    Something in your eyes
    Is makin’ such a fool of me
    When you hold me in your arms
    You love me till I just can’t see
    But then you let me down
    When I look around, baby you just can’t be found
    Stop driving me away, I just wanna stay
    There’s something I just got to say
    Just try to understand, I’ve given all I can
    ‘Cause you got the best of me

    (Chorus)

    Keep on pushing me
    Keep on pushing me
    Keep on pushing me, my love
    Come baby
    Come darling
    YeahÂ…

  2. ‘…Essa transação exige um grau de confiança entre os parceiros, que é construído, pela repetição de ofertas justas….’

    Adorei esta parte: a confiança é adquirida com o tempo e resulta de um certo grau de convicção do indivíduo ‘A’, de que o indivíduo ‘B’ se agirá de modo a preservar os interesses não só dele (‘B’), mas de ambos (‘AB’). Se, após um lapso temporal, o indivíduo ‘A’ não tiver adquirido tal convicção, dificilmente consentirá (p.ex) em colocar seu patrimônio à mercê das decisões de ‘B’ (o mesmo vale para relações não-patrimoniais).

    Só fiquei curiosa ao imaginar uma determinada hipótese experimental: formar-se um grupo de controle só com pessoas dom diagnóstico confirmado deste distúrbio e submetê-las a situações em que outros indivíduos demonstrem elevados graus de confiabilidade (indivíduos que, com relação à estes pacientes, ajam de modo a serem, por eles considerados ‘confiáveis’).

    Imagino se os indivíduos com este distúrbio – com relação a estes outros indivíduos envolvidos no experimento- agiriam de modo imprevisível.

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