Homem abre embaixada de país imaginário e ainda lucra mais que muito governo real

Sábado de sol, aquele dia em que a humanidade capricha nos absurdos pra justificar a existência de colunistas ranzinzas. E hoje, diretamente do departamento “Aqui é loucura sim!”, temos o caso do sujeito que teve a brilhante, mas questionável, ideia de fundar uma embaixada fake de um país que só existe na cabeça dele e talvez num mapa que ele desenhou com canetinha hidrocor. Estamos falando de um sujeito tão esperto quanto estúpido chamado Harshvardhan Jain, um autoproclamado diplomata da gloriosa nação imaginária chamada West Arctica.

Onde aconteceu isso? Ode mais poderia ter acontecido? Não, não foi no Brasil (inda), mas na sua versão asiática: Uttar Pradesh.

Nosso amigo Jain operava a sua… cahan… “embaixada” num imóvel alugado em Ghaziabad, uma cidadeca de Uttar Pradesh, com população de 1,73 milhão de habitantes, provavelmente, da mesma família. O local era incrível, belamente decorado com todos os adereços que o Google Imagens e uma impressora multifuncional barata puderam oferecer. Obviamente, Jain não parou por aí. Ele também se dizia embaixador de Seborga, Paulvia e Lodonia — outros países que têm em comum o fato de só existirem no universo paralelo das micronações e na vontade fervorosa de homens de meia-idade que assistem documentários de conspiração no YouTube às 3 da manhã.

Mas Jain não era só um sonhador com espírito diplomático e tempo livre. Ele tinha um negócio sério: uma mistura de venda de empregos internacionais falsos com operação de hawala, aquele esquema financeiro informal e altamente ilegal que deixa qualquer departamento de combate à lavagem de dinheiro suando frio. E, claro, pra dar aquele toque de classe, ele tinha fotos editadas ao lado do Primeiro-Ministro e do Presidente.

Sim, você leu certo: ele literalmente photoshopou a própria cara ao lado dos figurões. O que, sejamos justos, é exatamente o tipo de coisa que você esperaria de alguém que imprime passaporte diplomático com clipart da ONU. Em outras palavras, Jain era um sacripanta em alto nível!

Os Meganhas de Shiva, ao invadir a embaixada do Polo Leste (DSCLP), encontrou o equivalente a um bazar de mentiras institucionais: doze passaportes diplomáticos falsos, trinta e quatro selos oficiais de países e empresas (incluindo, quem sabe, a Galáxia de Andrômeda), carros com placas diplomáticas estilo “Feitos no Paint”, panfletos, crachás de imprensa, documentos do Ministério das Relações Exteriores (também falsos, claro), e 4,47 milhões de rúpias (o equivalente a 1 kg de café e meia dúzia de ovos) em espécie.

A melhor parte? Jain já tinha sido pego em 2011 com um telefone via satélite, que só não era ilegal porque era um engodo vendendo algo efetivamente inexistente. E tinha contatos com um guru polêmico e um traficante de armas internacional. Sim, essa biografia dá um pau em qualquer personagem de “Narcos”.

No fim, fica a pergunta: como é que alguém convence um monte de gente a acreditar que é diplomata de um país que nem no Google Maps bêbado aparece? A resposta está no velho mantra: se você tiver uma postura séria, um paletó decente e um PowerPoint convincente, metade do mundo acredita. A outra metade? Tá ocupada demais dando like em teoria da conspiração pra perceber.

4 comentários em “Homem abre embaixada de país imaginário e ainda lucra mais que muito governo real

  1. Tem americano que acredita que África é um país e que Georgia é apenas um estado americano. Eu não duvido MESMO que algum jeneo acredite que esses (e infinitos outros) países possam existir.

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