Sealand: o menor país mundo e que não tem terras

Pense como seria jogar Rise of Nations na vida real. Pense que se você se apropriar de um determinado território, alguém irá querer lhe derrubar e você terá que lutar para expulsar os invasores. Pense que você terá que criar uma espécie de capitania hereditária, cunhar sua própria moeda, redigir leis e relegar aos seus descendentes o controle total sob o o lugar.

Isso até poderia ser a história do Brasil (e, em parte, é), mas estou falando de algo um tiquinho menor. Estou falando de uma micronação, Sealand e como a Inglaterra tomou na cabeça mais uma vez, envergonhando as rainhas Elizabeth I e Vitória.

Durante a 2ª Guerra Mundial, a Inglaterra – apesar das poses de Churchill – estava com o fiofó na mão, com medo de ser invadida, e a Alemanha bem que estava pensando em mandar os tommies irem ter um papinho com Ricardo III. Assim, o pessoal de Shakespeare mandou construir fortificações no mar, de forma a ficar de olho nos aviões e barcos que resolvessem ir ter com eles.Essas fortificações foram batizadas de Maunsell Forts, sendo torres fortificadas construídas no Tamisa e na costa da Grã Bretanha

Acabada a guerra, as bases ficaram lá, criando ferrugem. Entre elas estava HM Fort Roughs, as 7 milhas náuticas da costa de Suffolk, garantindo que os alemães não sufocassem-los (não vou pedir desculpas). Como aquela bagaça estava lá, abandonada, o major Paddy Roy Bates, do Exército de Sua Majestade, tomou conta e iniciou uma transmissão não autorizada (aka uma rádio pirata) a qual denominou Rádio Essex. Era 1965.

Os tommies adeptos da liberdade e contra o fascismo, decretou que a transmissão era ilegal, e multou Norman, digo, Roy Bates em 100 libras esterlinas. O bom major não gostou muito. Fechou sua rádio "com a melhor música da região". Era natal de 1966

O major Bates se mudou para outro forte, que estava em águas internacionais, deu um Fuck This Shit, e continuou a transmitir. A Marinha de Sua Majestade achou que aquilo perdera a graça e mandou ele parar com as transmissões de vez. Bates resolveu que se 13 colônias ridículas podiam mostrar o dedo médio para a Coroa Inglesa (estou falando do país e não da rainha Elizabeth II. Não se faz este sinal obsceno para uma dama).


É velho, mas tá pago!

Só que os filhos de Elizabeth II não marcaram bobeira, ampliaram os limites dos mares territoriais em 3 milhas náuticas e tomaram conta da base, expulsando o Coração Valente dos mares. Ele pegou suas trouxas e fez os ingleses de trouxas novamente, indo para outra base, fazendo seu próprio país. Ele só não tinha baralhos nem prostitutas (pelo menos, do segundo eu tenho certeza).confeccionou uma bandeira e decretou que ali era o novo país dele. Declarou independência da Inglaterra e batizou seu principado de Sealand. Eles até têm um site próprio! O www.sealandgov.org

Não, a ONU não deu a mínima.

A Inglaterra declarou que ia aumentar as fronteiras do mar territorial de novo. Então, o Príncipe Bates disse que ele ia aumentar as fronteiras de Sealand e ocupar Suffolk. O negócio foi pro pau. A alegação, estúpida, é que Bates e seu filho Michael foram  acusados ??por porte de armas (na Inglaterra, nem mesmo a polícia pode usar armas, salvo caráter excepcional). O juiz, entretanto, rejeitou o caso, alegando que o tribunal britânico não tem jurisdição sobre assuntos internacionais, já que Roughs Tower estava além das águas territoriais da Grã-Bretanha e…

PERAÍ!

Se o juiz disse que a Grã Bretanha não tinha jurisdição ali, pois era um território que não pertencia a ela, então, ele estava reconhecendo que ali era um território soberano, pois não? Foi o que Bates interpretou, e eu teria pensado a mesma coisa! Bates declarou que isso era reconhecimento de seu país e sete anos mais tarde promulgou uma Constituição, instituiu uma bandeira (na imagem de abertura) e até compôs um hino nacional!

Ah, ok. Você vai falar que aquela bagaça lá é pequena. Bem, Lichenstein, Mônaco e o Vaticano também são. Tirem os cassinos de Mônaco e aquilo vira a Praia de Ramos. E como todo país que se preze, Sealand até esteve à beira de um Golpe de Estado, quando em 1978 foi "tomado" por uma empresa alemã, que sequestrou o filho do príncipe Bates. Este chegou lá, resgatou o filho e botou os caras pra correr. E você reclamando aí que o final de semana está chato!

Eles até têm uma seleção de futebol, mas os manés da FIFA não reconhecem. Preferem reconhecer o Brasil, mas duvido que Sealand tomaria 7 gols da Alemanha. De qualquer forma, eles fazem parte da Nouvelle Fédération-Board, uma espécie de FIFA para países especiais, mas muito amados.

Se você suporta esta ideia, você pode comprar títulos nobiliárquicos para você e sua família. Em 2007, o príncipe Michael quis vender Sealand, e o Pirate Bay se demonstrou interessado, por motivos que aí teriam seu próprio país e só uma ação internacional (aka, guerra) os colocaria pra fora. Só que não puderam comprá-lo. E mesmo que comprem, não fará diferença, pois o país não é reconhecido pela ONU (mas o Vaticano é. Deus andou mexendo uns pauzinhos); isso, somado a outros motivos, que você deve ter lido no link, certo?

O futuro de Sealand é incerto, mas eu gostaria que fosse para a frente. Ele está lá, assim como o Tibet e Taiwan (que não são países oficialmente reconhecidos, e pessoal não dá a mínima pro Dalai Lama), querendo ser deixado em paz.  Não é mais expressivo que muito país africano, nem pior que eles. É uma curiosidade e nos faz pensar sobre o que significa ser um país.

Será que eles conseguem colocar um satélite em órbita por seus próprios recursos antes do Brasil?

Um comentário em “Sealand: o menor país mundo e que não tem terras

  1. Segundo a TGE, um Estado, para ser reconhecido como tal, só precisa de povo, território, poder e soberania. Com um pouco de boa vontade, Sealand tem tudo isso, em uma “nanoesfera” mas tem.

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