Jovem maldito tirando foto com vaca bonita irrita fazendeiros

Hoje é dia 21 de abril, e trabalhar em feriado já é um pequeno colapso moral e queda da civilização. Não satisfeito em ter que trabalhar (que é a parte ruim, como diria o Seu Madruga), é dar um rolê pelas notícias e ver o caso de um fazendeiro que decidiu deixar vacas feias de propósito porque a humanidade adulta não consegue se comportar diante de um bovino, como pode afirmar um criador de Highland cattle, aquelas vacas escocesas que parecem ter saído de um comercial de sabonete artesanal caro. Peludas, com franja dramática, cara de quem posa para foto de perfil sem esforço. O equivalente bovino de um influenceiro de lifestyle que acorda perfeito.

Problema que vem eles, os malditos jovens, com tempo livre, câmera frontal e zero noção coletiva. Influenceiros pulando cerca (no sentido literal, já que jovem só fode a paciência dos outros), invadindo propriedade privada, abraçando vaca com filhote como se fosse um acessório do Pinterest. Tratando um animal de meia tonelada como se fosse um filtro do Instagram.

Diante desse circo de horrores, Alex Birch – um fazendeiro cansado de ser educado, cansado de colocar placa, cansado de ligar pra polícia – tomou a decisão mais brilhante e mais deprimente do século: ele vai piorar as vacas geneticamente de propósito. Objetivo: deixá-las feias.

Sim, nós chegamos a este ponto. Depois de séculos selecionando animais pra ficarem mais bonitos, mais fortes e mais produtivos, a humanidade finalmente inverteu o processo porque um bando de gente não consegue resistir à tentação de transformar tudo em story. O plano é cruzar as Highland lindas com variedades menos carismáticas, menos fotogênicas, menos dignas de like. Uma sabotagem estética programada. Um “vai se foder, algoritmo” feito com DNA bovino.

É difícil não aplaudir de pé enquanto chora por dentro. Darwin deve estar em algum lugar do além, de cabeça baixa, murmurando: “Eu tentei avisar”. Milênios de evolução seletiva jogados no lixo porque uma parcela da população acha que “invadir propriedade alheia” é etapa criativa do conteúdo.

E o pior — o mais cruel, o mais tristemente hilário — é que provavelmente vai dar certo. Porque se tem uma coisa que afasta influenceiro é a ausência de estética. Se não gera engajamento, não existe. A realidade pode estar pegando fogo, mas se não ficar bem no enquadramento vertical, ninguém liga.

O próximo capítulo já se escreve sozinho: árvores geneticamente modificadas pra crescerem tortas e mais deprimidas que eu quando tenho feriados no meio da semana e não posso enforcar os dia (e nem o meu diretor que fez a escala). Praias com areia cinza industrial, céu nublado por decreto nos horários de pôr do sol. Tudo pra proteger o planeta de quem não consegue respirar sem validar a existência com um punhado de curtidas.

No final, ninguém sai ileso. As vacas vão ficar mais feias. Os influenceiros continuarão insuportáveis migrando pro próximo alvo como praga bíblica. E o jornalismo continua aqui, firme, cavando cada vez mais fundo no poço, provando que o fundo nunca foi limite: é só o novo estilo de vida.

E você, lendo isso num feriado, ainda achando que a informação serve pra alguma coisa além de confirmar que já passamos, há muito tempo, do ponto de retorno.

Parabéns, humanidade. A civilização virou um experimento social mal-conduzido. E as vacas… as vacas são apenas o efeito colateral estético mais honesto que a gente merecia.


Fonte: Tabloide Murica Fuck Yeah!

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