Procurador do Irã disse que acabou a polícia moral. Só tenho uma coisa a dizer

Vocês já sabem da história: em 13 de setembro deste ano, a jovem Mahsa Amini foi parada pela Polícia da Moral, entidade do Irã que se mete na vida dos outros, e esta aplicou a conduta adequada de uma teocracia tosca: violência absurdamente desnecessária, e isso por causa de um pedaço de pano. Explodiu um monte de protestos, pessoal saiu na porrada. Hoje, foi anunciado o fim da polícia da moral. Aham, vai na fé.

No papel, a Polícia da Moral foi fundada em 2005, mas ela sempre existiu, porque o pessoal tem ataque de pelanca se a mulherada mostra a orelha. Imagina o quão frágil o vagabundo deve ser para ficar desnorteado com uma orelha ou um chumaço de cabelo. Este lixo anacrônico sempre foi fortemente criticado pela forma como trata não só mulheres, mas homens também, mas mulheres não costumam revidar com caras armados. Daí, a selvageria num lugar que outrora abrigou um dos maiores impérios, e Ciro, o Grande, não via nada demais mulheres andarem sem lenços no cabelo. Por isso ele e Xerxes foram grandes governantes, quando o monte de velho que tem hoje lá fica com medinho, por causa de um livro que tem suas regras datadas da Idade do Ferro.

O caso de Amini foi um barril de pólvora, e começaram as manifestações, algumas bem violentas. O Ministério do Interior iraniano informou que ocorreram mais de 300 mortes desde o início das manifestações, entre membros das forças de segurança, manifestantes, além de membros de grupos armados qualificados como contrarrevolucionários.

Com isso, o procurador-geral do Irã, Hojatolislam Mohammad Jafar Montazari, falou que entrou com um processo de extinção da Polícia da Moral, e junto com o presidente Ebrahim Raissi, estariam avaliando uma modificação da lei sobre a obrigatoriedade do uso do véu islâmico. O resultado será divulgado em 15 dias. E, CA-LAAAAAAAAARO, você vai acreditar.

Número 1: presidente não manda nada no Irã. Ele é apenas uma figura decorativa e para receber autoridades do mundo todo. Quem manda mesmo são os aiatolás, já que o Irã é uma teocracia.

Número 2: a própria mídia estatal do Irã descarta o anúncio de procurador-geral sobre fim da polícia moral. Não há nenhuma confirmação da retirada dos agentes da Polícia da Moral das ruas ou mudanças na lei. Mesmo que se tire, será apenas trocar o nome “Polícia da Moral” para “Polícia”. Como diz a piada, só muda a latinha; a merda é a mesma.

A agência ISNA, uma espécie de “Rede Irã” de lá, disse que a Polícia da Moral, ou “Patrulha de Orientação”, como é chamada lá (porque eles orientam muito, sabem?) não tem nada a ver com o Judiciário e foi suspensa, mas azar o de todo mundo, porque o Judiciário continua de olho em todo mundo e ai do pessoal que mijar fora do penico.

Mas eu posso estar errado. Chega lá e manda ver fazendo o que lhe der na telha. Não vai ter nenhuma puliça da moralidade. Confia mesmo, irmãzinha.

3 comentários em “Procurador do Irã disse que acabou a polícia moral. Só tenho uma coisa a dizer

  1. Grandes coisas. Qualquer Zé ruela pode punir outro Zé ruela se baseando na lei islâmica e só não rola um nada acontece feijoada porque feijoada tem carne de porco e ninguém tá a fim de apanhar por causa de comida.

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