Antigos mortos contam histórias antes do Egito ser o Egito

Todo mundo adora o Egito. Egito é uma espécie de T-Rex entre as civilizações. Não que todos os dinossauros fossem gigantões como o T-Rex, da mesma maneira que o Egito não era o único império fodão em seu tempo. Mas ainda assim mexe com nossa imaginação. Por isso, cada descoberta no Egito é divulgada com pompa, como foi o caso das 110 tumbas localizadas no Delta do Nilo, contendo os restos mortais de adultos e crianças que datam de cerca de 5.000 anos.

A descoberta foi feita no sítio arqueológico Koum el-Khulgan, na província de Dakahlia, a cerca de 93 quilômetros a nordeste do Cairo. São túmulos contendo cerâmica, ornamentos funerários, além de outras 37 tumbas retangulares do Segundo Período Intermediário, época compreendida entre 1782 e 1570 A.E.C. não, nenhuma menção a Moisés ou hebreus e muito menos escravos.

Não apenas isso, ainda havia cinco túmulos ovais restantes datando do período de Naqada III, também chamado “Período proto-dinástico do Egito”. A saber, foram três períodos Naqada, período que ficou registrado como uma evolução gradual nos costumes sócio-culturais e desenvolvimento econômico da região. Chama-se proto-dinástico por este motivo que você está pensando: nada de reis como os grandes Reis do Egito (ou “faraós”, se usarmos uma terminologia corrente, ainda que errada).

No período nacadano, houve uma forma de “complexação” da sociedade, que ainda era baseada num estilo de vida nômade ou semi-nômade, fundamentado em pastoreio, caça e coleta. Não havia ainda a agricultura desenvolvida com assentamentos permanentes.

Naqada I (ou Cultura de Amira) durou entre 4000 e 3500 A.E.C. e praticamente foi a ascensão da elite local, e que se atribui ao período do assentamento em definitivo, com o início da agricultura, aproveitando as cheias do Nilo, mas isso ainda é incerto e está passível de discussões. Naqada II (ou Cultura Gerzeana) desenvolveu-se entre 3500 e 3200 A.E.C., passando por um período problemático com o índice de chuvas reduzindo sensivelmente, alterando drasticamente a região. O número de assentamentos foi reduzido, embora tenha havido desenvolvimento urbano e sócio-cultural. O comércio foi intensificado, assim como a produção agrícola e pecuária, em que a caça e pesca sofrem redução por serem menos eficientes que cuidar do seu próprio boizinho.

Já Naqada III (ou Cultura Semaineana) é um boom, por assim dizer. Compreendido entre os anos 3200 e 3000 A.E.C., foi o período marcado pelo surgimento dos primeiros hieróglifos, e com desenvolvimento de escrita, há desenvolvimento cultural e melhoria no sistema governamental, tomando nota e fazendo registros comerciais, o que melhorou a administração do reino, com a unificação e formação do Estado egípcio. Chamada muitas vezes de Dinastia 0 (zero) – embora não muito aceito pelos egiptólogos, vemos o florescer da cultura egípcia que dali se tornaria um império. Impérios são formados por diversidade sócio-cultural e étnica, mediante aumento de comércio e conquista de territórios.

De acordo com as autoridades egípcias, as 68 tumbas mais antigas descobertas agora em Koum el-Khulgan eram fossos ovais abertos na camada de areia e continham pessoas enterradas em posição agachada, em que a maioria das pessoas enterradas estavam deitadas do lado esquerdo, com a cabeça apontando para o oeste.


Até que a morte os separe.


Ok, nem todos estavam deitados sobre o lado esquerdo.

Além desses achados, foi encontrado os restos mortais de um bebê enterrado dentro de um vaso de cerâmica do período Bhutto 2, um pequeno pote de cerâmica esférica foi colocado com ele, que se estima serem joias para ajuda-lo a atravessar para o mundo dos mortos.

São achados que contam nossa história, o modo de vida de nossos antepassados, como eram as sociedades antigamente e como eles viam o mundo perante a óptica de seu tempo. Cada caco de cerâmica é uma frase, uma nota no rodapé da história, um fragmento de informação, uma peça do quebra-cabeças que nos ajuda a entender o passado e a nós mesmos e como enxergamos nosso mundo hoje.

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