Pesquisadores revivem micróbios do tempo dos dinossauros, mas não reviveram, independente do que os jornais disseram

Não, cientistas não reviveram nada, já que o micróbio nem tava morto. E não, não o xinguem de micróbio do caralho. Ele não causa doença. Estava lá de boas no mundinho dele, e nem tem nada a ver com morcegos. Eles são anteriores aos morcegos. O que aconteceu foi que pesquisadores deram uma revirada em solo oceânico, coletaram amostras de argila e estavam lá os microbinhos queridos. Só isso, mas você vai querer saber mais, né? Diz que vai, anda! Preciso ter mais visualização no site.

O dr. Yuki Morono é pesquisador da Agência Japonesa de Ciência e Tecnologia Terra-Marinha. Junto com outros pesquisadores, Yuki picou a mula para ver o que diabos anda rolando no solo oceânico. De acordo com sua pesquisa, durante décadas, os cientistas coletaram amostras de sedimentos antigos abaixo do fundo do mar para entender melhor o clima do passado, as placas tectônicas e o ecossistema marinho profundo. Mas e quanto aos serezinhos microscópicos? Bem, com comidinha e sem ninguém para encher o saco, micróbios podem viver muito bem, obrigado, e foi isso o que descobriram

Ao analisar como populações microbianas persistem do fundo do mar no giro oligotrófico do Pacífico Sul. Os pesquisadores descobriram que o status fisiológico dessas comunidades, incluindo o metabolismo do substrato, é previamente irrestrito. Na pesquisa, os pesquisadores que pesquisaram as amostras determinaram que diversos membros aeróbicos de comunidades em sedimentos com cerca de 4,3-101,5 milhões de anos de idade são capazes de incorporar prontamente substratos e divisões de carbono e nitrogênio. Com isso, a maioria das 6.986 células individuais analisadas com espectrometria de massa de íons secundários em escala nanométrica incorporou ativamente substratos marcados com isótopos.

Você tirou isso do paper, né?

Sim.

Dá pra resumir? Eu quase dormi aqui.

Vocês podem pensar que os oceanos estão fervilhando de vida. Acham que isso é a sustentação da ideia que se encontrar água em outros planetas, fatalmente encontra-se-á vida (gostou da mesóclise, hein?). bem, não é uma garantia, pois a vida é rara. Não é uma questão “se tem água, tem vida”. O Oceano Pacífico é um exemplo disso. O chamado Giro do Pacífico Sul é ampla região em que as condições naturais atrapalham o desenvolvimento da vida marinha. Esta região faz parte de um sistema de correntes oceânicas rotativas da Terra, estendendo-se por 37 milhões de quilômetros quadrados, desde as costas oeste da América do Sul até a Nova Zelândia, e desde o Equador até a Corrente Circumpolar Antártica. A região equivale, no total, às superfícies somadas de EUA, China e Rússia.

O centro do Giro do Pacífico Sul é uma região tão inóspita que a vida lá é rara, mesmo quando se acha que pode se ter vida em qualquer lugar. Não é bem assim que a banda toca. Aqueles cafundó dos Judas Aquático é o local na Terra mais distante de todos os continentes e regiões oceânicas produtivas, sendo considerado o maior deserto oceânico da Terra, contendo uma área com concentrações elevadas de plásticos pelágicos, lodo químico e outros detritos conhecidos como trechos de lixo do Pacífico Sul. Em outras palavras, as correntes oceânicas do pacífico ficam girando (por isso o nome de Giro do Pacífico) acumulando um monte de imundície, formando verdadeiras ilhas de lixo, plástico e detritos. Sabe a sacola plástica e canudinhos de refrigerante que você se preocupa tanto? Pois, é. Não fazem a menor diferença pois a maior poluidora é a China. Mas você jamais verá a Greta dizer isso. Não podemos desagradar a China, certo?

Só que o Giro do Pacífico Sul já era uma bosta para a vida antes dos seres humanos colocarem as patinhas sobre a terra. Por isso, ele sempre foi tido como “o lugar mais hostil de todo o oceano”. As fotos de satélites mostram uma maravilha de limpeza, em que a superfície tem a água mais cristalina do mundo. Isso não é nenhuma vantagem. Água cristalina mostra muito bem o quão “árida” e estéril é essa zona. Se você pensa em deserto e lembra de areia, reveja seus conceitos.

Em 2010, a Expedição 329 do Programa Integrado de Perfuração Oceânica recuperou sequências sedimentares da planície abissal do Giro do Pacífico Sul para examinar a vida e a habitabilidade do subsolo oceânico local. A população de seres vivos lá é de uma a sete ordens de magnitude inferiores às contagens nas mesmas profundidades em locais de margens oceânicas e regiões de ressurgência, ou seja, tem muito, MAS MUITO, menos seres vivos lá do que encontramos em outros ambientes.

Das amostras que Yuki e seu pessoal coletaram, muitas células responderam rapidamente às condições de incubação, aumentando o número total em 4 ordens de magnitude e consumindo carbono e nitrogênio nos 68 dias após a incubação. A resposta foi geralmente mais rápida (em média, 3,09 vezes) para incorporação de nitrogênio do que para incorporação de carbono.

A bordo do navio-sonda JOIDES Resolution, Yuki e sua galera da pesada perfuraram vários núcleos de sedimentos 100 metros abaixo do fundo do mar e quase 6.000 metros abaixo da superfície do oceano. Os cientistas descobriram que o oxigênio estava presente em todos os núcleos, sugerindo que se o sedimento se acumular lentamente no fundo do mar a uma taxa de não mais de um metro ou dois a cada milhão de anos, o oxigênio penetrará todo o caminho do fundo do mar até o porão. Tais condições possibilitam que microorganismos aeróbicos sobrevivam por escalas de tempo geológicas de milhões de anos.

Péra, caramba! Devagar! O que isso quer dizer?

Que os cientistas não reviveram propriamente dito. Os micróbios não estavam em animação suspensa ou em estado de latência. O sistema bioquímico estava funcionando, já que tinha oxigênio lá, mas não em tanta abundância quanto na superfície, obviamente. Assim, os micróbios estavam vivos, mas num ritmo bem lento. Expostos numa atmosfera mais rica em nutrientes, eles começaram a se reproduzir felizes da vida. Simples, só isso. Nada de “cientistas reviveram micróbios malignoooooooooooooos.

A pesquisa foi publicada no periódico Nature Communications. Eu até falaria para os jornaleiros lerem a pesquisa antes de postar notícia, mas aí não geraria cliques, não é mesmo? Nem eu vou ganhar tanta divulgação com este texto, como vocês fizeram com o link do G1.

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