Muçulmanos malaios criam higienizador sem álcool, diz jornaleiro. Mas não é bem assim

Eu adoto o jornaleirismo. Pessoal corre pra noticiar alguma bobagem e por pura ignorância escreve mais bobagens ainda! Um exemplo disso é o Mashable, conhecido por trazer matérias dedicadas a jovens, sendo o próprio Jovem do jornaleirismo. É tipo ser a Superinteressante da Superinteressante.

Um exemplo disso é a “reportagem” que na Malásia estão produzindo um higienizador de mãos adequado à população de lá, que é de maioria muçulmana. Sendo assim, o “higienizador” não contém álcool. Está rindo? Pois melhora.

Sukhbir Cheema é escritor, dramaturgo, diretor de teatro e cartunista com base na Malásia trabalhando para o Mashable. Não apenas isso, é ignorante em química em nível de Ensino Médio, o que mostra que qualquer zé ruela pode escrever peças de teatro. Claro,q ue o fato de ele escrever uma peça não o torna Shakespeare, e ningupém seria insano ao propor isso.

Sukhbir mostrou como pessoal na Malásia está faturando com o corona vírus ao produzir “higienizadores halal”. Halal é o termo que designa algo com aprovação da autoridade muçulmana e que pode ser usado pelos fiéis da religião de Mohammed. E o que faz este higienizador ser “halal” é que ele não contém álcool. Esta maravilha ainda é 100% orgânica, eco-friendly, mata 99,9% das bactérias (pois, é) e tem nanotecnologia (não pergunte).

O detalhe é que em nenhum ponto do Alcorão é dito que muçulmanos não podem lavar as mãos com álcool. Diz:

Ó vós que credes! O vinho e o jogo de azar e as pedras levantadas com nome dos ídolos e as varinhas da sorte não são senão abominação: ações de Satã. Então, evitai-as na esperança de serdes bem-aventurados.

Sagrado Alcorão 5:90

Ou seja, cerveja pode. Vodka pode. Vinho… não é que não pode. Ele fala para evitar. Acho que um cálice de vinho do Porto não faria mal, mas se é pra evitar, evita. SÓ QUE é específico para o vinho. Se fosse para ser álcool, Allah, o Exaltado teria sido mais abrangente, não? E é pra não beber. Se quiser lavar as mãos pode. Não tenho culpa se Allah foi bem restrito nisso.

Sukhbir ainda denunciou o preço caríssimo desses higienizadores: 8 dólares, com preço muito mais alto do que deveriam. Sim, pode rirque eu deixo, mas calma que o melhor vem agora: Sukhbir poderia ter noticiado apenas isso, mas resolveu rechear com “informação”, o que gerou o maravilhoso parágrafo:

Naturally, some Malaysians are unhappy that these merchants are using fears of COVID-19 and sinning as a means to profit. Plus, alcohol-based hand sanitizers are 60 to 95 percent more successful in killing germs compared to just ethanol alcohol.

Naturalmente, alguns malaios estão descontentes com o fato que esses comerciantes estarem usando o medo do COVID-19 e pecado como um meio de lucrar. Além disso, os higienizadores para as mãos à base de álcool têm de 60 a 95% mais sucesso em matar germes do que apenas o álcool etílico (ele não escreveu “ethyl alcohol”).

Primeiro, que a eficácia começa em 70% e não 60. Segundo, esta mula que faz cartoons não sabe que “álcool” é uma classe de substâncias (chamamos de “função”), e que etanol É álcool. Ou seja, o higienizador tem álcool, mas não tem “álcool”, embora eu não tenha visto isso no rótulo, só a parte de “nanotecnologia”, seja lá o que esta porcaria significa.


Fonte desta imbecilidade com mais imbecilidade escrita: Mashable via @cardoso, que adora compartilhar estas insânias comigo

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