Mão molhada? Robô que sua? Pois é! Ciência é maneira, né?

A todo momento, surgem novas e melhores próteses. Desde aquelas muito maneiríssimas, praticamente lhe transformando num T-800, até aquelas impressas com pRástico, baratinhas e até boas pelo preço que se paga, que normalmente é uma merreca, provavelmente chegando no Brasil custando um braço.

Ainda assim, as próteses têm um pequeno inconveniente: elas esquentam, já que a parte na qual estão presas não permite perder calor sob a forma de transpiração. Daí o que se faz? Isso mesmo! Uma prótese que “sua” (ok, ela não sua, mas vai assim mesmo, já que você vai continuar lendo de qualquer forma. Não vai?)

O dr. Thomas Wallin não é bem uma Susan Calvin, já que ele não fica de lero-lero com robôs. Ele nem projeta robôs! Ele trabalha com Ciência de Materiais na Universidade Cornell e como pesquisador do Facebook Reality Labs.

Sim, Facebook. Ele desenvolve tecnologias Pro Zucka.

Tom se debruçou num problema: como fazer para uma prótese não esquentar demais? A resposta seria um sistema de refrigeração. Qual sistema de refrigeração? Boa pergunta! Tem boa resposta? Acho que temos: transpiração!

Sim, gente. Praticamente, uma prótese que “sua”, mesmo sendo de outra pessoa. Isso soa bem, não soa?

E se você pensa que isso seria apenas para próteses, já adianto que isso tem grandes aplicações em outros ramos, já que a Segunda Lei da Termodinâmica faz o favor de todo sistema energético não ser perfeito, normalmente perdendo calor, uma forma desorganizada de energia e pouco aproveitável. Em outras palavras, os motores de um robô vão esquentar e é preciso desenvolver uma forma de refrigerá-lo.

Thomas foi procurar quais materiais seriam próprios, para depois mandar pro líder do projeto, que será quem efetivamente terá o nome escrito primeiro no artigo. No caso, o líder é o dr. Rob Shepherd, que tem seu próprio laboratório na própria Cornell. O material escolhido foram hidrogéis e sistemas poliméricos… e água!

Nanopolímeros foram empregados na feitura de impressão 3D, usando uma técnica chamada “estereolitografia de materiais múltiplos”. Esta técnica emprega luz para curar, isto é, solidificar resinas com formas predefinidas no projeto e passadas para a impressora mediante software. Com isso, os pesquisadores conseguiram criar um músculo robótico que pode regular sua temperatura através da transpiração mediante o fluxo de fluidos a serem dispersos. Quais fluidos? Água captada da atmosfera. Entra água, perde água.

A água é retida pelos hidrogéis, que ficará disponível para quando se quiser perder esta água. Nisso, polímeros como a poli-N-isopropilacrilamida reage a temperaturas acima de 30 ºC , passando a um processo de encolhimento, comprimindo a água em uma camada superior de poliacrilamida que é perfurada com poros do tamanho de milionésimos de um metro. Esses poros são sensíveis à mesma faixa de temperatura e se dilatam automaticamente para liberar o “suor”, depois fecham quando a temperatura cai abaixo de 30 ºC.

Nesse processo de evaporação, a água reduz a temperatura da superfície do atuador para cerca de 21 ºC em 30 segundos, um processo de resfriamento aproximadamente três vezes mais eficiente do que em humanos!

Tá… eu sei… não tá pronto ainda…. quem sabe… um dia…. vai saber… Mas toda pesquisa que rendeu frutos começou assim. Enquanto ela não sai no mercado, que tal ler o artigo publicado no periódico Science Robotics?

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