Pesquisa demonstra ligação do uso de maconha com casos de câncer. Thank you, Darwin!

A todo momento, imprensa corre para noticiar novas maravilhas dos “medicamentos à base de maconha”, que não necessariamente é da Canabis sativa, e sim outras espécies, daquelas sem altas concentrações de tetrahidrocanabinol, também conhecido como THC (a molécula que deixa doidão), de preferência focando em substâncias específicas, como as do grupo canabdiol. Não, fumar o jererê não lhe fará mais saudável, e agora vem aquela pesquisa que vão esbravejar dizendo que é financiada pela Big Pharma (a Big Pharma que pesquisa os canabdióis, tão amados pelo pessoal que odeia a Big Pharma).

Uma recente pesquisa identificou o mecanismo molecular ativado pela presença de THC na corrente sanguínea que acelera o crescimento do câncer e HPV.

O dr. Joseph A. Califano III é professor e vice-chefe da Divisão de Otorrinolaringologia do Departamento de Cirurgia da Faculdade de Medicina da Universidade da Califórnia San Diego e diretor do Centro Moores de Câncer (não, Moores não era cavaleiro do zodíaco). Sim, Califano é especialista em pescoço e o que tem em cima, e sua pesquisa aponta a relação entre câncer de cabeça e pescoço com o HPV, o papiloma vírus humano.

Câncer de cabeça e de pescoço são facilmente identificados onde atacam só pelo nome, mas nem tanto por onde começam. Normalmente, a maioria dos cânceres de cabeça e pescoço se inicia nas células escamosas que revestem as superfícies úmidas da região, por exemplo, dentro da boca, do nariz e da garganta. Entendeu por que um otorrinolaringologista se debruça sobre isso? Pois, é!

Os tumores de cabeça e pescoço também podem começar nas glândulas salivares, mas estes já não são tão comuns assim. Pelo contrário! São raros. As glândulas salivares contêm muitos tipos de células que podem tornar-se cancerosas, já que podemos (muito simplistamente) definir o câncer como um monte de células piradas que agem feito loucas e insaciáveis. Como as glândulas salivares têm diferentes tipos de células, a tendência é que cada uma desenvolva uma célula cancerígena diferente das demais. Isso não é nada legal, pois para cada tipo de célula cancerosa, há um tratamento próprio. Ninguém quer destruir células saudáveis, não é mesmo?

Esses cânceres começam nas células que revestem as membranas mucosas dentro da boca, nariz e garganta. Aproximadamente 30% dos casos desta doença estão relacionados à infecção pelo HPV, e são esses casos, em particular, que estão em ascensão. Califano sugeriu que o aumento do uso de maconha pode ser um fator determinante.

Os sintomas típicos dos tumores de cabeça e pescoço incluem aparecimento de nódulos, feridas que não cicatrizam, dor de garganta que não melhora, dificuldade para engolir e alteração ou rouquidão na voz. Sim, é parecido com um resfriado, mas é melhor você se precaver n caso de persistência. Ainda mais que 30% dos casos destes tipos de câncer estão relacionados à infecção pelo HPV, cuja incidência não para de crescer.

Sim, isso mesmo! Você está rouco? Pode estar com uma ocorrência de câncer na cabeça ou pescoço, e isso está ligado ao HPV também, pois desgraça pouca é fromage ou algo assim. Achou ruim? Pois piora!

A pesquisa de Califano estuda como a presença de THC na corrente sanguínea ativa a via MAP38 p38, que controla a morte celular programada chamada apoptose. Quando ativado, o p38 MAPK impede a ocorrência de apoptose, permitindo que as células cancerígenas cresçam incontrolavelmente, fazendo de tudo para mandar seu dono pra vala.

Mas…

Significa que, se você fica metendo o focinho na maconha, você ainda poderá desenvolver câncer, já que tudo começa nos tecidos no interior da boca. E termina mandando não só seus neurônios pro saco (que nunca foram lá grande coisa para você ficar puxando fumo), mas outras células também. Você fica doidão e suas células mais ainda; e eu já disse o que acontece quando duas células começam a agir feito malucas, se reproduzindo de forma incontrolada, gerando cópias mal-feitas.

A equipe do dr. Califano analisou amostras de sangue de pacientes com câncer de garganta relacionado ao HPV que tiveram seus genomas mapeados de forma abrangente para definir as vias gênicas ativadas. Semelhante às linhas celulares, as amostras de sangue mostraram ativação de p38 MAPK e perda de apoptose em tumores de pacientes com THC no sangue. Mas isso é só ciência. Larga maioria vai é ficar dando ouvido a cantor de funk maconheiro dizendo que uma erva natural não pode te prejudicar. Não sei por que quem pensa assim não mastiga urtiga ou limpa a bunda com cactos.

Você quer saber mais, né? Claro que quer. Nem que seja para saber se corre algum risco (não ponho a minha mão no fogo por você). Aproveita que foi publicada no periódico Clinical Cancer Research

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