Pesquisa não diz que envelhecimento prejudica idosos, mas diga isso para a universidade

Assessoria de imprensa é uma coisa triste em todos os lugares, mesmo em universidades e órgãos não-governamentais. A gente vai ler uma informação e dá de cara como algo que envelhecimento afeta a saúde de pessoas mais velhas, e em outro lado dizendo que isso é preconceito. Eu fico confuso.

Por sorte, a pesquisa não é esta insânia; trata-se de uma revisão sistemática do impacto do envelhecimento, o qual, segundo a pesquisa, influencia na saúde das pessoas com um impacto que vem sendo subestimado.

A drª Becca Levy é professora de Epidemiologia na Escola de Saúde Pública da Faculdade de Medicina da Universidade Yale, além de atuar como professora de Psicologiana mesma instituição. A pesquisa da drª Levy explora fatores psicossociais que influenciam o funcionamento cognitivo e físico dos idosos, bem como sua longevidade e de que maneira os estereótipos positivos e negativos da idade, assimilados pela cultura, podem ter efeitos benéficos e adversos na saúde das pessoas mais velhas.

Sua pesquisa analisou, por meio de revisão sistemática de 422 estudos em todo o mundo, evidências dos efeitos adversos do envelhecimento nas pessoas idosas. Bem, foi isso que veio no press release da YALE, mas isso deu a entender que envelhecer prejudica pessoas velhas. Tipo, çaporra não faz um puto de sentido! É o mesmo que dizer que grandes quantidades de água que entram pelas vias respiratórias podem prejudicar pessoas afogadas.

A revisão levou em conta como o acesso a cuidados de saúde é mais importante ainda para pessoas idosas, o que pode ser um belo vislumbre do óbvio, mas apesar de ser óbvio não estava com dados precisos. Dados precisos são importantes na hora de se tomar decisões precisas.

O estudo apontou que os efeitos do envelhecimento levaram a piores resultados em várias condições de saúde mental, incluindo depressão, e várias condições de saúde física, incluindo menor expectativa de vida.

Quer dizer que quanto mais se vive, menos tempo de vida se tem?

Sim e não. O que a pesquisa quis dizer é que apesar de nossa expectativa de vida ter aumentado ano após ano, temos que prestar atenção em outros problemas que estão surgindo exatamente por causa disso. Antes, não tínhamos altos casos de mal de Alzheimer, mas isso porque as pessoas não viviam muito até que os neurônios começassem a dar pau (isso não está na pesquisa com essas palavras, mas você entendeu!)

Essa revisão sistemática também constatou que pouco importa sua etnia ou gênero. Na pesquisa foram estudadas mais de 7 milhões de pessoas, sendo a revisão mais abrangente das consequências do envelhecimento para a saúde até o momento, demonstrando que o impacto do envelhecimento na saúde das pessoas idosas vem ocorrendo simultaneamente no nível estrutural e individual nos cinco continentes, evidenciando que, quando a idade chegar, você estará ferrado da mesma maneira que qualquer um em quaisquer países. A dica então é: cuide dos seus idosos. Você gostará de ser bem tratado quando você chegar lá, ainda mais que os prognósticos dizem que, por volta de 2050, o número de pessoas acima de 60 anos baterá os 2 bilhões de pessoas.

A pesquisa foi publicada na Plos One, logo, está disponível com acesso aberto. Have fun!

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