Pesquisa aponta que corais longe de pessoas são mais felizes

Corais são mais que seres vivos. São um bioma inteiro. Eles apresentam uma imensa biodiversidade, com plantas, animais e micro-organismos de um imenso universo entre espécies vivendo em equilíbrio. Para se ter uma ideia, cerca de 1/4 de todas as espécies de peixes das águas marinhas dependem dos recifes de corais para sobreviver, já que eles fornecem abrigo e alimento para diferentes seres vivos, além de funcionar como um grande filtro da água do mar. Acompanhar a saúde dos corais é acompanhar a saúde dos oceanos,

Sabendo disso, pesquisadores de diferentes instituições de pesquisa compararam a água do mar de 25 recifes em Cuba e nas Florida Keys, nos EUA, variando em impacto e proteção humanos e descobriram que aqueles com maior diversidade microbiana e menores atividades humanas próximas eram marcadamente mais saudáveis. Não que soe alguma novidade, mas é sempre bom ter certeza.

A drª Patricia González-Díaz é pesquisadora do Centro de Pesquisas Marinhas da Universidade de Havana. Não, ela não faz charutos para contrabandear (se faz, ninguém ficou sabendo). Junto com o Instituto Oceanográfico Woods Hole – uma instituição privada de pesquisa e ensino superior sem fins lucrativos –Drª Patty estuda como impactos humanos levam a mudanças na estrutura dos recifes de coral. Que acontece, todo mundo sabe. Mas o que acontece quando acontece? Melhor ainda, quais são todos os passos desse impacto?

Patricia e seus colaboradores coletaram amostras de água do mar de locais como o Jardines de la Reina (os Jardins da Rainha), a maior área protegida do Caribe, e um ecossistema complexo (mesmo para padrões de recifes de corais) de pequenas ilhas, florestas de mangue e recifes de coral localizados a cerca de 80 km da costa sul de Cuba. Lá, os pesquisadores mediram os nutrientes, além de um conjunto de parâmetros que oferecem informações sobre a comunidade microbiana. Eles descobriram uma diferença notável entre os recifes offshore fortemente protegidos em Cuba e os mais próximos da costa em Florida Keys.

Como aquela região não possui grande contato com ações humanas, como dejetos industriais ou residenciais, contaminações por uso de defensivos agrícolas ou outros tipos de poluição, os corais mostram-se muito mais saudáveis que a região de Los Canarreos, profundamente afetado por causa da pesca de subsistência e a ilegal, mesmo. O lugar recebe muito turismo e há uma bela duma indústria de mergulho. Nesse local, havia maior concentração de carbono oriundo de decomposição de material orgânico, além de nitrogênio em quantidades colossais, evidenciando contato com esgoto.

As análises de Patrícia e os demais pesquisadores mostram como os recifes de coral do Caribe passaram por mudanças drásticas nos últimos 35 anos. Os impactos coletivos das mudanças climáticas, da pesca excessiva e do desenvolvimento costeiro causaram mudanças no funcionamento e na transferência de energia nos ecossistemas dos recifes de coral e essas mudanças foram documentadas no nível dos macro-organismos.

Enquanto isso, as regiões pouco visitadas pelo turismo e ação industrial quase não sofreram alterações significativas. Vamos expulsar todo mundo das regiões mais afetadas? Óbvio que não vai acontecer, mas, pelo menos, se sabe o que está causando as alterações e quais alterações estão ocorrendo. Quando ficar bem pior, quem sabe não começam a tomar alguma atitude?

O que eu sinceramente duvido.

A pesquisa completa pode ser lida no periódico Environmental Microbiology

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