As proteínas escondidas num dentão de mais de milhão de anos

Estudar bicho de hoje é legal, mas maneiro mesmo é estudar animais antigos, como rinocerontes e yo momma. Infelizmente, yo momma não estava a fim, então, foram examinar osso de rinoceronte morto há cerca de 1,7 milhão de anos. De posse disso, cientistas conseguiram extrair a informação genética , e, claro, já tem maluco achando que vai dar para trazer de volta espécies há muito extintas. O que poderia dar errado?

O dr. Enrico Cappellini é professor de Genômica Evolucionária e especialista em paleoproteômica do Globe Institute, na Universidade de Copenhague. Ele gosta de coisa velha, mas não a ponto de ser o terror das vovós (acho!). Junto com outros pesquisadores, Cappelini identificou um conjunto quase completo de proteínas no esmalte dental do antigo rinoceronte, encontrado em Dmanisi, na Geórgia (o país, e não o estado americano).

As proteínas encontradas fazem parte de um conjunto chamado “proteoma”, proteínas produzidas por uma célula ou tecido. Não, elas não são o DNA, nem poderiam ser. Possuem estrutura muito mais simples (em comparação com o DNA, claro), mas guardam na sua estrutura molecular o que elas são capazes de fazer. Ah, sim, não dá pra dizer que as proteínas encontradas estavam perfeitinhas. Não estavam e ninguém seria estúpido de dizer isso (jornais seriam).

O esmalte dental, de onde essas proteínas foram retiradas, mostram o quanto essas estruturas são extremamente fortes e resistentes, pois não é qualquer tecido que se fossiliza, e o fóssil não é exatamente o osso, mas sim sais que entram no que era a outrora rede cristalina óssea, substituindo o fosfato de cálcio por outros tipos de materiais minerais. É um processo demorado e nem sempre dá certo, pois isso que os fósseis que temos são muito valiosos pára a ciência.

Por ser absurdamente durável, o esmalte acarreta que a maior partes dos fósseis em bom estado sejam exatamente de dentes, como o desse rinoceronte aí. Tão resistente que foi responsável por se conseguir recuperar informações genéticas antigas, ainda que o DNA tenha se perdido. Então, graças à tecnologia de espectrometria de massa, Cappelini e seu pessoal escanearam o dente encontrado para verem se podiam encontrar alguma proteína. Bem, encontraram.

Na análise de proteínas encontradas no esmalte dental de um Stephanorhinus com aproximadamente 1,77 milhão de anos de idade, os pesquisadores abordaram as relações filogenéticas dos rinocerotídeos da Eurásia do período Pleistoceno. As análises filogenéticas moleculares colocam esse Stephanorhinus como um grupo irmão do clado formado pelo rinoceronte lanoso (Coelodonta antiquitatis) e pelo rinoceronte da Merck (Stephanorhinus kirchbergensis).

A abordagem também forneceu informações adicionais sobre o sexo e a atribuição taxonômica de outras amostras encontradas no sítio de Dmanisi, e como o fóssil é um milhão de anos mais antiga que o DNA mais antigo já sequenciado (a saber, um cavalo de 700.000 anos) pegando para si o recorde.

A pesquisa foi publicada no periódico Nature. Sim, com paywall. Problema teu! Mete num Sci-Hub da vida e divirta-se!

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