Pesquisa critica que super-herois não têm corpos de humanos normais. YOU DON’T SAY!

Pesquisadores tem que entregar seus trabalhos e publicações em determinados prazos. Eles não podem deixar de publicar, seguindo a receitinha “publish or perish” (publique ou se foda, em tradução totalmente livre e sem noção). Daí, sempre voltam à receitinha de tentar dar algum sentido científico em programas de TV, filmes blockbuster ou histórias em quadrinhos. Como a onda da vez é Vingadores Ultimato, pesquisadores da Universidade Binghamton concluíram que heróis como o Capitão América são obesos.

Sim, pois é. Ah, e antes que eu me esqueça, este artigo terá spoilers de Vingadores Ultimato. Estão com sorte que eu avisei, já que este filme já tem quase um mês de lançado e nem estou contando com a pré-estréia.

A drª Rebecca Burch é professora de Desenvolvimento Humano da Universidade Estadual de Nova York em Oswego. Ela assinou a pesquisa, mas quem fez o trabalho foi Laura Johnsen da Universidade Binghamton.

As duas JÊNEAS levaram em conta o IMC, o índice de massa corporal para atestar que personagens de quadrinhos não têm um IMC saudável ou proporções corporais realistas. O cálculo do IMC leva em conta sua altura e massa ou, matematicamente

IMC =frac{Massa}{Altura^{2}};

De acordo com o Marvel Database, Steve Rogers tem 6 pés e 2 polegadas ou, em medidas de gente, 1,83 m. Sua massa é de 100 kg. Sendo assim, seu IMC seria de 29,86. Ou seja, ele estaria com sobrepeso. Sim, o Capitão América é gordinho. Vamos dar uma olhada nele:

Eu não vou usar o exemplo do MCU, já que a crítica é a respeito dos quadrinhos, mas alguém pode dizer a esta… pesquisadora a diferença entre ser um super-soldado que é só músculos e o tiozinho que fica no boteco tomando umas cervejas? Agora, se ela pegou uma das revistas com as maravilhosas artes do Rob Liefeld, um gênio gráfico de nossa era…


DSCLP!

A incrível pesquisa de Johnsen descobriu que nos quadrinhos, os super-heróis do sexo masculino eram em média obesos, enquanto as heroínas estavam abaixo do peso normal. Com certeza, ela não conhece aquele lixo de quadrinhos da Faith, com a personagem gordinha que veio quebrar os parâmetros de beleza e lutar contra a imposição de uma normatização corporal feminina enquanto pega caras saradões.


Se o Caps tem IMC de sobre-peso, esta aliá é o que?

As duas pesquisadoras levaram ainda em conta que atributos masculinos e femininos eram ressaltados, como queixão másculo e curvas. Afinal, isso é uma pouca vergonha. Essa mania moderna de padronizar elevadas. Vejamos este basso relevo do Parthenon, esculpido pelo gênio Phidias

Deu pra perceber a pose heróica, os movimentos perfeitos do cavalo e do cavaleiro, seus músculos bem definidos? SURPRESAAAAAAA!!! Gregos não eram assim. Querem outro exemplo? Aqui uma escultura de Alexandre da Macedônia. Antes de contemplar o Conquistador-Deus, devemos lembrar que ele era baixinho e meio gordinho, como crônicas da época, não este super-herói que poderia seria contratado por Nick Fury.


Enfia a Iniciativa Vingadores na bunda.
Eu mando no mundo, seu caolho otário!

Continuando a “pesquisa”, temos esta incrível observação, digna de poucas mentes brilhantes:

As principais descobertas foram que os personagens de histórias em quadrinhos são uma expressão de estímulos supernormais e têm uma morfologia corporal que está além do que os humanos são capazes de ter. Para personagens masculinos e femininos, existem certas características associadas à masculinidade e à feminilidade; para os homens, isso tende a ser ombros largos e cintura estreita, e para as mulheres, uma pequena relação cintura-quadril e um busto maior.

NÃO ME DIGA!

Então quer dizer que super-heróis de quadrinhos têm características sobre-humanas?

Essas são características que os humanos tendem a achar atraentes, mas para os personagens de quadrinhos, os artistas assumem essas características e as tornam super-exageradas.

A millenial não entende que a linguagem dos quadrinhos não estão apenas contando uma história. Estão brincando com os leitores. Os artistas sexualizam os personagens, tanto masculinos quanto femininos. Não só é de propósito, como ainda colocam o Batman, expert das estratégias, mostrando que tem um plano até com relação a moleques de 13 anos que precisam ficar fora do caminho.

E antes que vocês falem algo, aqui temos o Êxtase de Santa Teresa. E ela não está ali com essa cara porque “Hosanas, Ora Vem Jesus!”

Querem mais? Aqui uma representação de Cleópatra:


Algumas moedas discordam dessa beleza toda.

As pesquisadoidas chegaram à conclusão pesarosa que não é possível ter corpo de super-herói ou super-heroínas na base da dieta e exercícios. Mas eu tenho a solução!

  • Vá numa usina nuclear e tome um banho de radiação gama
  • Tome transfusão de sangue de alguém que foi numa usina nuclear e tomou um banho de radiação gama
  • Nasça em outro planeta
  • Jogue um monte de substâncias químicas pouco antes de um raio cair em você
  • Seja uma integrante de uma sociedade de mulheres guerreiras imortais
  • Se não conseguir o anterior, tente ser um garoto rico com problemas. Muitos problemas.
  • Seja cobaia de um experimento do exército.
  • Nasça com uma mutação genética (ou você dispara feixes de laser pelos olhos ou vai ter 6 dedos. Difícil prever. Ah, e pode ter câncer)
  • Seja picado por uma aranha radioativa
  • Acredite em magia e grite a palavra mágica
  • Estude bastante para ser um gênio, playboy, bilionário e filantropo
  • Se forme numa escola de assassinos da KGB

As pessoas leem quadrinhos por causa de muitas coisas. Não tanto pelas formas dos corpos (ok, também, mas não apenas isso), mas pelas aventuras épicas e pelos aprendizados. Claro, quem nunca leu uma página de uma HQ dirá que são coisas infantis e que hoje as histórias estão mais complexas. Bem, Lois Lane já discutiu racismo, o mesmo racismo que foi apresentado sob a forma de metáfora dos X-Men, mas millenials lacradores são impermeáveis a ferramentas de narrativa altamente complexas como… metáforas. O Super-Homem é o arquétipo, é Jesus encarnado. O Batman é uma figura atormentada. O Capitão América é um ideal a ser cultivado.

Eu disse uma vez que heróis não são para se espelhar em nós. Nós é que temos que nos espelharmos neles. Quando o Capitão América nos diz que não importa se os políticos, a imprensa e todo o mundo disser que uma coisa é certa, mesmo estando errada, nos mandando sair da frente. Nossa missão é ficarmos em pé, firmes como uma árvore, ao lado do rio da verdade e dizemos “Não, vocês saiam!”.

O Super-Homem morrendo de envenenamento tira seus últimos momentos para salvar o máximo de pessoas que conseguir, entre elas uma menina suicida. Isso, na história, mas ele salvou uma pessoa no chamado “mundo real”.

Aliás, suicidas parecem ser a especialidade do Homem de Aço. Não por ele ser o Super-Homem, mas por ter uma forma de encarar a vida e nos mostrar que podemos muito mais.

Os quadrinhos nos ensinam que mesmo os piores vilões podem ser justos e apresentar seus respeitos ao seu adversário por ser valoroso.

Os quadrinhos deixaram de ser coisas de crianças há séculos. Mas se você só cata quadrinhos só para ficar criticando que o herói é forte e a heroína é gostosa, porque é absurdamente incompetente para buscar uma pesquisa de verdade, sério, você tem problemas e a Academia tem mais problemas ainda.

A pseudopesquisa foi publicada no periódico Evolutionary Behavioral Sciences.

Ah, ia me esquecendo. Não tinha spoiler do filme Ultimato. Então, tomem o Thor Gordão!

Deixe um comentário, mas lembre-se que ele precisa ser aprovado para aparecer.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s