Os segredos genômicos do ET que não era ET

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Em 2003, encontraram um alienígena no Chile. Quer dizer, não era bem um alien, alien. Era um esqueleto de alien. Não, não é que era um esqueleto de alien, alien. Era algo meio que bizarro e não era deste planeta. Mas não é que era algo fora deste planeta propriamente dito. Era algo meio que bizarro. Mas não é que era bizarro, bizarro. Era só algo que a Ciência ia investigar, enquanto ufeiros estavam vociferando que era algo bizarro, fora deste planeta e com certeza era um alien.

Só que era um bebê humano, mesmo. Mal aê!

No inóspito deserto de Atacama, no Chile, uma descoberta deixou meio mundo desconcertado. Era um troço feio pra dedéu. Mais feio do que ter que fazer meu imposto de renda. Num arroubo de inventividade, deram o nome de “Humanóide de Atacama”, mas como era um nome muito grande, abreviaram para “Ata”.


Não este

O esqueletinho era feio (pensa na sua sogra chupando limão. Não é tão feio, mas chega perto), tinha uma cabeça forma cônica, os ossos pareciam ser de uma criança, mas ao invés de ter 12 pares de costelas, só tinha 10. CA-LARO, só podia ter vindo dozotros espaço!

Um bando de espertos aproveitou a existência de um bando de malucos e produziram um pseudo-documentário chamado Sirius. Os ufeiros ficaram felizinhos, pois era um grande avanço na busca por formas de vida extraterrestres.

As pessoas tidas como “sensatas” começaram a duvidar daquilo, o que fez o pessoal alienado por aliens ter ataque de pelanca. Um deles foi o dr. Steven Greer, um traumatologista aposentado e ufologista que fundou o Centro para o Estudo de Inteligência Extraterrestre e do Projeto de Divulgação, que visa a divulgação de informações supostamente suprimidas da existência de OVNI. O problema é que OVNI realmente existe. O próprio nome diz Objetos Voadores Não Identificados. Ora bolas, “não identificado” significa que ninguém sabe o que é. Se você diz que um troço voando é um discão voador, pronto, você já o identificou.

Greer foi quem liderou a feitura do documentário que se baseia em “não sei que esqueleto é esse, logo, é alienígena, logo, tem discos voadores entre nós, logo, o governo nega conhecimento, logo todo mundo mente, logo, ei, você é um alien também!”. .

Não só isso, Greer criticou os críticos que criticaram que o esqueletinho devia ser uma farsa, mas tomografias computadorizadas mostraram claramente os órgãos internos no interior da criatura. Neste ponto, Greer estava certo e isso foi confirmado pelo dr. Garry Nolan, professor de microbiologia e imunologia da Escola de Medicina da Universidade de Stanford. Além disso, as diferenças entre a radiografia de um feto humano normal e o ET Ata eram bem discerníveis.


Dá pra imaginar quem é o feto e quem é o suposto ET Ata, né?

A equipe do dr. Nolan coletou o DNA da medula óssea nas costelas de Ata e o comparou com genomas de humanos e primatas. A análise evidenciou, para desgosto de Greer, que era apenas uma múmia humana do sexo feminino, com uma mistura de ascendência nativa americana e europeia, típica dessa região do Chile. Não apenas isso, a equipe de pesquisadores procurou por pistas genéticas que pudessem explicar a pequena estatura de Ata, as múltiplas anormalidades ósseas e cranianas (a anormalidade na contagem de costelas e idade óssea prematura e uma caixa craniana muito mais longa e maior que um humano) nunca foi visto antes em humanos. Não só isso, ainda foi evidenciado um dente maduro na mandíbula, o que sugeria que o esqueleto era muito mais velho do que aparentava.

Como vocês podem imaginar, a trupe de ufeiros berrando que não é possível, pois havia muitas incongruências. CLARO que só podia ser um ET. Fora com esses cientistas comprados pelo governo estadunidense. O problema é que nenhum deles publicou em periódicos com revisão de pares. Claro mais uma vez que é tudo uma conspiração da Nova Ordem Mundial, comandada por reptilianos.

Infelizmente, para os conspiracionistas, Ciência não se baseia no que se quer acreditar, e sim no que é. Os resultados da análise genética revelaram uma série de mutações em sete genes que, separadamente ou em combinações, contribuem para várias deformidades ósseas, malformações faciais ou nanismo. Algumas dessas mutações, embora encontradas em genes que já são conhecidos por causar doenças, nunca haviam sido associadas ao crescimento ósseo ou a distúrbios do desenvolvimento.

A pesquisa foi publicada no periódico Genome Research, cujo *.pdf você pode ler AQUI.

E se você acha que esses ufeiros são um bando de malucos e esta pesquisa é perda de tempo, eu até concordaria com a primeira parte. Mas o estudo é interessante para o acumulo de conhecimento sobre deformidades e de onde elas vêm. Quem sabe, até ajude na descoberta de um tratamento preventivo e cura? Só que se depender de gente “ain, são aliens. Estamos sendo invadidos”, no máximo… bem, no máximo não conseguiremos nada, mesmo.

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Sobre André Carvalho

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