Pesquisadores registram zumbi do bem devorando sinapses (ok não é bem isso)

Normalmente, as pessoas acham que o cérebro é uma bela massa esponjosa feita majoritariamente de água (no que estão certas) e as células são todas iguais (no que estão completamente erradas). As células da glia, por exemplo, são células não-neuronais do sistema nervoso central. Basicamente, elas proporcionam suporte e nutrição aos neurônios. Estas células são divididas nos seguintes tipos: Macroglia (astrócitos, oligodendrócitos e células de Schwann) e Microglia.

Para fins de presente artigo, ficaremos só com as microglias, essas coisinhas lindas que protegem no cérebro e ajuda a crescer sinapses, tendo sido observadas de uma forma nunca antes na história celular do cérebro.

A drª Laetitia Weinhard é pesquisadora do European Molecular Biology Laboratory. Ela estuda aquelas coisas que você tem na cabeça (se usa é outra história). Seu foco de pesquisa são as lindinhas micróglias e o que Weinhard e sua equipe conseguiu foi capturar imagens da microglia devorando sinapses cerebrais. Algo meio como um filme de terror? Não, porque é para isso mesmo que as microglias servem. Basicamente, são células que possuem corpo celular alongado com muitos prolongamentos curtos e extremamente ramificados e fazem a vigilância ativa do parênquima cerebral e da espinal medula, constituindo as células imunes residentes do Sistema Nervoso Central.

Péra. Como assim?

Como falei antes, as micróglias são macrófagos. Elas primordialmente agem como sistema de defesa do cérebro contra qualquer potencialidade de invasão e infecção. São o primeiro e principal sistema de defesa imunológica ativa do sistema nervoso central. Mas calma. Não é só isso! As microglias ajudam as sinapses a crescer e a se rearranjar, fazendo dela um agente importante no desenvolvimento do cérebro orientando o desenvolvimento saudável do cérebro.

Pesquisadores já tinham proposto que a microglia arrancava fora e devorava as sinapses como um passo essencial na poda das conexões durante o refinamento precoce dos circuitos. Sabe quando jardineiro corta os galhos de uma árvore de forma a redirecionar seu crescimento, se livrando das partes fracas e fazendo valer as mais fortes? É mais ou menos isso que a micróglia faz: um jardineiro de neurônios. Só que ninguém os tinha visto isso acontecer até agora.

Até agora!

Weinhard e seu pessoal conseguiram fabulosas imagens desse processo em ação no cérebro de um rato, com a microglia dando umas dentadas (metáfora, gente!) em algumas sinapses como uma maneira de modo a deixar as mais fortes sem que as mais fracas consumam recursos.

Este trabalho levou cinco anos de desenvolvimento tecnológico, combinando luz correlativa e microscopia eletrônica com microscopia de fluorescência de lâminas de luz. Mas não está concluído. Estas descobertas permitem propor um mecanismo para o papel da microglia na remodelação e evolução dos circuitos cerebrais durante o desenvolvimento e agora é pesquisar o que acontece durante a adolescência e linkar com fatores que geram casos de esquizofrenia e depressão.

A pesquisa foi publicada na Nature. Está lá inteirinha esperando por você.

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