Um estetoscópio no cérebro para saber o que você tem na cabeça

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No tempo da TV ao vivo, era um problema sério. Tudo tinha que ser resolvido na hora. Até mesmo as novelas eram ao vivo. Conta a Glória Menezes que ela tinha que dizer a fala dela olhando para a câmera, e a câmera ia se afastando. Era uma novela de época, e a Glória com aquele vestidão de direito. O problema é que o suporte da câmera engatou na armação do vestidão e à medida que a câmera ia recuando, a Glória Menezes teve que andar junto, ou ia cair no chão. E era AO VIVO! Já o finado ator Jaime Barcelos, durante um Tele Teatro (ao vivo, claro), numa cena que ele tinha que cair, o fez de mau jeito caiu e se machucou, quebrando a perna. Tiveram que retirá-lo de lá imediatamente. Então, pegaram um mané, o vestiram de médico, ele entrou, colocou o estetoscópio na cabeça do Jaime e vaticinou: “ele morreu, senhora”, removendo o ator dali e levando-o pro hospital.

Imagine se realmente desse para ouvir o que você tem dentro da cabeça. Sim, é bizarro o pensamento que podermos ouvir o que se passa lá dentro, mas nem é bem isso… quer dizer, até é, mas não no sentido de ouvir o que você anda pensando (nem queremos nos escandalizar tanto). Pesquisadores estão estudando as potencialidades de um estetoscópio cerebral. Ele não é como um estetoscópio per se, mas sim um algoritmo que traduz a atividade elétrica do cérebro em sons. E esses sons são traduzidos em ondas numa tela de comutador e podemos analisá-las. Mas calma, o artigo ainda não acabou!

O dr. Josef Parvizi é professor de Neurologia e Ciências Neurológicas. Da Faculdade de Medicina da Universidade de Stanford. Sua pesquisa envolve como ele poderia “auscultar” o cérebro. Claro, cérebro não faz barulhos como o seu coração e intestino. Claro, ele não vai colocar um estetoscópio de verdade na cabeça do paciente. Mesmo porque, já inventamos o vídeo tape. O que ele procura fazer é transformar a atividade cerebral, que não passa de impulsos elétricos. Ora, um alto-falante pega corrente elétrica e transforma em som. Isso é devido à intensidade de corrente elétrica, sua frequência e outras peculiaridades inerentes. Já pensou se isso fosse matematizado e escrito um algoritmo para traduzir isso em gráficos de som, como os que aparecem em editores como o Audacity?

Quem mais entende de sons e telas de computador senão um especialista em música computacional? Pois é. Foi por isso que pediram ajuda ao dr. Chris Chafe, o diretor do Centro de Pesquisa Computacional de Música e Acústica. Ambas as equipes desenvolvem um equipamento que pode detectar, de forma confiável, as chamadas “crises silenciosas”. Tratam-se de uma condição neurológica na qual os pacientes têm convulsões epilépticas sem nenhuma das complicações associadas, como as convulsões físicas.

Uma convulsão é um problema neurológico, no qual os pulsos elétricos das ondas cerebrais acabam com um comportamento irregular. Isto é, elas bugam. O cérebro parece que dá curto-circuito. Alguns desses comportamentos irregulares acontecem, mas sem dar aquela convulsão clássica que vemos nos filmes.

Nem tudo é como nos filmes!

Assim, ao passar por exames de rotina, o médico pode usar um aparelhinho que traduzirá o que está acontecendo no cérebro do paciente, podendo identificar na hora se ele está em processo convulsivo, antes de ter a convulsão que pensamos que acontece sempre.

No atual método, o paciente é preparado, vai para a sala de exame, o médico prepara o paciente, faz as leituras cerebrais e isso demora muito tempo. Tempo que nem sempre os médicos dispõem em excesso. Sim, claro que temos vídeo!

Com o sistema desenvolvido pelas equipes de Parvizi e Chafe, mesmo sem nenhum treinamento no diagnóstico de epilepsia, estudantes de medicina e enfermeiros foram capazes de diagnosticar convulsões e eventos semelhantes a convulsões de ondas cerebrais normais. Isso ajuda a mover médicos para maior atenção ao paciente, já com melhor preparação do que farão em seguida. Excelente, não?

Pois mais excelente é saber que a pesquisa foi publicada no periódico Epilepsia e está lá aberto, esperando para você ler.

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Sobre André Carvalho

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