Seu cérebro também vai à academia (mesmo que você não vá)

A Ciência tem uma vocação irritante para revelar que aquilo que fazemos de forma preguiçosa e automática é, na verdade, um mecanismo fisiológico de alta sofisticação. Respirar, dormir, caminhar até a geladeira às duas da manhã: tudo, aparentemente, é mais complexo e mais milagroso do que a mediocridade cotidiana faria supor. O mais recente capítulo dessa série constrangedora vem de pesquisadores da Penn State, os quais descobriram que o simples ato de contrair os músculos abdominais provoca um suave balanço do cérebro dentro do crânio, e que esse balançar minúsculo ajuda a limpar o órgão de resíduos metabólicos. Sim: seu cérebro é uma esponja suja, e o movimento é a torneira. A metáfora não é minha; é dos próprios cientistas. Aplausos pela honestidade. Continuar lendo “Seu cérebro também vai à academia (mesmo que você não vá)”

19 Hz: A Frequência dos Fantasmas

Vamos começar com uma pergunta que separa adultos funcionais de futuros caçadores de fantasmas de YouTube: o que é mais assustador, encontrar uma entidade do além ou descobrir que você passou anos sendo aterrorizado por um ventilador? Se a segunda opção parece mais perturbadora, parabéns, você já está no estado mental ideal para entender como o medo pode ser causado por coisas banais. Até mesmo visões de “entidades” nem sempre tem a ver com a existência de fantasmas ou estados de consciência induzidos por drogas. às vezes, um simples ventilador é o suficiente. Continuar lendo “19 Hz: A Frequência dos Fantasmas”

Pesquisadores criam IA que estuda ressonância de cérebro e diagnóstico não faz feio

A ressonância magnética do cérebro é uma experiência peculiar. Você se deita numa máquina claustrofóbica que parece ter sido projetada por alguém que perdeu uma aposta, passa meia hora ouvindo barulhos que variam entre britadeira industrial e show de música experimental finlandesa, e então sai de lá para esperar. E esperar. E esperar um pouco mais. Dias, às vezes semanas, até que algum radiologista sobrecarregado consiga sentar-se, analisar suas imagens, fazer muxoxo ao descobrir o que você tem na cabeça e emitir um laudo.

Todo mundo (vai, confessa que você também faz isso!) atualmente tá mandando pro ChatGPT analisar, e segundo minhas experiências, tem acertado muito bem… ou, se errou, o médico também errou, porque um confirma o que o outro diz. Continuar lendo “Pesquisadores criam IA que estuda ressonância de cérebro e diagnóstico não faz feio”

O chumbo que moldou nossos cérebros

Imagine descobrir que você ganhou uma loteria evolutiva há milhares de anos, e o prêmio foi uma mutação genética que te protege de envenenamento por chumbo enquanto seus primos distantes (os Neandertais, mas eu não precisava dizer, né?) não tiveram a mesma sorte. Agora imagine que essa mutação aparentemente banal pode ser a razão pela qual você está aqui lendo este texto em vez de extinto há 40 mil anos. Bem-vindo ao mais recente plot twist da Evolução Humana, cortesia de um estudo internacional que está reescrevendo nossa compreensão sobre o que nos tornou… bem, nós. Continuar lendo “O chumbo que moldou nossos cérebros”

A mutação que nos deu cérebros maiores e também um câncer mais esperto

Você já deve ter ouvido aquela história de que, na Evolução, sempre há um preço a pagar. Tipo: ganhamos polegares opositores, mas perdemos a habilidade de viver pelados em temperaturas abaixo de 10 °C. Agora, um grupo de cientistas da Universidade da Califórnia, em Davis, descobriu um novo “custo evolutivo” pra nossa conta: uma mutação genética que pode ter ajudado nosso cérebro a crescer, mas que, de brinde, deixou o câncer mais esperto que nosso sistema imune.

A vilã da vez? Uma proteína com nome de chef medieval: Fas Ligand, ou simplesmente FasL. Continuar lendo “A mutação que nos deu cérebros maiores e também um câncer mais esperto”

Quando sequestraram o cérebro de Albert Einstein

O Professor estava em seu trabalho, absorto com números, equações e as complexidades do Universo. Em seu âmago, o Professor travava uma luta contra si mesmo, apesar de estar alheio a essa guerra. Uma guerra que ele iria perder, mesmo tendo ajudado a vencer outra guerra há anos jogada no passado. De repente, em meio a uma lancinante dor, o Professor cai prostrado, e então o mínimo de consciência do que estava ocorrendo passou pelo seu prestigiado cérebro, mas essa informação não durou muito tempo por lá, já que ele caiu na inconsciência.

O professor foi levado correndo ao hospital e lá exalou seu último suspiro; entretanto, sua história não acabaria ali, pois outros cientistas resolveram que era demais perder a oportunidade de aprender mais, embora a ética soasse como algo mais sendo uma barreira do que uma norma. Assim, mãos pecaminosas fizeram um trabalho medonho e o que jamais deveria ter sido feito acabou sendo feito. Continuar lendo “Quando sequestraram o cérebro de Albert Einstein”

A música pode mudar a forma como você se lembra de vivências passadas

Por Yiren Ren
Pesquisadora Adjunta em Ciência Cognitiva do Cérebro
Georgia Institute of Technology

Você já percebeu como determinadas músicas podem trazer de volta uma enxurrada de memórias? Talvez seja a melodia que estava tocando durante sua primeira dança, o hino de uma viagem incrível ou outro momento. As pessoas, geralmente, pensam nessas memórias musicais como instantâneos fixos do passado. Mas, pesquisas recentes que minha equipe e eu publicamos sugerem que a música pode fazer mais do que apenas desencadear cenas vividas – ela pode até mudar como você se lembra delas. Continuar lendo “A música pode mudar a forma como você se lembra de vivências passadas”

Ciência faz das suas e homem volta a falar

Imagine um mundo onde pessoas que perderam a capacidade de falar devido a doenças neurológicas possam se comunicar novamente, apenas com o poder do pensamento. Imagine que a Ciência da Computação pudesse resolver isso. Imagine que aqueles que sofrem de Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) pudessem se comunicar com seus familiares diretamente mais uma vez.

Parece ficção científica, mas já é a realidade. Pesquisadores da UC Davis Health estão trazendo pessoas do silêncio à vida, uma vida de comunicação, de forma que as pessoas possam se sentir pessoas de novo. Continuar lendo “Ciência faz das suas e homem volta a falar”

Posso colocar mais um dedinho?

Mamíferos estão por cima da carne seca evolutiva graças ao seu cérebro evoluído. Os primatas, então, ruleiam, ainda mais os que adquiriram polegares opositores, o tipo de maravilha evolutiva surgida há 2 milhões de anos e que fez enorme diferença. Será que nossa engenhosidade pode fazer melhor? Claro que sim. Que tal OUTRO polegar?

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Pesquisadores criam microscópio turbinado para fuçar sua tomada de decisões

Tomar decisões não é algo fácil. Mesmo na parte que nos não estamos ligados do tipo: que diabos acontece quando decidimos por algo? Nossas decisões, desde escolher qual pé iremos usar para dar o primeiro passo até escolher o momento de esmagar os nossos inimigos envolvem cálculos realizados por redes de neurônios que abrangem nosso cérebro.

Tá, ok. Beleuza! Mas o que exatamente essas redes neurais estão computando?

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