Pesquisadores querem trazer mamutes de volta à vida

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Eu aprendi muitas coisas com Jurassic Park. A primeira delas é que pessoal de Exatas sempre tem razão, ainda mais quando o Matemático-Mosca falou que trazer espécies extintas de volta à vida pode não ser lá uma boa ideia. Deve ser por isso que quando vejo a notícia de cientistas querendo clonar espécies que já foram para vala evolutiva porque… bem, a única explicação aceitável é que, sei lá, seria muito maneiro?

George Church é daqueles caras que gostam de estar em tudo que é canto na mídia. Suas pesquisas no seu laboratório da Universidade de Harvard são respeitadas, e podem falar o que quiser dele, menos que é incompetente. Também não podem falar que ele não é um sacana de marca maior.

Há alguns anos, Church estava revisando um artigo científico para a revista Science. Os autores do referido artigo fizeram algo legal: codificaram seus nomes e uma série de citações famosas em um genoma bacteriano. Se você levar em consideração que nosso sistema numérico tem 10 algarismos, que se combinam formando números (o sistema decimal), podemos convertê-los em um sistema numérico que tenha apenas dois algarismos (sistema binário). O código genético se baseia em 4 “algarismos”, as unidades básicas, que são a adenina, timina, guanina e citosina (A, T, G e C), que se combinam de diferentes maneiras para formar o código genético.

O que os pesquisadores fizeram foi usar seus nomes traduzidos em “linguagem genética” e implantaram numa bactéria. Por que? Para saber se era possível fazer. Se é possível fazer assim, pode-se implantar qualquer código genético produzido em laboratório para, digamos, produzir insulina humana.

A técnica usada era muito legal, mas Church, o geneticista zueiro, disse “I can do better”. Ele estalou os dedos e em poucos minutos escreveu um programa que traduziu sua revisão, obviamente escrita em alfabeto latino, para código binário e dali para código genético. Mandou sua revisão escrito em código genético para o editor da revista, que obviamente era incapaz de lê-la. Este mandou para os autores da pesquisa que ele reviu e ninguém nesse meio tempo entendeu picas do que Church tinha escrito.

Agora, Church está com a brilhante ideia que seria muito maneiro trazer mamutes lanhosos de volta à vida. Seu “projeto de ressurreição” prevê que dentro de dois anos poderemos clonar o primeiro mamute.

Primeiro, eu acho uma ideia completamente idiota. Você vai trazer o mamute… para que? Segundo, o que você vai fazer com ele? Exibir? O clima da Terra não está lá muito propício para um animal da Era do Gelo.

Em segundo lugar, eles estão pegando o DNA de mamutes que foram preservados no permafrost Ártico para poder clonar. Não vai ser a mesma coisa, pois o DNA não fica intacto. Sempre tem partes que ficam danificadas. Isso foi a parte real em Jurassic Park. Também é real que busca-se completar os buracões que faltam com trechos de DNA de outras espécies. Pode não dar um tiranossaurão do mal devorando todos, mas com certeza é pouco provável que dê um mamute lanhoso como o original, tão pouco provável quanto um “enigma de Andrômeda”. Entretanto, além da importância desse tipo de pesquisa para sabermos o que é possível fazer com o DNA, de forma a conhecer suas mumunhas para concebermos terapias genéticas e corrigir defeitos que um projetista inteligente preguiçoso deixou acontecer, temos que também pensar nas implicações de trazer um animal extinto de volta à vida.

Não acho que a Ciência deva se preocupar com limites no ponto de imaginar o que pode e não pode fazer. Quem tem que se preocupar são os comitês de ética. Se o próprio cientista julgar o que pode e não pode fazer, não avançaremos, mas deixa-lo fazer o que quiser, teremos uma nova Unidade 731. Talvez, se o pessoal das Humanas não estivesse de frescura libertando beagles (mas não os lagartões feios) e se masturbando em praça pública, talvez tivéssemos uma orientação melhor. E é por isso que eu adoro este cartaz:


Fonte: Telegraph


PS. Sabe a história sobre ele ter convertido seu review em código genético? Pois é. Ele ficou curioso se podia fazer isso com outros tipos de dados, como livros e vídeo. Isso gerou interesse por empresas o que acabou levando a uma pesquisa mais int3nsa da área. às vezes, zueira colhe bons frutos. Fonte dessa história: Popular Science

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Sobre André Carvalho

και γνωσεσθε την αληθειαν και η αληθεια ελευθερωσει υμας

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  • Marcelo Paz

    O mamute pequenino, queria voar…

    cloverfield respondeu:

    “Cirrose, o mamute com cirrose…”

    Lucho respondeu:

    Os cientistas queriam um amiguinho para a pomba, o cachorro, o urso, o burro e o gato deles.

    Gui respondeu:

    Ou talvez pegaram inspiração nos fliperamas.