Ter gatos não deixa seu filho psicótico. Não arrume desculpas esfarrapadas

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Quando eu li “Donos de gatos não têm problemas mentais”, eu pensei algo na linha de “Não, sério? Valeu!”. Coo sempre, ao investigar o que era, vi que era mais uma manchete jornaleirística. Não é que ser dono de um gato faça de você um psicopata. Você é um psicopata, sim, mas por outros motivos.

A ideia era que, já que os gatos são hospedeiros do Toxoplasma Gondii, as pessoas se infectariam, principalmente no caso de mulheres grávidas, pois afetaria o bebê.

A drª Francesca Solmi é psi… visqui… ah, ele é doutora! (sim, ela é psiquiatra epidemiologista e trabalha como pesquisadora no Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Ciências do Cérebro da Universidade College de Londres. E tem Twitter!)

Todo mundo sabe, naquela maravilhosa sabedoria de Vó, que gatos trazem asma, por causa daquele som de motor de arranque dele. Também se dizia que isso passava pra pessoa e gatos ainda dão azar e são manifestação do Demonho. Por isso, os jêneos da Idade Média saíram matando todos os gatos, o que levou a desequilíbrio ecológico e ratos não tinham predador suficiente. Esses ratos se alastraram e trouxeram a Peste Negra.

Essas crendices idiotas ainda perduram até hoje, o que não é de se admirar pois ainda tem gente que acredita em cobras falantes ou que pratos de pipoca têm poderes mágicos. Mas o que a Ciência tem a dizer sobre isso?

A pesquisa da drª Solmi sugere que a posse do gato na gravidez e na infância não desempenha um papel no desenvolvimento de sintomas psicóticos durante a adolescência. Em outras palavras, seu personal aborrecente pode ter muitos problemas, mas não coloque a culpa no coitado do gato. No mínimo a culpa é sua, como pai inútil. Ou do próprio aborrecente, aquele inútil. Sendo assim, jogar o gato fora não é solução. Jogar seu filho fora não será muito bem visto pela sociedade, mas você pode dar uns tapas nele.

No aborrecente. Não no coitado do gato, deixe o bichano em paz!

O estudo analisou cerca de 5000 pessoas nascidas em 1991 ou 1992, que foram acompanhadas até a idade de 18. Solmi e seus colaboradores tinham dados sobre se havia gatos em casa enquanto havia mulheres grávidas, e depois das crianças nascerem e estavam crescendo.

A conclusão foi algo como “parem de frescura que ter um gato em casa não deixou seu filho pancada das ideias.” Talvez a vó, que insistia em encher o moleque com pêra cortadinha, descascada e servida com Ovomaltine.

Então, segundo a boa doutora, ter um gato durante a gravidez ou na primeira infância não representa um risco direto para sintomas psicóticos posteriores. Claro, exposição ao T. Gondii durante a gravidez pode levar a sérios defeitos congênitos, mas daí a dizer que filhão e filhona ficarão lelé da cuca, vai MUITA diferença.

A pesquisa foi publicada no periódico Psychological Medicine.

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Sobre André Carvalho

και γνωσεσθε την αληθειαν και η αληθεια ελευθερωσει υμας

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  • Lu Orion

    Sempre coerente e exato. Parabéns! Vamos ajudar esse povo a entender que gato é apenas um felino, que um fiapo vermelho não tira o soluço do bebê, e que manga com leite não mata. Pois eles ainda persistem!

  • Slade

    Muitas pessoas tem uma implicância inacreditável com gatos, muito por falta de informação que gera propagação de boatos mentirosos. Fora à questão da Toxoplasmose, aqui no Brasil, v.g., matam os felinos com tiros, veneno, chutes e outras formas clássicas de demonstração de amor cristão, a maioria das vezes por motivos esdrúxulos.