Retrovírus Endógeno: O Cunhado do Bem

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Nós somos o que somos graças aos zilhões de vírus que vieram zuar nosso código genético lá para quando ainda éramos seres unicelulares. Devido a a isso, e à invisível mão da Seleção Natural, somos o que somos, e pode-se dizer que cerca de 10% de nosso DNA não é lá bem nosso DNA, mas material genético que esses vírus vêm adicionando em nossas células, sendo que isso acontece ainda hoje.

Isso nós sabemos bem. O que não se sabia ao certo é quanto dessa influência afetou o nosso cérebro, isto é, quanto de material genético externo foi batido no liquidificador evolutivo de nosso DNA a ponto de afetar o desenvolvimento de nossos cérebros. Haverá resposta para isso?

O dr. Johan Jakobsson é professor adjunto de neurogenética e chefe do Laboratório de Neurogenética Molecular, no Centro de Neurociências de Wallenberg, vinculado ao Centro de Células Tronco de Lund, da Universidade de Lund, em Lund, na Suécia. Jakobsson e seus colaboradores (aka, estagiários, que são quem realmente mete a mão na massa) trabalham para entender como a expressão gênica é regulada no cérebro e como este processo influencia doenças neurodegenerativas, distúrbios psiquiátricos e tumores cerebrais, estudando o papel dos mecanismos epigenéticos e microRNAs, fazendo uso de conhecimentos técnicos que incluem vetores lentivirais, camundongos transgênicos e culturas de células-tronco.

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Hã? <bocejo> O que você disse?

Eu disse que Johan coloca os estagiários para ficar examinando camundongo geneticamente modificado e células-tronco para saber como vírus modificam seu código genético e daí o que acontece a seguir.

Os vírus estudados por Johan são retrovírus endógenos, isto é, retrovírus que não só infectam uma célula e lá mistura seu DNA (ou RNA) com a da célula, de forma que estazinha que foi infectada produza mais vírus. No caso dos retrovírus endógenos, eles infectam também as células germinativas (se você esteve num colégio, sabe o que é isso), e daí vai pro seu querido filhinho ou filhinha que você produzir. Ou seja, seu tatatatatataraavô foi infectado por um retrovírus endógeno, este contaminou o espermatozoide do “Tata” e este foi passando de descendente a descendente. Se não impediu o filhote ou filhota de continuar vivendo e se reproduzindo, tio Darwin dá de ombros, apita e manda seguir a jogada.

O que o dr. Jakobsson e seu pessoal descobriram é que vários milhares de retrovírus que se estabeleceram em nosso genoma acabaram por servir de “plataformas de acoplamento” para uma proteína chamada TRIM28. Esta proteína tem a capacidade de “desligar” não apenas vírus, mas também os genes padrão adjacente a eles na hélice do DNA, permitindo que a presença de retrovírus afete a expressão gênica.

Vamos supor que seu cunhado venha lhe visitar. Ou você o expulsa assim que ele beber toda a cerveja, ou vai mantendo, já que ele é um cara legal e se prontifica pro churrasco, enquanto sua cunhada ajuda a arrumar a casa. Ele acaba sendo um agregado, mas como faz coisas úteis e não interfere em quem realmente manda nessa casa (sua esposa, claro. Você não manda nem no controle da TV que eu sei!)

Vamos supor, entretanto, que esse cunhado e sua esposa sejam conscienciosos (isso é apenas uma analogia. Não serve para efeito de acontecimentos reais em família) e assim que outros cunhados cheguem para se aboletar, ele mesmo dá um “chega pra lá” (ainda mais porque ele percebeu que a cerveja não dá pra todo mudo e ficar nesse calor de 56 °C à sombra no Rio de Janeiro preparando churrasco pra geral não é lá algo que um ser humano normal ache maravilhoso)

Esse mecanismo de “desligamento”, claro, age de forma diferente em pessoas diferentes, uma vez que retrovírus não seguem manual básico de infecção. Acontece o que acontece, e é por isso que temos uma diversidade tão grande, pois é imprevisível o que vai acontecer, como desenvolvimento do cérebro, expressões de proteína, Alzheimer etc. Ninguém disseque Evolução tem que ser boazinha. Como eu falei, acontece o que acontece

A pesquisa foi publicada no periódico Cell Reports, cujo *.pdf você pode baixar AQUI, já que teve aquele lance da União Europeia bater o martelo e dizer que todos os papers de pesquisas europeias têm que ser de acesso aberto.

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Sobre André Carvalho

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