Tuberculose sempre foi um problema sério e responsável pela morte de milhões de pessoas. Contraiu tuberculose, podia encomendar o caixão. Era um destino inexorável, definitivo, usado em várias obras literárias para determinar que aquele personagem ia morrer de qualquer jeito, e a história teria que se dar naquele ponto até seu fim último. Desde Floradas na Serra até o filme do Moulin Rouge (que nada mais é que uma versão da Dama das Camélias).
Tuberculose não é nada recente, pelo contrário, mas como esse ser do Inferno conseguiu sua letalidade? De acordo com alguns pesquisadores, o grande responsável pelo alastramento desse ser do mal é por causa dele, o fogo.
A drª Rebecca H. Chisholm não é bióloga ou médica. Ela trabalha no Departamento de Matemática da Universidade de Melbourne. Daí ela pensou “e se eu usar métodos estatísticos com ferramentas computacionais para saber de onde veio esta bosta de tuberculose?”
Chisholm e seu pessoal correram para o computador e desenvolveram um modelo matemático que comparava o antepassado do Mycobacterium tuberculosis e o atual, estudando a taxa evolutiva, mediante as adaptações positivas que a bacteriazinha do coração foi adquirindo com o passar do tempo. E isso já vem de MUITO tempo. Já no Neolítico havia casos de tuberculose.
As conclusões são… interessantes. De acordo com a pesquisa de Chisholm, a M. tuberculosis conseguiu um aumento na capacidade de causar endemias por causa do uso controlado do fogo. Mas isso faz sentido?
Bem, um agente patogênico deve ter condições de se alastrar, mas não devemos esquecer como funciona Seleção Natural: o meio seleciona. A bactéria não tomará uma descarga de um relâmpago, ganhando poderes de dominar a força da velocidade e sair se alastrando feito louca. O ser depende de condições ambientais, e quando essas condições ambientais mudam por algum motivo pode causar uma quase-extinção de tudo em volta. Chamo de “quase-extinção”, pois sempre haverá favorecimento de uma ou outra espécie. Um meteorão caindo acarreta isso. Claro, ONDE ele caiu matou geral, mas uma extinção se deu em todo o mundo, graças aos efeitos climáticos que vieram depois que o pedregulhão do mal caiu. Só que essa extinção não matou 100% da vida na Terra, e se você está lendo isso aqui é capaz de entender como sei disso; e se não fosse esse pedregulhão do mal, os mamíferos não teriam se desenvolvido ao que somos hoje. Ainda estou em dúvida se isso foi o melhor, mas Madrasta Natureza não se preocupa com esses detalhes de menor importância.
Com o fogo, humanos passaram a viver mais juntos, o que facilitou a M. tuberculosis pular de uma pessoa pra outra, além de estabilizar o microclima local, já que ficou quentinho e manteve a volta da fogueira a uma temperatura mais constante, ainda mais à noite, que é quando a temperatura cai, causando latência em seres microscópios. Com o fogo, as bactérias ficaram quentinhas e mais animadas.
Isso é definitivo? Há provas concretas? Não. Como falei, são modelos matemáticos, mas descrevem muito bem o que pode ter acontecido. Claro, não é algo como “UAU, ganharemos o prêmio Novel!”, mas toda forma de pesquisa gerando conhecimento, se não nos dão respostas, podem guiar outros cientistas em suas pesquisas para chegarem mais perto do que realmente aconteceu.
Chisholm publicou dois artigos sobre isso. Um no Proceedings da Royal Society B e outro na PNAS

Pesquisa muito interessante. E por coincidência acabei de ler (reler) Freaknomics e Super Freaknomics que tem diversas pesquisas do tipo dessa.
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sem contar que este tipo de informação pode levar a um tratamento mais eficiente da doença.
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