O caso do ataque terrorista durante as olimpíadas no Rio de Janeiro

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Quando o fogo ajudou a espalhar tuberculose. Ou mais ou menos isso

O ano é 2023. Wikileaks vazou uma série de comunicações obtidas por meio de uma intensa investigação. Zé Pé-de-Cotia, responsável por descarregar o caminhão da COMLURB, tinha encontrado uns formulários esquisitos embrulhando peixe estragado e mandou para o Assange só de zoeira, enviando foto da façanha pro grupo da família no uatizápi. Apurando as informações nesses documentos (uma zona federal, estadual e municipal), ficou-se sabendo de uma tentativa do Estado Islâmico, o ISIS, em deflagrar um imenso ato terrorista na cidade do Rio de Janeiro na abertura os jogos olímpicos de 2016, já que vários chefes de Estado estariam presentes, menos o Putin que acha que o Brasil é hardcore demais até pra Rússia. Ao tentar remontar o caso, ficamos sabendo dos detalhes.

Três guerreiros afegãos, Mohammed, Mustafá e Achmed, vieram na classe econômica do Afeganistão, parando na Venezuela, um lugar esquecido por Allah, o Glorioso, que nem papel higiênico tinha. Pegaram um voo da GOL na primeira classe, que conseguia ser pior que o pulgueiro no qual chegaram na Venezuela, de Caracas para o Rio de Janeiro. Desembarcaram no Aeroporto Internacional Tom Jobim em pleno inverno, com temperatura de 35 °C. Os três mal desceram do avião e já estavam achando um calor insuportável mesmo para quem morava no deserto.

Eles foram buscar as malas, mas duas delas foram extraviadas. Indo de guichê em guichê descobriram, depois de 2 horas, que as malas foram parar em Kuala Lampur, no Marrocos (foi o que o funcionário da GOL falou). Eles deram de ombros e foram pegar um carro com as malas restantes, tendo uma delas sido aberta pela equipe de terra, que levaram alguns pertences pessoais que seriam vendidos no mesmo dia no Mercado Livre.

Se dirigiram para o saguão, passando pela Alfândega. O fiscal deu uma piscadinha e ficou com 2 máquinas fotográficas, deixando passar o resto. Infiel idiota, não viu os explosivos escondidos junto das cuecas. No saguão encontraram seu contato que há muito tempo estava infiltrado aqui. Ele atendia pelo nome de Abdulla ibn-Hayan Khomeini da Silva, vulgarmente conhecido como “Tonhão”. Tinha barba comprida, sandália franciscana bermuda caindo pela bunda abaixo, um boné rasgado de algum brinde de loja de material de construção e uma camisa do flamengo. Disfarçado desse jeito, ele caminhava pelos infiéis sem ser notado. Excelente!

Tonhão foi buscar seu carro: um Marajó 82 preto caindo aos pedaços, com uma imagem de São Cristóvão pendurado no retrovisor e um adesivo desbotado “Papai Não Corra” no painel. Fazia parte do disfarce, os soldados do ISIS logo imaginaram.

Assim que os taxistas do local viram o carro preto e acharam que era um Uber e vieram correndo gritando feito alucinados e meteram a porrada nos 4. Um dos taxistas veio com um coquetel molotov para incendiar o carro, e só não conseguiu porque um policial fora de serviço interveio, dizendo que aquele ponto era dele e se alguém podia meter a porrada num Uber era ele. Todo mundo começa a discutir, armas são sacadas e na confusão os 4 fogem.

Mohammed, o chefe do grupo, quis saber para onde iam, e Tonhão falou para ele relaxar, já que ele não vivia numa caverna. Sacou um celular Android xing-ling e ativou o Waze. Por causa de dados informados incorretamente de propósito por alguns marginais, eles foram parar dentro do Complexo da Maré, onde foram assaltados e Tonhão tomou uma surra exemplar, porque o chefe da gangue era vascaíno. Mohammed, Mustafá e Achmed tomaram umas coronhadas de pistola na cabeça, dadas por um moleque de 12 anos com um fuzil nas costas. O carro não foi levado, pois os assaltantes tinham bom gosto e não queriam aquela tranqueira.

Todo arrebentado, Tonhão os leva para o seu esconderijo, um sobrado com fios expostos pedindo para dar um curto-circuito e causar um incêndio na rua da Alfândega. Informou aos 3 amigos que ali iriam se sentir em casa, pois as adjacências formavam o “SAARA”. Ao desembarcar, Tonhão é cumprimentado pelo pessoal “E aí, Turco?”. “Beleza, como tá?” “Na paz, mermão! É visita?” “São parentes do Piauí”. Tonhão explica para os 3 amigos inquisitivos que todo mundo que fala árabe é “turco” para os locais, e assim passariam incólumes. Nenhum dos três sabia o que “incólume” significava, mas os vizinhos do Tonhão também não sabiam. Ao estacionar o carro em cima da calçada estreita, Tonhão acena alegremente para o seu Jacó, dono da loja de tecidos em frente, que o responde com “Shalom Adonai” sorridente. Mohammed o questiona se ele é amigo de um judeu. Tonhão diz “ué? Por que eu não seria? Ele até me arruma uns retalhos pra minha mulé fazer roupa pros meus guris”.

Sim, Tonhão era casado com uma nega chamada Tereza e tinha dois filhos: Ibraim e Maicoujaquinsom. Tereza e os meninos estavam na rua vendendo bala em ônibus, e os três terroristas recém-chegados se questionam da lealdade de Tonhão, que os traz uns kibes feitos pela dona do boteco ao lado, uma risonha coreana que não falava português.

Depois de uma madrugada indo no banheiro a cada 5 minutos, Mohammed divisou o ataque. Teve que fazer tudo de cabeça, pois os planos estavam na mala extraviada ou vendida no Mercado Livre, sei lá; as investigações não souberam precisar. Na manhã seguinte, Mohamed perguntou a Achmed se ele tinha visto Tonhão. O contato do ISIS estava na esquina tomando uma cervejinha logo pela manhã e Mustafá achou que o Brasil estraga qualquer cultura, e isso é mais um motivo para riscá-lo do mapa.

Achmed era um terrorista morto de cansaço, mas junto com Mohamed e Mustafá resolveu não esperar por Tonhão e foram pro Maracanã levar o poder do Povo de Allah e cravá-lo no coração daqueles infiéis malditos com aquela estátua cristã, símbolo da idolatria ocidental. Depois de se perderem entre as ruas do Centro do Rio, um camelô lhes dá a indicação certa, perguntando se eles estavam prontos para bombar durante o feriado. Os terroristas deram uma risadinha, pois estavam se misturando com a população infiel local.

Ao atravessar a av. Rio Branco, não viram o VLT, cujo condutor estava vendo nude que tinham compartilhado no Snapchat. O VLT não diminuiu a velocidade e acabou acertando Mustafá que caiu no chão, e uma gangue de pivetes imediatamente levou a carteira, o tênis e um pé de meia e fugiram em direção do Largo da Carioca para fazer mais uns ganhos em cima dos gringo otário. Ainda cambaleando, Mustafá foi levado pelos companheiros de armas para pegar um ônibus, já que o metrô estava reservado para a família olímpica. O motorista confirmou que passava sim pelo Maracanã, mas com as alterações de trajeto do Eduardo Paes, o ônibus foi parar no Complexo do Chapadão, na Pavuna. Saltaram do busum e já estavam sendo vistos meio de lado. Alguns sussurros perguntaram se eles não eram X-9 da PM.

Para não correr riscos, os soldados do ISIS resolveram pegar um táxi. O taxista era um dos que os surraram pensando que era um Uber. Meteu a porrada neles de novo e levou a mochila. Ao ir embora, o carro passou por um buracão aberto na rua em 1989 e jamais fora fechado. A bomba na mochila explodiu e os moradores pensaram que era ação da polícia e começou o protesto. Traficantes começaram a dar tiros, a PM foi acionada e já chegou atirando naqueles três traficantes manés que estavam sem armas, que começaram a correr mais que o Papa-Léguas. O BOPE apareceu e chegou dando tiro até nos PM, que revidaram de volta nos soldados do BOPE, enquanto o pessoal do CORE ria dos PM babacas. Uma equipe da Rede Globo veio cobrir o caso e foi expulsa por moradores petistas, enquanto que outros que defendiam o Temer começaram a jogar panelas. Pneus estavam sendo queimados, bombas de efeito moral estavam explodindo, multidão com tochas jogava pedras em tudo o que se mexia. O caos estava generalizado e os terroristas corriam de um lado pro outro aterrorizados, enquanto dona Edwiges regava as plantinhas no beiral da janela e o seu Epaminondas lia um jornal na cadeira de praia em frente à sua casa, enquanto o tiroteio comia. Um blindado dos fuzileiros navais, indo para a Barra da Tijuca, se perdeu e acabou passando pelo local; como os soldados estavam entediados, resolveram participar. Os terroristas estavam implorando para Allah, o Exaltado os exaltasse para sair dali o mais rápido possível, mas as rezas estavam sob cargo dos Correios e elas foram parar em Curitiba. Allah, o Misericordioso nunca soube do que aconteceu, e de qualquer forma morrer no Rio de Janeiro não dava direito a ganhar virgem. Negociando muito, só se arrumava uma dublê da Taty Quebra-Barraco.

Os terroristas viram uma Kombi fazendo lotada passando, dirigida por um negão com um baseado imenso no canto da boca e usando cabelo Rastafári, enquanto ouvia programa de rádio evangélico. A cena era bizarra demais mesmo para quem saiu de um beco de Cabul, mas aquilo era o melhor que tinham. Como não tinham dinheiro, Boca-de-Caçapa (o motorista) aceitou um beijo de língua de cada um deles. Ninguém precisava saber disso quando chegassem em casa.

Só que Boca-de-Caçapa colocou no Facebook e foi rapidamente compartilhado, inclusive virou manchete do G1 e do The New York Times, acabando por virar meme no Twitter, em que várias montagens (algumas sendo GIF animada) foram feitas, chegando ao trendtopic mundial. Alguém teria que dar muitas explicações para Hadija, esposa de Mohammed, que tinha um iPhone contrabandeado e adorava brincar com Pokemon Go e ficou sabendo por Samira, sua colega que participava do grupo “É Nóis na Burca”.

Mustafá ainda estava sentindo dores e Achmed tomou um tiro num lugar que inviabilizou a partir dali qualquer chance de ter filhos. Era melhor ir pro hospital. Conseguiram chegar no Pedro Ernesto, que não tinha médico, maca, remédio e gente de boa vontade. Uma enfermeira de uns 100kg, um metro e meio de altura e mau-humorada fez um curativo qualquer em Achmed, que subiu pelas paredes quando foi aplicado álcool na região e deu uma sacada em Mustafá, pensou em dar benzetacil mas se enganou e acabou dando anticoncepcional injetável fora da validade, com agulha reutilizada, contaminada com alguma superbactéria. A bunda de Mustafá nunca mais voltou a ser a mesma, mas pelo menos Achmed descobriu a enfermeira no Tinder. Ela usava uma falsa foto de modelo gostosona. Por via das dúvidas, taggeou-a assim mesmo.

Estava faltando pouco, pois os 3 representantes do Estado Islâmico já estavam em Vila Isabel e a hora de mostrar ao mundo o poder dos filhos de Allah estava chegando! Chegar no Maracanã era fácil… ou deveria ser, se o pessoal do Morro do Borel não estivesse em guerra com o pessoal do Morro da Formiga, que estava brigando com o pessoal do Morro do Macaco. A guerra pelos pontos de tráfico começou (de novo). Tijucanos acertaram o relógio pro tiroteio das 16h30min e continuaram seus afazeres. Um bonde veio catar os terroristas, que só não foram atacados porque Tonhão chegou a tempo dizendo “Os bródi ‘tão comigo, porra” “Mal aê Tonhão. Vai cantar no baile funk amanhã?” “Já é! Demorô!”

Já em dúvida se um imenso atentado terrorista não seria pro carioca algo como “quinta-feira”, os terroristas dão prosseguimento ao plano porque… bem, eles não faziam a menor ideia do motivo. O problema é que os ingressos comprados com antecedência tinham sido roubados. Só restava desistir… ou comprar na mão daquele senhor ali, vendendo a mil reais cada um. Depois de longa espera na fila, todos arrebentados, sujos, barba imensa e olheiras, foram criticados como sendo hipsters. Quando chegou a vez de entrarem, descobriram que os ingressos eram falsos, mas conversando com o segurança conseguiram passar pagando 50 merréis. Se misturaram com a comitiva da Austrália, mas um deles trazia um ornitorrinco de estimação, que atacou Mohammed, envenenando-o. Outros australianos os confundiram com o pessoal que os assaltou seus atletas na vila olímpica e os 3 terroristas tiveram que sair dali correndo sendo salvos pela comitiva de Israel, que depois de se tocar de onde eles vieram, baixou a porrada neles também.

Cheios de hematomas, lacerações, fraturas e sem calça, os terroristas saíram correndo, com o pessoal de Uganda passando a mão no queixo ao olharem para aquelas bundas afegãs desfilando na frente deles. Os terroristas roubaram uma brasília amarela e ralaram peito pro Galeão, mas tiveram que parar num engarrafamento na Linha Vermelha. Viram que vinha um arrastão de um lado, protesto pela morte de um traficante do outro; mostraram que já sabiam como o Brasil funcionava e gritaram “OLHA A DILMA ALI!” “NÃO, O TEMER QUE ESTÁ LÁ” Todo mundo foi na direção apontada xingando e afegãos picaram a mula, preferindo ir pros Estados Unidos, onde seriam presos e indo parar em Guantânamo, onde seriam melhor tratados.

Infelizmente, por algum evento aleatório, a passagem de avião era pro Rio Grande do Norte, e os infelizes desembarcaram em Natal em meio a ataque de bandidos por todos os lados. Tropas Federais chegaram espanando geral de novo sem fazer perguntas. Nunca mais se ouviu falar dos três terroristas.

Chegando em casa, Tonhão, agente de contra-terrorismo da Polícia Federal (o único agente desta divisão, diga-se de passagem) se benze, beija a Tereza, brinca com Maicozinho e Ibrainzinho, pega o celular e liga pro seu supervisor.

“Missão dada é missão cumprida, chefia”.

"Profissional de saúde" natureba passa a perna em paciente com HIV e se ferra
Quando o fogo ajudou a espalhar tuberculose. Ou mais ou menos isso

Sobre André Carvalho

και γνωσεσθε την αληθειαν και η αληθεια ελευθερωσει υμας

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  • EiligKatze

    Já tinha visto outra história sobre terroristas no Rio, mas a sua versão está tão boa, que quase caí da cadeira de tanto rir….

    Pryderi respondeu:

    Aquele da Al Qaeda. Eu conheço, vinha por e-mail antes de redes sociais serem moda. Eu não podia deixar de fazer uma nova versão 🙂

  • Dado que não houve SEQUER qualquer tipo de notícia sobre ameaças de ataques na Rio 2016, deve ter sido isso mesmo o que aconteceu, no fim das contas 😀