Vai um tijolinho tóxico aí?

Lula Vieira (o publicitário, não o megalomaníaco), teve a infeliz ideia de fazer um comercial pro cigarro Vila Rica que ficou famoso… mas pelos motivos errados. Ele escalou o jogador Gérson, conhecido da Copa da 1970 e famoso por ser o “canhotinha de ouro”. No comercial, Gérson dizia que ele gostava de levar vantagem em tudo e, por isso, fumava Vila Rica. Assim, ele conclamava que as pessoas também fizessem o mesmo. Isso ficou entranhado na psique do brasileiro espertão que não acha nada demais passar a perna nos outros. É a chamada Lei de Gérson.

Nem Lula Vieira nem o Gérson gostaram da ligação, mas qual de nós nunca fez merda? (exceto eu, claro!)

Existe gente espertona que faz uso da Lei de Gérson 24/7, pouco se importando com os resultados. Um exemplo é o projeto inteligentíssimo de usar a lama da cagada que aconteceu em Mariana para fazer tijolos. O que poderia dar errado?

Eu não sei vocês, mas realmente penso que não tem nada demais em usar lama com resíduos tóxicos para se fazer tijolos. Não, nada demais. Um dos que tiveram a ideia de usar aquele lamaçal do mal foi o dr. Ricardo Fiorotti é pesquisador de Desenvolvimento Sustentável e coordenador do Grupo de Pesquisas RECICLOS, da Universidade Federal de Ouro Preto. Infelizmente, não vi nenhuma publicação dele sobre o caso específico de Mariana, mas vale dar uma olhadinha na produção científica dele. O dr. Fiorotti é um dos que defendem o uso daquela lama imunda e Mariana para se fazer tijolos, mas eu acho que não é lá uma boa ideia, porque, como eu falei, mexer com resíduos tóxicos pode não ser uma boa ideia, mas quem sou eu pra discutir?

Daí organizaram um Kickante para arrumar dinheiro para o projeto, por meio de uma inciativa da empresa Tijolos Mariana. Interessante. A empresa de tijolos não quer investir do próprio bolso, quer um bando de manés doando seu rico dinheirinho para que eles usem mão de obra local (provavelmente não ganhando um salário decente), para produzir os tijolos. Apelam para o emocional. Buááá, queremos salvar Mariana. E o bando de toscos dão seu dinheiro.

Imaginem só. Os caras vão lá naquela tristeza, recolhem a lama que está lá, e fazem tijolos com elas. Claro, todo mundo manuseando algo cheio de coisas que você não gostaria perto de você. Daí, constroem, a própria casa. Se bobear, a empresa venderá para a prefeitura a preços absurdos, afinal, estamos falando do Brasil, país em que qualquer desastre vagabundo começa a cobrar 10 reais pela garrafa de água.

O bom é que você ganha prêmios! Por 300 reais você terá seu nome no site, um certificado e cartilha digital, além de um tijolo simbólico da Tijolos de Mariana (série limitada! Não é pouca merda!). Será uma cartilhinha marota, sobre cuidados com o meio ambiente (digital. Papel é coisa de gente que quer matar as pobres árvores!). Daí, vem um tijolo simbólico pelos correios. Se fosse entregue pela Submarino, capaz do seu tijolo ser extraviado e chegar um notebook.

Já foram arrecadados R$53.374,00, mas faltam 10 dias para chegar na meta de 400 mil reais. Vão lá. E ganhem o direito a ter um tijolinho feito com lama que passarinho não come.

Darwin recomenda.

10 comentários em “Vai um tijolinho tóxico aí?

  1. O modelo de tijolos mostrado no Kickante é um dos mais utilizados para fazer churrasco. Logo logo vai ter trouxa fazendo churrasquinho de câncer em prol de Mariana.

    Essa galera vai dar um dinheiro pro mercado de bostanolamina.

  2. Tem algum estudo sobre o que realmente tem naquela lama? Só pra gente ter detalhes de como vai ser aquela intoxicação linda na galera

    1. Tem um estudo feito pela companhia de tratamento de água da região, e um estudo encomendado pela ONU. Lendo por cima, foram encontradas concentrações altíssimas de chumbo e arsênio, que por si só já são bastante perigosos.

      Imagina você bronzeando aquela carne “daora” com vapor de arsênio na sua churrasqueira feita de tijolos da tragédia…

  3. Essa tragédia saiu um pouco da mídia, caindo praticamente no esquecimento. Estranho como algo dessa dimensão é deixada de lado por todos, e aqui eu me incluo, confesso. O quão contaminado anda tudo lá, essa história de usar lama poderia se igualar ao caso das operárias contaminadas por rádio numa fábrica nos EUA? Há esse risco ou os produtos tóxicos já foram controlados? Aquele local tem solução?
    Vi uma reportagem sobre o Japão e como estão se recuperando do desastre em Fukushima. Eles se reergueram tão rápido, reconstruíram casas, tomaram várias medidas para conter o material radioativo, investiram muito em infraestrutura, tecnologia. Estão realmente dispostos e todos unidos para solucionar o problema do desastre nuclear. Parece até o Brasil…

  4. Quem sou eu pra criticar o funcionamento da seleção natural, instituída por vosso senhor Darwin…?

    1. Igual quando aconteceu a enchente na minha cidade, Blumenau. A água vinha com um cheiro característico de material orgânico decomposto.

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