Cientistas estudam origem do plutônio no Universo

Dizem os relatos apócrifos que plutônio era tranquilamente comercializado em farmácias lá pela década de 80. Infelizmente, quando eu era menininho cabeçudinho lá em Barbacena, essas mudernidades não existiam, não, sinhô. A saber, o plutônio que nós usamos nas usinas, armas e máquinas do tempo é totalmente artificial, tendo sua tecnologia de produção desenvolvida durante o Projeto Manhattan, mas inicialmente, não havia tecnologia suficiente para se fazer uma bomba com o Pluto-do-Mal, preferindo-se usar urânio, mesmo. Só com a fatman, pôde-se usar Plutônio-239. Deu no que deu.

O estranho é que existe plutônio no Universo. Mas, se ele é altamente radioativo e começa a decair logo que é produzido,e sendo que a maioria dos seus isótopos não têm uma vida-média tão grande assim. Como pode existir plutônio no Espaço?

O plutônio tem vários isótopos. Isótopo, como você deve saber, são variedades de determinado elemento químico com números de massa diferentes. Se eus números de massa são diferentes, mas são isótopos (afinal, é a quantidade de prótons que define um elemento químico), logo, o que tem de diferente lá são nêutrons. Quimicamente, isótopos de diferentes números de massa são iguais. Água pesada (água que tem deutério ao invés de hidrogênio, sendo deutério um hidrogênio com um nêutron em seu núcleo) tem as mesmas propriedades químicas da água que vem pela torneira. Eu ia citar a Baía da Guanabara, mas pelo visto, ali tem de tudo. Dizem que tem água também. Cartas para a redação.

O plutônio existe sob diversos isótopos. O isótopo usado em Nagasaki era o Pu239, cuja meia-vida é de 24.200 anos. Mas o que isso significa? Imagine que você seja muito sortudo (ou muito azarado) de ter 1 kg de Pu239. Depois de 24.200 anos, você terá 500 gramas do elemento. O restante se transmutou em Urânio-235. Daí passa-se mais 24.200 anos e você terá 250 gramas de Pu239 e mais U235 foi formado (os U235 anteriores se transformaram em outra coisa), e assim sucessivamente. Cada vez que passa o espaço de tempo que chamamos de “meia-vida”, a quantidade do isótopo radioativo que lá etava caiu à metade. Sempre assim, e continua endo assim. O isótopo Pu234 tem meia-vida de cerca de 84 anos. O Pu241 tem meia-vida de 14 anos e o Pu244 tem meia-vida igual a 120 milhões de anos.

O dr. Kenta Hotokezaka é pesquisador do Instituto de Física Raccah, da Universidade Hebraica de Jerusalém. Junto com seus colaboradores, ele pretende explicar a intrigante pergunta: levando em conta os períodos de meia-vida dos isótopos de Plutônio, como pode haver Plutônio? Hummm, o Universo ter sido criado há 6000 anos é uma explicação, não é? Sim, é, se você for idiota, burro, ignorante em Física ou criacionista da Terra Jovem, mas se você for criacionista da Terra jovem, automaticamente você será as alternativas anteriores também.

O que acontece é que tem uma bela quantidade de Plutônio-244 por aí. Mesmo com sua elevada meia-vida, vem a pergunta: de onde essa bagaça veio? Obviamente, de um tempo não muito no passado (para fins de origem do Universo, claro). Pelo menos, quando a Terra foi formada, há cerca de 4,5 bilhões de anos, já havia Pu244. Maravilhoso, só que não responde: de onde ele veio? Medições recentes dadeposição de Pu244 indicam que ele apareceu aqui na Terra nos últimos 100 milhões de anos. Como pode ser isso?

Hotokezaka e seus bravos amigos estudaram a questão e, ao que eles dizem, parece que chegaram a uma resposta: Estrelas de nêutrons binárias. Quado uma estrela massiva explode numa supernova, o que sobra é uma densa estrela de nêutrons. A pesquisa do bom doutor diz que fusões ocorridas no interior de um sistema composto por estrelas de nêutrons binárias pode ter sido suficiente para formar esse plutônio, e essas fusões teriam ocorrido aqui pela vizinhança do nosso Sistema Solar em cerca de uns 100 milhões de anos antes que o próprio Sistema Solar aparecesse.

Os pesquisadores publicaram sua teoria numa carta (virou moda!) na Nature Physics.

Mas isso responde a pergunta? É uma teoria, mas existem outras e essa pode nem estar certa. Mas é algo válido que ajuda a escrever a história do nosso universo, e se isso explica como apareceu o Plutônio, ajuda a explicar a ocorrência de outros elementos químicos. Elementos que compõem a mim e a você. Entender a origem desse plutônio é entender a nós mesmos, coisa que nenhum filósofo conseguiu fazer de forma eficiente. Mas vamos desculpá-los. São de Humanas.

8 comentários em “Cientistas estudam origem do plutônio no Universo

  1. Uma duvida leiga de alguém que fez quimica a muito tempo.

    A diferença entre o Pu239 para o Pu235 é somente a quantidade de neutrons? E esse numero é a quantidade de neutrons correto?

    Mas a quantidade de neutrons e prótons não deveria ser equilibrada? Se a diferença for muito grande pode haver problemas? Fissão nuclear?

    1. Número de massa mostra o quanto o núcleo é “pesado”. É a soma do número de nêutrons com o numero de prótons. O número de prótons sempre é o mesmo, o que varia é o número de nêutrons. 2 átomos com números de prótons diferentes serao dois elementos diferentes.

      “Mas a quantidade de neutrons e prótons não deveria ser equilibrada?”

      Natureza não se preocupa com detalhes assim.

      ” Se a diferença for muito grande pode haver problemas? Fissão nuclear?”

      Não. Acontece que expliquei: decaimento radioativo. Fissão acontece de maneira instantânea e, por isso, é explosiva, liberando grande quantidade de energia.

      1. Normalmente aprendemos que os neutrons evitam que os protons de afastem uns dos outros. Isso é incorreto?

          1. Então pode existir um nucleo somente com protons e o elemento seria o mesmo? Sem problemas?

  2. Não! Ele entrou para uma nova categoria: a dos Planetas Anões e ganhou muitos amiguinhos lá?
    E o que isso tem a ver com plutônio?

  3. O plutônio encontrado no inverso não poderia ter origem no decaimento alfa de outros elementos formados no interior das estrelas?
    Do amerício ou do Cúrio por exemplo?

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