Jardins urbanos podem ser nocivos à saude humana

Nossas raízes evolutivas nos faz gostar de prados, savanas e uma ou outra arvorezinha. Gostamos de terrenos amplos, aconchegantes e do verde. Verde acalma, verde nos deixa em paz, verde é usado em semáforos e lousas por causa disso (até que algum idiota resolveu implantar quadro branco, e assim começou o declínio da Humanidade).

Inventamos a agricultura e isso facilitou a nossa vida. Criamos vilas,  cidades-estado, reinos e até impérios. Hoje, voltamos a essas raízes cultivando uma hortinha em casa e, em escala muito maior, agriculturas urbanas, isto é, bem no meio da cidade. Mas parece que isso tem o seu preço, também. Sempre tem um preço a se pagar.

O dr. Miguel Izquierdo é pesquisador do Laboratório de Engenharia Geoquímica Ambiental, subordinado ao Departamento de Engenharia Química e Combustíveis, da Universidade Politécnica de Madri, Espanha. Ele trabalha com um grupo que pesquisa a quantas andam as agriculturas urbanas.

A agricultura urbana é dividida em agricultura intra-urbana (dentro da cidade, exatamente) e a agricultura periurbana (o cultivo é na periferia da cidade). A questão é que temos que levar em conta que a cidade gera poluição, e essa poluição acabará sendo absorvida pelas plantas. Pesquisas de 2003 já analisavam os potenciais riscos disso, reiterando que isso poderia acarretar em menor produção em termos de volume e qualidade. Ou seja, vai se produzir pouco e alimentos não muito saudáveis. Atividades domésticas e comerciais, podem e vão interferir nas hortaliças, dada a poluição que geramos em todos os sentidos, em que s respectivos agentes poluentes afetam os recursos utilizados, como o solo, o ar, a água etc. Isso mais parece atrapalhar do que ajudar, então, por que continuar com agricultura urbana? Pelo simples motivo que pode ser visto quando da greve dos caminhoneiros. Os alimentos demoram para chegar nas cidades e seus preços serão maiores por motivos óbvios. Com a agricultura urbana, os víveres serão produzidos mais próximo das cidades, facilitando o transporte, barateando custos.

Isso num mundo perfeito, mas sabemos que não é bem o caso do brasil, que segue o braso-capitalismo, em que não importa o que você faça, tudo resulta em aumento de preço.

O grupo liderado pelo dr. Izquierdo fez um levantamento do teor de metais (leves e pesados) nas camadas de solo arável de diferentes jardins urbanos, a fim de detectar os potenciais efeitos da exposição. Por enquanto, os resultados mostram que o risco estimado não excede o máximo admissível para a saúde humana, mas é bom não dar mole e ficar sempre de olho

Outros pesquisadores coletam amostras de camadas de solo arável analisando os riscos mediante a concentração total de poluentes no meio ambiente, cujos resultados mostram que existem diferenças significativas na concentração média total dos elementos entre os jardins urbanos estudados dependendo da sua localização e as utilizações anteriores do solo.

Traduzindo: os pesquisadores geniais descobriram que diferentes locais com diferentes tipos de agricultura sendo explorados dão resultados diferentes. Valeu, pessoal! O resumo disso tudo é que ninguém chegou a um consenso de como está os potenciais perigos para a saúde humana, porque todas nossas ações resultam em alguma forma de poluição e é preciso estudar como essa poluição afetará outros seres vivos. Ainda mais seres vivos dos quais nós nos alimentamos.

A pesquisa foi publicada no periódico Chemosfere

6 comentários em “Jardins urbanos podem ser nocivos à saude humana

  1. Em minha cidade vejo muitas hortas as margens da BR e de avenidas movimentadas. Sempre tive esse pressentimento de que nao era boa ideia.

    PS: Teclado americano, nao sei como acentuar nisso

    1. Com certeza o chumbo dos escapamentos praticamente pulverizado nos alfaces não deve afetar em nada, e nos sabemos como a quantidade dele e bem controlada vide a wolks, mas mas é bonitinho, verde e ecologicamente correto dirão os ecologistas água com açúcar

  2. O grupo liderado pelo dr. Izquierdo e o próprio fez bem mais com esse estudo do que diversos alunos e professores de geografia agrária fazem em 10 anos!

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