Inscrições antigas elucidam sobre mudanças climáticas

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A história humana se baseia no registro de histórias e histórias ("estória" com "e" é neologismo inventado por Guimarães Rosa. O certo é "História" em ambos os casos). Desde cedo relatamos detalhes de nossa vida, de nosso mundo ao redor, de nosso universo, mesmo que esse universo seja medido em alguns metros. Esses contos de um passado longínquo nos faz aprender muito, como é o caso das pinturas rupestres encontradas em uma caverna na China, com inscrições únicas que nos fazem saber muita coisa. Até sobre mudanças climáticas.

O dr. Sebastian Breitenbach é pesquisador do Departamento de Ciências da Terra da Universidade Cambridge. Se tem um buraco na terra (ou na Terra), é com ele, mesmo. O dr. Tião e seus colaboradores estudam inscrições encontradas nas paredes da caverna Dayu, que fica nas montanhas Qinling, que fica na região central da China.

Os relatos gravados não são considerados como artes rupestres, pois artes rupestres obrigatoriamente têm que ser pré-históricas. O termo utilizado nesse caso é "grafite" (ou grafito), que é o nome conferido a inscrições feitas em paredes, desde o Império Romano (obrigado, Bárbara); isso porque as inscrições englobam diferentes épocas, entre 1520 e 1920, registrando sete episódios de seca. Isso foi inusitado, já que normalmente, monções naquele lugar são comuns. Uma monção é uma chuvarada badass, em que chove direto por meses. Ao não chover, severos impactos ambientais foram causados, deixando a vida do pessoal algo bem, bem difícil.

Mas não é só isso!

As informações contidas nas inscrições, combinada com análise química das estalagmites na caverna (os "dentes" debaixo pra cima), comprovam as épocas de seca, pois se tivesse chovido mesmo, a caverna teria se enchido d’água, e "lavaria" tudo. Num registro de 1528 é dito:

A seca ocorreu no 7º ano do período Imperador Jiajing, da Dinastia Ming. Gui Jiang e Sishan Jiang veio a Da’an cidade para reconhecer o Lago Dragão dentro na caverna Dayu.

Mas, maneiro mesmo foi o relato de 1891 (esse da foto acima):

Em 24 de maio, 17º ano do período imperador Guangxu, Dinastia Qing, o prefeito local, Huaizong Zhu levou mais de 200 pessoas na caverna para conseguir água. A cartomante Zhenrong Ran orou por chuva durante a cerimônia.

Hipster Zherong já vinha com bobagens sobre controlar o tempo antes da Fundação Cacique Minhoquinha ser moda.

A pesquisa foi publicada no periódico Scientific Reports (inteirinha. Com foto e tudo). Palavras e relatos vindos do passado. Pessoas importantes (ou nem tanto assim) conversando conosco hoje, fazendo-nos entender como era antigamente, e como nos preparar para o futuro. Dizem que médiuns fazem isso também, mas como sempre, cientistas fazem como melhor eficiência.

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Sobre André Carvalho

και γνωσεσθε την αληθειαν και η αληθεια ελευθερωσει υμας

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  • Barbosa

    Essa história do “estória” eu não sabia.

  • Pois é. Os camponeses chineses dos séculos XVI a XIX já sabiam que existiam mudanças climáticas, mas ainda sim os ministoscos da Ciência e Tecnologia e da Pesca, bem como jornaleiros e cocôlunistas da Veja ainda se recusam em reconhecer o óbvio.