Romanos tinham cimento melhor que o nosso, diz cientista sem noção

Você já pensou porque os grandes edifícios romanos têm suportado milênios ainda em pé, enquanto qualquer prédio nosso cai com qualquer coisinha (estou olhando pra você, Palace 2!). Todo mundo se maravilha achando o máximo (não que não seja), uma maravilha (não que não seja) e um exemplo de técnicas e materiais muito superiores aos de hoje.

Muita hora nessa calma!

Pesquisadores estudam o cimento que os antigos romanos usavam, e num lapso de brilhantismo concluíram que nossa atual tecnologia é uma bosta e deveríamos rever as antigas tecnologias. Isso lembra uma coisa: nunca deixem um vulcanólogo fazer o trabalho de um químico!

A drª Marie D. Jackson é pesquisadora do Departamento de Engenharia Civil e Ambiental da Universidade Califórnia. Sua especialidade são materiais cerâmicos, solos e rochas magmáticas. A bem da verdade, qualquer coisa que saia de um vulcão, como rochas, lava e o professor Lindenbrook, é com ela mesma. Marie Jackson, que pode entender de geologia, mas andou derrapando em certas áreas e não canta tão bem quanto o pessoal do mesmo sobrenome.

Ela analisou… tá, ok: seus estagiários analisaram e ela levou os principais créditos só por ler os relatórios que nosso próprio concreto moderno é suscetível a rachaduras e se desintegra, enquanto antigos espíritos do mal, digo, antigas peças de concreto romano estão bem-bons por aí. A segunda leva de estagiários tentou reproduzir o concreto romano e é aí que o bicho pega para alguém que entende um pouquinho de química, engenharia, administração e economia.

Eu comecei a ler o artigo sobre os "resiliência e mecânica e processos cimentícios… ZZZZZzzzzzZZZZzzzz". Ok, o que eles fizeram foi tascar o cimento romano num aparelho de difração de raios-X.

O que descobriram foi a utilização de cinzas vulcânicas da região da Itália Central. Isso nem é tanta novidade assim, pois o uso materiais pozolânicos usados em construção civil já é bem conhecido há muito tempo, mesmo atualmente.

A equipe de pesquisa começou seus estudos por aquecimento de calcário, transformando-o em cal, o  que chamamos "argamassa" ao se misturar com areia, e água. A diferença é que os romanos adicionavam cinzas vulcânicas, na proporção de três partes de cinzas a uma parte de cal. Até aí, nenhuma novidade.

A maioria dos concretos modernos estão vinculados à base de calcário, como o cimento Portland. Fabricação de cimento Portland requer aquecimento de uma mistura de calcário e argila para 1.450 ºC, um processo que libera carbono suficiente para representar cerca de 7% do montante total de carbono emitido para a atmosfera a cada ano. Sabe o aquecimento global? Agradeça ao seu pedreiro por ter tampado os buracos de sua calçada.

A conclusão da tia pesquisadora é que deveríamos nos voltar para as técnicas romanas, pois até debaixo d’água o cimento endurecia (o que o cimento nosso também faz), mas é muuuuuuuito melhor, pois podia ser usado perto do mar.

PÉÉÉÉÉÉÉÉ, calma aí, tia!

O problema do cimentão comum que compramos na lojinha do seu Lourival é o percentual de magnésio em sua composição, sob a forma de óxido de magnésio. Você, claro, foi um magnífico aluno de Química no ensino médio e sabe que óxidos de metais da família 1 e 2 são óxidos básicos, isto é, em presença de água eles formam a base correspondente do metal. Assim, temos: MgO  + H2O –> Mg(OH)2. Ou seja, temos uma molécula muito maior e, por isso, temos as rachaduras. As análises de Tia M. Jackson apontam para um pequeno engano. Não é APENAS as cinzas vulcânicas que davam a liga e sim o enorme PESO daquela bagaça toda.

Tomemos o exemplo o aqueduto de Segovia. Essa coisa aí foi construída com cimento, mas fundamentalmente o que mantem está joça no lugar é a massa descomunal, e o peso inerente. Mesmo caso é a Pont du Gard. Isso porque os romanos não entendiam muito de química (dica: não entendiam nada, nenhum tratado ou documento estritamente científico publicado eles tinham). Era no olhômetro. Muitas de suas construções estão de pé e com seu cimento ainda nem curado direito. Ou seja, as reações químicas que ocorrem, em especial a hidratação, cessam de ocorrer à medida que o cimento "seca" (na verdade, ele forma hidratos cristalinos, a água não evapora).

Dizer que temos que imitar estas construções é algo sem lógica, pois temos que diminuir os custos, não maximizá-los. E de onde mesmo que o Brasil iria pegar material vulcânico? Isso não iria encarecer o produto, dona?

Outro fator é o tempo. De acordo com M. Jackson, o cimento romano demorava uns 180 dias para endurecer (como eu disse, demorava mais). COMO esperar esse tempo todo, tendo um cronograma? Fácil, né, minha senhora?

O Panteão é realmente lindo de se ver. Mas pensemos no custo e desperdício de material envolvido. Aquilo foi na base de cimento e tijolos, quando hoje poderíamos usar menos material, fazendo uso de vigas de aço.

Eu vejo a pesquisa como mais informações sobre a nossa história, um pouco de nossa cultura e técnicas antigas. Mas, por favor, não vamos achar que aquilo era o suprassumo da tecnologia, ou jogaremos 2000 anos de ciência dos materiais, Física e Química no lixo. Menos, tia. Menos, ok?


Fonte: io9

3 comentários em “Romanos tinham cimento melhor que o nosso, diz cientista sem noção

  1. Você sabe bem que na mistura (composição) do nosso (e da maioria) Portland vai uma quantidade enorme de agregados, provenientes da produção de ferro e aço – escória (bem, tem muito mais coisas em cada tipo), certo? Acredito, acredito, que o grande problema esteja nessa mistura hoje em dia.
    Antigamente (20 anos atrás) eu fabricava um determinado tipo de porta-molde – feito inteiramente com cimento tipo CP III – tecnicamente específico para ambientes agressivos e possui baixo calor de hidratação. Resistiam muito bem às pressões exercidas durante a injeção de duralumínio. Há dois anos, um antigo cliente solicitou os projetos e eu forneci com as devidas especificações – resumindo: O porta molde (dentro das especificações anteriores) não suportam mais as mesmas condições de trabalho. Algo está errado no nosso cimento, mesmo.
    Concordo plenamente que o cimento moderno é bem melhor que os antigos, mesmo porque, temos cimento para todo tipo de obra e finalidade hoje em dia.

  2. André, duas pequenas correções:
    – em vez de “três partes cinzas” deve ser “três partes de cinzas”
    – a frase “Ou seja, temos uma molécula muito maior em, por isso, temos as rachaduras.” tem alguma palavra faltando, acho.

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