Pesquisadores usam nanopartículas para evitar hemorragias

Sangramento não é legal. A vida da gente se esvai, literalmente, ainda mais quando se é portador de doenças que dificultam a coagulação do sangue que eventualmente serviria para servir de tampão, para que mais sangue não saia correndo. Seria legal ter alguma forma de impedir sangramentos, não é? Seria mais legal se usarmos nanopartículas, já que, vocês sabem, nanopartículas são maneiras e assim como bluetooth, tudo fica melhor com elas.

O problema é inventar algo do zero. Mas só um perfeito idiota vai reinventar algo do zero, se podemos imitar o que a Natureza vem testando a 3 bilhões de anos, premiando as experiências que mais deram certo.

O dr. Samir Mitragotri é pesquisador do Departamento de Engenharia Química no Centro de Bioengenharia da Universidade de Santa Bárbara, que não é conhecida como "Iansã" lá, nos EUA. Sabendo que se o corpo humano tem um bom (se não perfeito, pois nada na Natureza é perfeitinho) sistema que impede que a gente fique sangrando por qualquer cortezinho (exceto algumas pessoas, pois eu acabei de dizer que nada é perfeitinho), Mitragotri – que parece nome de monstro que enfrenta o Spectreman –apelou para o uso de nanopartículas.

Essas nanopartículas foram projetadas para imitar a forma, a flexibilidade e a superfície de nossas próprias plaquetas, criaturinhas alegres que são responsáveis por formar a coagulação sanguínea e criar aquelas casquinhas que todas as crianças amam de ficar tirando. As nanopartículas usadas são capazes de acelerar os processos de cura natural ao abrir a porta para as terapias e tratamentos que podem ser personalizadas para as necessidades específicas do paciente.

Então, a pergunta: o que impede as plaquetas de formarem coágulos, tampar as artérias, ir até o cérebro e nos dar uma morte estúpida? Bem, às vezes isso pode acontecer, mas não com a maioria das pessoas. Durante a circulação sanguínea, as plaquetas estão sim, presentes no sangue, mas estão inertes. Quando ocorre uma lesão as queridas plaquetinhas, recebem estímulos químicos e, por causa de seu formato, começam a se reunir nas paredes do vaso sanguíneo afetado. Nisso, essas plaquetas liberam substâncias químicas que servem de sinal químico para outras plaquetas e assim o coágulo começa a se formar. Pessoas com dificuldade de coagulação não liberam ()ou liberam muito pouco) esse sinal químico, e a pessoa tem que ser levada para o hospital com urgência para que esses sinais químicos sejam injetados na marra.

Por outro lado, pessoas com alta liberação desse sinal químico podem ter problemas, pois podem formar coágulos de forma errada e estes acabarão indo parar onde não devem, bloqueando a passagem de sangue e fazendo as células morrerem de forma, acarretando morte dos tecidos. Isso sem falar em medicamentos anti-coagulação aplicados exageradamente ou outra zica que pode ocorrer.

Como a moda são nanopartículas, vamos a elas. Basta se criar algumas com o formato de plaquetas que se comportam exatamente como as originais, e que possam ser adicionadas ao fluxo de sangue para suprir ou aumentar a oferta de plaquetas naturais do paciente.

É isso o que a equipe do dr. Gori dr. Mitragotri pesquisa e publicaram na ACS Nano.

O baixo custo dessa técnica e uma duração melhor do que usar plaquetas humanas, fazem disso um futuro promissor pra quem anda bem ferrado da saúde em termos de coagulação, apesar dessa frase não estar descrita no artigo, embora ainda não deixa de ser verdade. A técnica promete novos usos, com menos riscos de infecção ou levar nanopartículas até o cérebro para servirem de informantes sobre o que está acontecendo naquela massa emaranhada de gambiarras evolutivas.

Tudo tem que começar de algum jeito, muitas vezes acarretando outras descobertas.


Fonte: Press release da Universidade de Iansã, digo, Santa Bárbara

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