O lago da Groenlândia que nos ensina sobre o clima

Quando eu era garoto, eu lia sobre a Groenlândia e imaginava um imenso monte de nada. Não conseguia imaginar qual a importância daquele lugar esquecido, rodeado de gelo por todos os lados, que se tivesse esquimó, estava com sorte (sim, eu sei. Na época eu não sabia). Glaciologistas, entretanto, sabem muito bem o que encontrar na Groenlândia: pistas sobre o que aconteceu, está acontecendo e ajuda a prever o que irá acontecer com o clima do planeta.

O dr. Richard R. Forster – além de ter um site deprimente que informa que é professor do Departamento de Geografia da Universidade de Utah – gosta de um gelinho e temperaturas amenas de vários graus abaixo de zero. Junto com a drª Lora Koenig, glaciologista do Laboratório de Ciências da Criosfera do Goddard Space Flight Center da NASA (mas com um site melhorzinho) resolveram estudar como anda a evolução da variância de temperatura global. Em outras palavras, eles estudam o aquecimento global, que juntamente com a Evolução não existe, mas esqueceram de falar pro mundo natural.

A dupla dinâmica, junto com outros colaboradores (aka, estagiários) encontrou uma nova fonte de informação, ainda que não jorre. Esta fonte não é bem uma fonte e sim um lago subterrâneo, um aquífero. Este aquífero é pequenininho, sabem? Ele tem uma área de cerca de 69.930km2, ou seja, 1,6 vezes a área do estado do Rio de Janeiro, e como aqui não é o Fantástico, não irei traduzir isso em número de campos de futebol.

Este imenso lago subterrâneo está debaixo do gelo na Groenlândia, lugarzinho aprazível que vive em temperaturas abaixo de zero grau Celsius, o que garante uma bela camada de gelo por lá.

Desde 2011, Forster e a peãozada andaram perfurando aquele lugar ate dar de cara com o imenso aquífero e, bem, já que está lá, que tal dar uma analisada assim, como quem não quer nada?

Mas como pode ter esse imenso lago de água pura lá, com temperaturas absurdamente baixas (em torno de 18ºC)? Simples: a água possui um alto calor específico. Isso faz com que ela seja um péssimo condutor de calor, servindo como isolante térmico. É por isso que esquimós podem construir seus iglus e ficarem lá dentro, bem quentinhos (para o padrão de Pólo Norte, é claro). Assim, a imensa capa de gelo funciona como isolante, e a água líquida mal chega a zero grau celsius, garantindo que esteja no estado líquido.

O lago possui um volume de cerca de 154 bilhões de toneladas de água! Se ele fosse para o mar, mal seria sentido, pois o aumento no nível oceânico mal chegaria a 0,04 cm no mundo todo. Então, por que aquele lago é importante? Porque ele não deveria estar lá. Ele veio do derretimento do gelo da própria Groenlândia, pouco importando os toscos que dizem que o gelo da Antártida está aumentando; o que não é bem verdade, mas mesmo que fosse, devemos ter em mente que não podemos analisar o gelo em termos de área e sim volume. É o mesmo que eu colocar num copo com água de 300 mL uns quatro cubos de gelo, eles tomarem toda a superfície e eu declarar que toda a água do copo está congelada.A pesquisa foi publicada na Nature Geoscience (gráficos e material suplementar em PDF pode ser acessado AQUI).

A verdade é que o ritmo de perda de gelo na Groenlândia se acelerou, já que o degelo a uma taxa de 121 bilhões de toneladas ao ano, no período de 1993 a 2005 passou para  229 bilhões de toneladas ao ano, entre os anos de 2005 e 2010. Estudando o aquífero, os cientistas esperam prever o que acontecerá, mantendo o ritmo atual de aceleração do degelo, o que acontecerá com a Groenlândia nos próximos anos, e estudar medidas de forma a impedir isso, retardar isso ou sentar e chorar, mesmo.

Por que deveríamos nos importar com a Groenlândia? Porque se todo aquele gelo derreter, o nível dos oceanos no mundo todo subirão a cerca de 6m. Pense no que acontecerá com casas, condomínios, lojas etc que estiver próximo às praias. Se no Rio e São Paulo já é uma catástrofe cada vez que chove, imaginem com a água do oceano logo ali na esquina. Acho que vou morar no Mauna Loa. É bem alto e quentinho. Me disseram que um lugar muito legal para se construir uma casa.

22 comentários em “O lago da Groenlândia que nos ensina sobre o clima

  1. André, você comenta no artigo sobre uma possível mal interpretação sobre o gelo na Antártida. Como analisar este gráfico da National Snow e Data Center?

    Ademais, acredito (não sei, apenas acredito) que a Groelandia já foi um belo jardim, ou seja, já houve aquecimento antes e todo mundo sobreviveu e no gelo de hoje em dia nem urso mora direito. Aquecimento Global não vai acabar com o planeta, vai acabar com essa racinha nojenta, que vive sobre ele.

      1. @André, Tive a impressão de estar aumentando. A linha azul partiu de quase 19 milhões de km2, acima dos outros momentos. Onde foi que interpretei errado?

          1. @André, ver que as linhas descem eu vi, só interpretei como sendo um ciclo anual (eixo x). No ciclo a área coberta iniciou em 19 milhões de km2, um pouco acima do ciclo anterior e anteriores. Foi o que entendi.

          2. @André, Desculpa me intrometer, eu não sou negacionista, até por que o 5º relatório do IPCC não me deixa mentir.
            MAS, esse gráfico que o observer “questiona” está mostrando que o verão do hemisfério sul em 2013-2014 está conservando mais gelo do que nos anos passados.

            Se esses dados são confiáveis, já são outros quinhentos… Além disso, a forma como eles estão sendo apresentados então, é no mínimo questionável. Existem apenas dois anos isolados o resto está jogado em vala comum, com uma “média” dos anos de 1981 a 2010. Assim fica fácil distorcer padrões. Por que não colocam as linhas anuais pra começo de conversa?

            E André, eu sei que eles torram a paciência, mas não é muito católico da sua parte ficar tirando sarro dessas pessoas!! :lol: :lol: :lol:

          3. @PianoCat, foi a mesma impressão que tive ao olhar o gráfico mas não questionei, apenas fiz uma observação sobre os dados apresentados por uma entidade oficial, teoricamente engajada às diretrizes vigentes. Se eles não são confiaveis já é outra questão, vamos reclamar com o Francisco.
            André, o gráfico vai apresentar altos e baixos, no decorrer do ano, já que iniciou em oiutubro e ainda estamos em janeiro, acdredito que seja ciclico, posso estar errado.

          4. @PianoCat, é ciclico mesmo:
            “Sea ice is frozen seawater that floats on the ocean surface. Blanketing millions of square kilometers, sea ice forms and melts with the polar seasons, affecting both human activity and biological habitat. In the Arctic, some sea ice persists year after year, whereas almost all Southern Ocean or Antarctic sea ice is “seasonal ice,” meaning it melts away and reforms annually. While both Arctic and Antarctic ice are of vital importance to the marine mammals and birds for which they are habitats, sea ice in the Arctic appears to play a more crucial role in regulating climate.”

    1. @PianoCat, que tal? Sim, vejo diminuindo e onde esta o problema? Foi o aquecimento? E dai? No artico esta diminuindo, na antártida aumentando. Tanto faz.
      Postei, pois o André queria saber dos últimos 5 anos para ver se era cíclico mesmo e porque você questionou sobre a validade dos dados que estavam jogados em vala comum. Eu não estou questionando sobre aquecimento.
      Estava só mostrando uma possível anomalia que vai de encontro às notícias sobre derretimento das geleiras

      1. Para mim, um aquecimento geral é bem vindo e espero que ocorra mesmo.

        Ele acha que o planeta todo vai aquecer. Vc só está escrevendo besteira em cima de besteira.

        1. @André, nãooo André, não acho isso mas quem cunhou o termo AQUECIMENTO GLOBAL (isso sugere o quê?) não fui eu.
          Mas eu não estava comentando sobre este assunto e sim sobre um suposto aumento da massa gelada na Antártida – e apenas comentando e não afirmando nada e nem preocupando-me com aquecimento global (mudei, fica melhor assim?).

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