Cientistas analisam ocorrência de diabetes em indivíduos latinos

A diabetes mellitus tipo 2 também é chamada diabetes tardia. Ela diferencia-se da tipo 1 pois esta última é devida da total ausência de insulina no corpo e, caso você tenha frequentado um colégio, sabe-se muito bem que para a tipo 1 é preciso injeções de insulina. A tipo 2 não é mais tranquilinha. Para entendermos como o inimigo se comporta, é preciso saber de onde ele veio, como apareceu e como ataca. Se não temos todas as respostas sobre como essa doença surgiu, pelo menos sabemos como ela apareceu em latinos. É o que a pesquisa sobre as mutações genéticas ocorridas em indivíduos que dariam origem a povos latinos.

Por que estudar latinos? Simplesmente porque a ocorrência de diabetes tipo 2 em indivíduos latinos hoje é quase duas vezes maior do que caucasianos e negros. Se há uma pergunta, a Ciência busca a resposta.

O dr. David Altshuler é geneticista da Universidade Havard e trabalha no Instituto Broad. Ele e seus colaboradores estudam as origens da diabetes e nada melhor que ver a história genética do desenvolvimento dessa doença. Se criacionistas estivessem certos, nos conformaríamos que as coisas são porque são e nada poderíamos fazer sobre isso. Se contos de fadas ajudassem em algo, ficaríamos beijando moças com narcolepsia, ou em coma, para ver se despertam.

Altshuler e seus colaboradores descobriram indícios de que os seres humanos ganharam de presente (de grego), através de mutações, genes que são responsáveis pela diabetes. Rastreando a origem desses genes, os pesquisadores identificaram que eles safadinhos (os genes e não os pesquisadores) apareceram em alguns de nossos parentes, há cerca de 30.000 anos! Que parentes eram eles? Neandertais. Sim, neandertais são mais que uma curiosidade científica. Eles têm muitas explicações sobre como somos o que somos; mas até agora não se tinha feito nenhuma ligação entre neandertais e as origens da diabetes. Bem, para tudo há uma primeira vez!

Claro, ninguém aqui é maluco de afirmar com certeza que neandertais eram diabéticos. Não basta ter o gene, ele precisa ser expresso, o que não se sabe se ocorreu nos neandertais, mas Altshuler tem plena certeza que, ao menos, a sequência genética referente à doença veio deles, sim.Mas, como linkar isso com o que acontece com populações de origem latina?

O bom doutor Altshuler e sua equipe analisaram o DNA de mais de 8.000 moradores do México e as pessoas que viviam na América Latina. Essas pessoas tinham uma mistura de ascendência americana, europeus e indígenas. Foram encontrados muitos genes já reconhecidos por ter relação com a diabetes, mas além disso, foi encontrado uma nova sequência que muito provavelmente está envolvida no metabolismo da gordura. Mutações nesse gene aumenta o risco de uma pessoa de contrair diabetes tipo 2 em cerca de 20%, e isso não é pouca coisa. Se a pessoa tem duas cópias das mutações — uma de cada um dos pais — o risco aumenta em cerca de 40%.

Uma observação sardônica e não diretamente relacionada com o presente artigo: O bando de idiotas que defendem pureza étnica e raça pura (seja lá o que isso signifique, lembramos que tanto o pai quanto a mãe teriam genes recessivos que seriam expressos, aumentando e muito o risco de doenças recessivas, mas muito perigosas. Parabéns a vocês, idiotas, que acham que devem “limpar” sua reserva genética. Tio Darwin está vendo!

Voltando ao assunto, filhos de caucasianos (brancos, sua mula!) e povos de origem latina, como mexicanos (e, praticamente para os norte-americanos, do Texas pra baixo é tudo mexicano), a tendência para o diabetes tipo 2 vai de cerca de 13 para 19%, caso herdem duas cópias das mutações. Para caucasianos, o risco fica aumentado para cerca de 11%, caso ambos os pais tragam a mutação em seu código genético.

HEHEHE, isso mostra que caucasianos não deveriam se meter com os panchos. Certo?

É, seu idiota, se você esquecer de outros “probleminhas” que caucasianos carregam em suas letrinhas do código genético, como maior risco de doenças alérgicas e coques anafiláticos com picadas de aelhas, por exemplo. Então, pegue sua eugenia e enfie na bunda!

Altshuler ressalta que não é porque as pessoas trazem o gene que atualmente contrairão a doença, mas, claro, isso aumenta bem a tendência. Saber que as origens desrte gene remonta aos nossos companheiros neandertais não implica em “UAU AGORA A DIABETES TEM CURA!”. É uma informação a mais, mas mesmo ma pequena peças do quebra-cabeças pode ser crucial em desvendar todo o panorama.

A pesquisa foi publicada no periódico Nature.

2 comentários em “Cientistas analisam ocorrência de diabetes em indivíduos latinos

  1. Qualquer avanço ou esforço em busca na melhoria da qualidade de vida dos diabéticos é louvável, tenho um grande amigo que possui a diabetes tipo 2, o que traz a ele muito sofrimento devido uma série de restrições que isso acarreta em sua vida.

    Mudando de assunto, é intrigante, geralmente a miscigenação entre animais de mesma espécie com características genéticas diferentes é benéfica, os mestiços são mais adaptados e resistentes, mas em alguns casos, como exemplificado acima, pode ser desfavorável. A biologia e genética me fascinam, sou latino (pelo que tenho conhecimento possuo traços genéticos de índios brasileiros, negros e europeus) e sou casado com uma chinesa, nosso filho, portanto, possui uma variedade de genes enorme, o que me deixa curioso até que ponto isto é benéfico ou prejudicial.

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  2. Extremamente importante estes estudos na evolução humana e acredito, também, que é mais importante detectarmos a maneira correta de manejar o diabetes. Eu FAZIA parte desse grupo de doentes.

    “Altshuler (saúde!) ressalta que não é porque as pessoas trazem o gene que atualmente contrairão a doença, mas, claro, isso aumenta bem a tendência.”,

    quanto a isso é só evitar o que causa e mantém a doença: OS HIDRATOS DE CARBONO, nas suas mais variadas formas – pães, doces, refrigerantes, macarrão, batata frita e tudo mais que é derivado de trigo ou que contenha frutose, sacarose ou outras “oses” existentes.

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