Mais pessoas têm acesso à comida. Uma boa notícia, certo?

ERRADO!

Sim, eu sei que parece maluquice, mas essa é a realidade, que está se lixando pro que possamos pensar. A verdade é o que muitos têm cansando de falar há décadas, mas os imediatistas fingem não escutar: não basta dar comida para as pessoas. Mas, então, o que está acontecendo com o mundo?

Miina Porkka é doutoranda na Universidade de Aalto, que fica na Finlândia. Ela estuda o histórico do combate à fome no mundo, desde a década de 1960. Ela sabe que a meta dos governos é alcançar a segurança alimentar global,e melhor ainda que isso é uma dor de cabeças sem precedentes. Sua pesquisa apresenta uma análise histórica da disponibilidade global de alimentos, calculando nível nacional de fornecimento de energia na dieta e produção por nove etapas de tempo durante 40 anos, entre 1965 e 2005.

Os dados mostram uma enorme surpresa para puros de coração que acham que demagogias como Fome Zero resolvem alguma coisa. O Brasil é um dos maiores produtores de alimentos do mundo e mesmo assim tem gente passando fome. Eu sei a resposta e menina Porkka, pelo visto, também sabe: não é uma questão de ter a comida e sim fazer chegar até as pessoas, e mesmo que chegue, deve-se analisar o significado disso.

Quando se critica ações como o Fome Zero, ajuda da ONU às criancinhas famintas da África ou alguma coisa nesse sentido, num instantinho os cordeirinhos vêm chamando de nazista, reacionário, feio, bobo, chato, membro d partido que se não gosta etc.

A verdade dói e a verdade é que esmo tendo um dos maiores números de colégios públicos do mundo, a cidade do Rio de Janeiro ainda tem analfabetos. Por quê? Não basta ter escolas e professores? Não, assim como dar prato de comida não resolve. É importante, pois nem mesmo o mais tirano dos governos é maluco de negar comida à sua população. Bem… teve o caso da crise da batata, na Irlanda, nem meados do século XIX.

A pesquisa mostra que o comércio transfronteiriço em alimentos tem subido nos últimos 50 anos. Os maiores exportadores são os EUA , Canadá, Austrália, Argentina e Brasil. A oferta de calorias de nutrição de origem animal aumentou 2,6 vezes. Mas ainda há gente passando fome, simplesmente por questões de ineficiência administrativa. Indo em qualquer CEASA ou CEAGESP da vida, vemos o quanto se perde de comida. Voltando o trajeto que os caminhões fazem, vemos o quanto fica pelo caminho, nem que seja partes do caminhão ou o corpo de algum caminhoneiro que foi assaltado. Isso encarece custos e contribui para dificultar a chegada dos alimentos, além da brutal ganância de atravessadores e uso indevido de subsídios, onde se ganha verba do governo para se produzir álcool, produz-se açúcar, exporta-se tudo e temos que importar etanos dos EUA.

Lembram-se da Ação da Cidadania Contra a Fome, a Miséria e pela Vida, do único sociólogo que eu respeitei, o Herbert de Souza, o Betinho? Sorry, não deu em nada. Mas ajudou muito político ser eleito e eleger seus sucessores. A verdade é que não resolvemos nada e a pesquisa da mnina Porkka, publicada na PLoS One, mostra um outro lado nefasto: O aumento na produção de alimentos vem prejudicando os recursos naturais em alguns lugares, pois mais terra é colocada para agricultura, mais fertilizantes e pesticidas são utilizados, desequilíbrio climático e mais energia é necessária para produzir e transportar alimentos.

Curiosamente, isso ainda trouxe um problema inesperado: excesso de dietas calóricas aumentando o peso das pessoas, levando-as à obesidade. Sim, é bastante irônico.

Sim, há muito o que se fazer. Discursos e doação de pratos de comida só servem para tribunas eleitorais e para diminuir a consciência culpada. Isso não ajudará as pobres criancinhas na África, no Brasil, Laos, Maldivas e qualquer outro lugar (engraçado como só lembram da África). Se ocê apenas acha que doar alimentos resolve, está sendo omisso. Se finge se importar e come uma lauta ceia no Natal e Reveillon, é hipócrita. Se você faz tudo isso e ainda ganha dinheiro com isso, é candidato a um cargo político e bem capaz de ser eleito.

3 comentários em “Mais pessoas têm acesso à comida. Uma boa notícia, certo?

  1. Esse é um caso complicado, que na minha opinião não tem solução!
    Qualquer solução dependeria da boa vontade humana e fim da ganância, mas sabemos que por mais que tenha gente que diz que ajuda, o ser humano quer é ver o outro se estrepando!

  2. A raça humana a décadas já possui tecnologia e “logística” para dizimar a fome no mundo, o que ocorre é realmente a falta de vontade política. Acabar com a fome no continente Africano? Claro que não, miseráveis da Àfrica são a mão de obra semi-escrava mais barata do planeta. Fome no Brasil? Fácil, vamos distribuir “bolsa dependência” para todo mundo, afinal são uma massa de votos extremamente flexível capaz de reeleger incompetentes “ad infinitum”.

    Em suma, tal assunto não possui solução. Kelsen para defender a normatização da vida em sociedade dizia mais ou menos assim: “O ser humano é naturalmente maligno, ambicioso e egoísta, e, só atua em prol ou de acordo com a sociedade se obtiver algum benefício, ou, por medo de futuras sanções”. Não concordo que sejamos naturalmente malignos, ambiciosos e egoístas, acho que isso é um reflexo do ambiente em que somos criados e de nossas sociedades corrompidas, mas de fato, atualmente, é raro ver “bons samaritanos” que busquem soluções para humanidade, tal como acabar com o fome, só porque é o moralmente correto, sem buscar nenhum benefício.

  3. 1º – Que essa mina (literalmente) não vá morar em um país de língua portuguesa.
    2º – Ouvir que homem é naturalmente bom, naturalmente mal, etc, sociável, egoísta, etc, me dá um troço.
    3º – Todo mundo sabe as verdadeiras causas da fome (exceto o nosso querido, deputado Feliciano). Falar sobre isso seria chover no molhado.
    4º – Sinceramente falando, lembrar-me-ei da fome do mundo depois do ano novo. (Sério!!! Tanto pelo lado bom, quanto pelo mal)
    5º – Querido Deputado! Credo! Nem de brincadeira deveria falar uma coisa dessas.

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