Cientista roda o erlenmeyer e coloca os podres da burocracia científica pra fora

Já me perguntaram por que eu não me dediquei à Ciência, se gosto tanto dela. A resposta é simples e emocionante: não sou uma pessoa pura, boa e paciente. Eu vi de perto como funciona o meio acadêmico no Brasil e concluí que era preferível trabalhar em loja de presentes no meio da 25 de março em pleno Natal. Quando se trabalha num lugar como o Museu Nacional e vê o pessoal quase saindo na porrada por causa de um litro de álcool, você vê que há algo de errado (na verdade, quem estava brigando eram os estagiários, pois os senhores, professores, doutores do cacete a quatro não iam trabalhar. Só apareciam no fim do mês para assinar o ponto).

Muitos pesquisadores sérios se viram nos 30, 60 e 90 para trazer um pouco de conhecimento a este país que parece odiar Ciência. Uma delas é a dra Lygia da Veiga Pereira e esta, esta é a sua SEXTA INSANA!

A dra Lygia não é quase nada. Só tem doutorado em genética molecular pelo Mount Sinai Medical Center de Nova York, é considerada uma das maiores especialistas mundiais em células tronco, fez parte do grupo que desenvolveu a primeira linhagem 100% nacional de células embrionárias humanas entre algumas outras poucas coisas.

Não. Eu sou um bundão. Você é um bundão. M’lady Lygia Pereira, não. Ninguém que é professora titular de Genética Humana e chefe do Laboratório Nacional de Células Tronco Embrionárias da USP é bundão. Idiotas que dão aula pra ensino médio, lidam com professores retardados que mal sabem usar um e-mail e aturam pedagogos débeis mentais (desculpem o pleonasmo) e mantém blogs como o meu somos bundões. E por causa da insânia que e conseguir as coisas aqui, resvalamos no Twilight Zone, uma região entre a luz e a sombra, a ciência e a superstição. Este lugar é o Brasil e abaixo segue o desabafo da Lygia com o texto: Eu não aguento mais!

Nele, Lygia conta as desventuras de esperar liberação de material de trabalho, como células-tronco, as quais foram enviadas de Boston na 3a feira, dia 3/12, à noite, chegaram a Campinas na tarde do dia seguinte, 4a feira, e aí… Bem, sabe como são as coisas no Brasil. Na 6a feira, às 11:00, recebemos um e-mail da FedEx dizendo que a remessa “foi selecionada para inspeção pelo Ministério da Saúde (ANVISA), que como todo bom órgão público, pediu trocentos documentos, só faltando pedir CDF de cada célula-tronco, já que o bando de retardados acham que célula-tronco, assim como Soylent Green, é gente.

A verdade é: as coisas funcionam na base do "Quem você conhece?" Eu até reclamaria, pois tenho importantíssimas compras efetuadas em setembro e elas estão dando voltinhas pelas cidades brasileiras (tudo da Deal Extreme!).

Depois, quando eu falo que o Brasil odeia Ci^`encia, vai ter gente dizendo que não, que estávamos piores, mas melhor a cada dia.

Pois, sim!

6 comentários em “Cientista roda o erlenmeyer e coloca os podres da burocracia científica pra fora

  1. “Obs: Orientamos ao preencher a declaração, evitar termos muito técnicos ou nomes de difícil entendimento para facilitar a compreensão..”

    Eu não sei se eu rio ou eu choro lendo isso…

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  2. Sério, é difícil de acreditar. Como assim colocam uma pessoa que não entende do assunto pra analisar esse tipo de coisa??

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  3. Me lembro de uma situação parecida quando trabalhava numa empresa que importava filmes aluminizados. Estes filmes são super sensíveis a oxigênio, e vinham com um aviso enorme, escrito em vários idiomas: “Abrir somente em ambiente controlado”. O que os imbecis da alfandega faziam? Abriam TODOS os pacotes lá no porto…….
    Outra coisa: Quando o Romário surpreendeu propondo uma lei que facilitava a importação de material de pesquisa, ele ainda foi criticado……

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