Na Índia, vaca sagrada vira x-tudo e estamos conversados

Kamadhenu não é pouca merda, não. Ela pertence ao deus Indra, o deus das tempestades da religião hindu. Uma espécie de Iansã que passeia de elefante. Kamadhenu tem o poder de enfurecer os seres e transformá-los em monstros incontroláveis dar ao seu dono tudo o que ele quiser. Indra, portanto, apesar de ter sido chutado do comando sobre todos os demais deuses, ainda é muito rico e poderoso. O detalhe é que Kamadhenu é uma vaca (no sentido zoológico e não por ter dado uns rolés na rua Augusta nas perdidas da madrugada) e, por causa disso, vacas são consideradas sagradas, ninguém pode passar a mão na bunda delas, digo, ninguém pode sequer mexer com elas e muito menos matar. Matar deuses dá um azar danado.

Como nada supera a engenhosidade humana na hora de fazer merda, e levando em conta que o Capitalismo dá aos seus clientes o que eles querem, apareceu uma espécie de mercado-negro de vacas na Índia, tendo em vista uma única coisa: churrasco!

No meu panteão gastronômico, poucas coisas superam um bom churrasco. Bacon, por exemplo. Vem a nós o nosso bacon assim no almoço como no jantar. E pelo visto, no de muita gente também. Mas, entretanto, todavia, contudo, não obstante, religiões existem para tirar da gente a pouca satisfação que podemos ter. Sexo é pecado, bife é pecado, bacon é pecado, inseto com 4 patas é pecado (mas hein?) e meter a porrada em gente com problemas de esquizofrenia crônica que vê fantasminha também é pecado. Que mundo sem graça!

Só que mais fortes são os poderes da Economia. Você quer uma coisa que eu posso fornecer? (não interessa como eu consegui). ‘Tamos aí, podemos negociar. Daí que por causa da “santidade” das vacas, não se pode comer bife na Índia.  Assim,quando a noite cai, a lua cheia brilha e Michael Jackson dança Thriller, gangues saem às ruas à procura de vacas (bicho), e são levadas em caminhões. Isso parece até enredo da Glória Perez!

O BOPE de Gandhi disse que intensificou o patrulhamento afim de catar os rouba-vaca, e te parece que pegaram uns sujeitos com a boca na botija. Só falta prender o 1 bilhão restante.

Próxima etapa, algum filme sobre isso ser feito em Bollywood. Estou até imaginando. O bandido com cara de faquir e seus asseclas pegando a vaquinha e chega o capitão Pranayama Nascimento – interpretado pelo Prabhu Deva – om um bigodão preto maior que o do Aloízio Mercadante e baixa a porrada em todo mundo. Um corte de cena e Pranayama aparece cantando e dançando num vídeo-clipe, com algumas gostosas rebolando ao som de Rivaldo Sai Desse Lago.

A vagabundada pega as vaquinhas e as transformam em contra-filé para vender no mercado negro. Hoje não tem mais essa de animal sagrado. Bobeou, vai pra panela, mesmo entre muçulmanos (eles não têm restrições a picanha e sim ao carré) , dalits e o tio que puxa carroça. Mesmo porque, alimentar mais de 1 bilhão e 200 milhões de habitantes não é mole, mesmo para um país que é o maior exportador de leite e carne bovina do mundo. Logo, religião fica de lado na hora de matar a fome, que é como tem que ser.

Só que ainda não é dessa vez. Pessoal com peninha está criando abrigos pro gado no entorno da região metropolitana. Um dos maiores é o Shri Mataji Gaushala, onde milhares de cabeças de gado vivem em cerca de 17 hectares, em melhores condições que os indianos pobres, os muito pobres e os completamente ferrados. Mas não. O governo prefere salvar vaquinha mumu. Eu não entendo esta bosta desse mundo!


Fonte: G1

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