Agricultura ajudou a fazer cães serem cães

Todos sabemos (ou deveriam saber) que cães e lobos são membros da mesma espécie; a saber, Canis lupus. O seu lindo e valente yorkshire é praticamente uma máquina assassina. Ele devoraria você inteirinho, mas como não é grande o suficiente, se contenta em destruir os seus chinelos. Há milênios, lobos perceberam que ficar perto de seres humanos dava caldo… e carne, galinha e qualquer resto de comida. Surgiu uma amizade aí, onde enquanto os canídeos serviam de guarda para dar alarme, os hominídeos ofereciam abrigo, comida e água. Com o tempo,. os lobos foram domesticados e a Seleção Natural fez o resto.

Agora, pesquisas indicam que um dos pontos cruciais para a domesticação dos lobos, que se tornariam os tataravós do seu poderoso chiuaua foi a passagem da fase de caçadores-coletores para fazendeiros, com o surgimento da agricultura.

De acordo com marcadores genéticos, pesquisadores como o dr. Ben Sacks — que não confundiu sua mulher com um chapéu, mas é diretor da Unidade de Conservação e Diversidade Canina – acharam a a peça que faltava no quebra-cabeça de quando antigos cães expandiram seus domínios do Sudeste Asiático, tomando por base a taxa de mutações genéticas no cromossomo Y dos cães.

Há milhares de anos, durante migrações humanas, os cães, originalmente surgidos no Oriente Médio e na Europa, mudaram de casa junto com os seus companheiros humanos, que na verdade eram agricultores, mas não tinham abandonado o nomadismo ainda. Assim, os amiguinhos quadrúpedes acabaram isolando-se geograficamente de seus parentes, e ambos seguiram caminhos evolutivos diferentes, mas não tão diferentes a ponto de se tornarem espécies biológicas diferentes.

Primariamente, os primeiros cães viram a luz do dia há cerca de 14 mil anos, na Europa e no Oriente Médio, mas os cães do sudeste asiático só surgiram há cerca de 7.000 anos. Entretanto, muitos marcadores genéticos evidenciam que determinadas espécies de cães chegaram à Europa vindo DA Ásia. Mas, se eles surgiram na Ásia DEPOIS, como essas espécies deram as caras na Europa depois dos asiáticos surgirem?

O que aconteceu foi que as duas coisas aconteceram ao mesmo tempo. Algumas espécies surgiram na Europa, depois outras espécies surgiram na Ásia e estas espécies acompanharam seus donos agricultores, vindos do sul do rio Yangtzé, na atual China.

Os cães surgidos na Europa continuaram a cruzar com lobos, e como ambos pertencem à mesma espécie, seus filhotes nascem férteis. Os cães vindos da China não fizeram isso, o que acabou por distanciá-los mais, em termos genéticos, do que seus colegas selvagens, mas não a ponto de formarem uma outra espécie, mas com características próprias. Por exemplo, lobos não conseguem digerir direito amido, coisa que cães fazem com os pés nas costas. Em outras palavras, cães são onívoros e podem traçar um prato de deliciosas batatinhas facilmente, enquanto lobos não conseguem.

A história da influência humana sobre as espécies recebe mais um capítulo. Muitos idiotas acham que os bichos deveriam ser soltos e "livres", mas devemos lembrar que eles, os cães´, é que nos escolheram. Escolheram pois era o melhor a ser feito. Então, não impactamos tanto assim em suas vidas, creio que muito pelo contrário. Passamos a não ficarmos sozinhos, a não ter medo do escuro etc. Enfim, se ajudamos lobos a se tornarem cães, esses cães nos domesticaram e fizeram com que passássemos a sermos mais humanos.

Bem, pelo menos, eles tentaram.


Fonte: UC Davis

8 comentários em “Agricultura ajudou a fazer cães serem cães

  1. Sugestão de preciosismo: trocar “algumas espécies surgiram” por “algumas variedades surgiram”, visto que são ainda a mesma espécie.

  2. O último parágrafo me lembrou dos vegans/ecochatos que acha que devemos abandonar o consumod e carne. Algum deles já parou para pensar o que vai acontecer com os milhões de cabeças de gado soltos que ficariam por aí?

    1. @JCFerranti, Se de um lado a criação de animais para o abate gera sofrimento para os mesmos, por outro lado também permite que vivam bem durante anos. E a população de milhões de bisões americanos que hoje não existem mais, com suas pradarias ocupadas por produção agrícola? Os enormes rebanhos de gnús, búfalos africanos e elefantes estão indo pelo mesmo caminho. Qual prato da balança pesa mais?

  3. Na época de garoto lá em casa sempre teve cachorro, meu pai gostava. Hoje não tenho espaço para criá-los. Só não concordo com essa mania que certas pessoas têm de dormir com o cachorro, deixá-lo lamber a cara, subir no sofá… enfim. Lugar de cachorro é no quintal!

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