Dentes dos antigos eram melhores que o seu

Costumamos pensar que muito antigamente (e eu falo "mais antigamente" do que o tempo das fitas K7, calças boca de sino e discos de 78 rotações), o homem era bem mais tosco quanto os de hoje. Era uma época linda, sem luz elétrica, água encanada, saneamento básico, acesso a medicamentos, escolas etc. Praticamente como é muitas partes do Brasil hoje. Entretanto, estudos indicam que o pessoal dessa época não tinha tantos problemas bucais como fazemos crer, como defende pesquisadores australianos.

O dr. Alan Cooper* tem nome de agente secreto mas na verdade é bioquímico e trabalha no Centro Australiano de DNA Antigo (na verdade, ele é o diretor), da Universidade de Adelaide, que não é paraguaia e sim uma universidade australiana. Não, não há cangurus passeando pelo campus.

Segundo pesquisas, o pessoal que vivia na era pré-centífica, pré-histórica, pré-tudo etc não tinham acesso a nada. Segundo Scott Adams, o sujeito tinha uma expectativa de uns 18 anos e aos 12 estava pedindo pra morrer. Ainda assim, caçadores-coletores tinham bons dentes, como seria necessário, já que quebrar carapaças de mariscos não era tarefa fácil, assim como muitos frutos tinham cascas duras. Curiosamente, ainda segundo o dr. Bradley Cooper Alan Cooper, uma das coisas  que começou a detonar a saúde dental do pessoal da época foi a introdução de práticas agrícolas, há aproximadamente 10 mil anos. Onde está seu deus Vegan agora?

A pesquisa foi publicada no periódico Nature Genetics e demonstra como as placas calcificadas em dentes antigos de 34 esqueletos evidenciam como a adição de alimentos à base de vegetais, como a inserção de fibras e carboidratos na dieta, levou à queda de qualidade dos dentes, ao afetar o microbiota da boca.

Sim, queridos, em suas boquinhas uma miríade de bactérias felizes e pululantes, fermentando tudo o que vocês comem e liberando ácidos em troca. Este ácido é o que ataca a placa calcificada dos dentes, deslocando o equilíbrio e atacando o fosfato de cálcio. Coloque um osso de galinha bem limpo num copo com vinagre e espere uns 2 dias. Veja como ele vira algo parecido como uma borracha. Isso é devido ao ataque ao fosfato de cálcio, um sal proveniente de um ácido fraco, o ácido fosfórico. Se você estudou Química, sabe que qualquer ácido mais forte desloca o ácido fraco de seu respectivo sal. Para contrabalançar isso, a sua saliva, cuspe ou baba, possui pH ligeiramente básico, tentando impedir isso. Se você consome produtos da Ades, não precisa se preocupar com isso nem com acidez estomacal[1].

Em dentes antigos está preservado um registro genético detalhado de como era a saúde dentária de seus donos, bem como indícios de como era sua alimentação. A verdade é que a transição de caçadores-coletores para a agricultura mudou a flora microbiana oral para uma configuração de doença associada. Os modernos ecossistemas microbianos são muito menos diversificados do que as populações históricas, o que pode estar contribuindo para a doença crônica oral no atual estilo de vida, ainda mais dada a quantidade de porcaria que comemos.

Fio dental e escovações parecem não resolver muito. Tascar um listerine e afogar as malditas com aquele troço de gosto horroroso também parece não adiantar muito. Sério, às vezes eu penso que estamos regredindo, mas como bom conhecedor do processo evolutivo, eu bem sei que evolução não significa melhoria.

O que acontece é que evoluímos para manter conosco um festival de bactérias em perfeita harmonia, mas ao longo dos séculos fomos mudando o habitat delas, o que acarretou no aparecimento de outras bactérias, mais danosas. Claro, isso aconteceria se houvesse Seleção Natural. Como sabemos que Darwin estava errado e Evolução é mito, só podemos concluir que é tudo obra de um projetista inteligente, que acha que um projeto legal é você ter várias doenças bucais e dentes mal-feitos, ou mesmo ficar banguela.

Alimentação com vegetais demonstra que vegans estão certos e é extremamente ético ficar desdentado.


*Como puderam ver, eu não fiz nenhuma piadinha sobre cientistas fazendo teste de Cooper. Me parabenizem!

4 comentários em “Dentes dos antigos eram melhores que o seu

  1. E o que vai acontecer com o uso contínuo de antibiótico/germicida/conservante triclosan nas pastas de dentes (colgate total 12)? Ou listerines da vida?
    Umas horas sem escovar dentes já fico com a gengiva sensível.
    Os antibióticos foram limitados pela Anvisa para evitar o aumento da resistência das bactérias. Mas ainda temos vários produtos com algo similar: pastas de dente e sabonetes protex, desodorantes, perfumes. O triclosan é muito comum em vários produtos.
    Essa vida muito pasteurizada, na minha opinião, não favorece muito a saúde à longo prazo. Deixar as crianças em contato com terra, plantas e animais (sem abusos obviamente) permite que desenvolvam defesas tal como vacinação.
    Mas um produto faz grande diferença na saúde atual dos dentes: flúor. Esse realmente é quem deve estar protegendo os dentes contra a nossa alimentação atual.

    1. @maurelio, “Mas um produto faz grande diferença na saúde atual dos dentes: flúor. Esse realmente é quem deve estar protegendo os dentes contra a nossa alimentação atual.”

      Não sou bom em Química mas já lí alguns artigos, não me perguntem agora onde, que o fluor realmente não funciona da maneira como é aplicado “goela abaixo” da população e sim tem um efeito deletério. A aplicação tópica do fluor é a mais eficiente. Como disse não sou especialista em química, então solicito ao André que nos ajudem neste caso.
      Em relação aos dentes atuais, mais fracos, eu acredito que a alimentação mole, vegan, entopida de carboidratos, proporcionou a mudança que o Dr. Alan Cooper observou – observa-se que do século passado para cá não utilizamos mais os 3º molares inclusive, a dentística atual aconselha a extraí-los por falta de utilidade. Em muitos casos de desdentados, observa-se a falta já do segundo molar superior esquerdo e por desordem dentária (má oclusão) o segundo molar inferior direito. Onde será que isso vai parar?
      André, voce pode ensinar-nos algo sobre o fluor nos dentes?

  2. Esse estudo corrobora o que eu já havia constatado na prática, comigo mesmo, quando adotei uma dieta low-carb da vida. Carboidratos detonam a sua dentição. É visível que quando você para de comer essas porcarias de grãos (esse monte de lixo que é tido como saudável, tais como aveia e trigo), a formação de placa blacteriana reduz drasticamente, além do bafo, que é reduzido, afinal, não há carboidratos apodrecendo na sua boca. Outra consequência é que você, se for gordo, acaba emagrecendo, e os triglicerídeos caem drasticamente (isso porque o nível de insulina fica mais baixo).

    Postei uma argumentação parecida no chaleira maluca contra os vegans, explicando que cortar a carne e comer grãos no lugar simplesmente arruina a saúde. Além disso, há um trecho do livro “O Terceiro Chimpanzé”, de Jared Diamond, onde ele demonstra o que acontece com populações que abandonam o estilo caçador-coletor para abraçar a agricultura. Dias depois removeram o meu comentário! Após o evento, bateu um sentimento de dever cumprido!

    http://www.umaoutravisao.com.br/artigos2/opiorengano.html

    Para finalizar, considero esta entrevista bem interessante, há respeito de um profissional dentista que leu um certo “Good Calories, Bad Calories” por Gary Taubes. O profissional concluiu que em vez de combater a praga da cárie e doenças bucais, é melhor preveni-la.

    http://www.thelivinlowcarbshow.com/shownotes/6411/587-dr-philippe-hujoel-shares-the-intricate-role-of-carbohydrates-on-dental-health/

    Engraçado vermos na mídia e nas propagandas as pessoas comentando que essas porcarias são saudáveis. Maldito lobby da indústria alimentícia! Isso somado ao fato de que “o nutricionista/cardiologista/clínico geral falou que…” produzem essa desgraça que é a saúde pública. Pessoas crendo em afirmação de autoridade, e profissionais da saúde fazendo afirmações que não são fundamentadas em estudos bem feitos.

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