Pesquisadores encontram um tesouro em meteoritos

Ciência é, por si só, um dos maiores tesouros da humanidade, mas alguns acham que isso é pouco. Não são muitas as descobertas que levam a riquezas no modo comum de se ver isso. A busca por metais preciosos acompanham o Homem desde que o mundo é mundo, mas nem sempre se consegue isso. Cientistas estudam agora um meteorito que foi recuperado 22 de abril de 2012 AAM (Antes do Apocalipse Maia) em Sutter Mill, local onde começou a Corrida do Ouro na Califórnia, em 1849 California.

Para a Ciência, um meteorito (aquilo que vocês chamam de “pedra que caiu do Espaço”) é tão precioso quanto o elemento de número atômico 79.

Cerca de 70 cientistas estudam os meteoritos que foram classificados como sendo condrito carbonáceo-Mighei. Os meteoritos classificados como “condritos” são, basicamente, corpos rochosos que não foram modificados devido à fusão ou diferenciação do corpo de origem. Quimicamente, eles são idênticos ao pedregulhão de onde vieram. Seria como se eu pegasse um enorme calcário e metesse a marreta nele. Os pedaços ainda seriam calcário, sem nenhuma mudança em suas características químicas. Ao ponto que eu pegue um pedaço de calcário e o submeta a calor excessivo, o carbonato de cálcio dele perderá gás carbônico, fazendo a substância mudar para uma outra. Nessa analogia, o calcário modificado não seria mais considerado um condrito. Os condritos carbonáceos têm este nome pois têm altas concentrações de carbono (cerca de 3%) e apresentam porções de carbonatos e substâncias orgânicas, podendo-se achar até mesmo aminoácidos, mas não. Não discutirei panspermia aqui.

“Mighei” vem da região da Ucrânia onde este tipo de meteorito foi encontrado pela primeira vez. Este condrito possui pouquíssimas concentrações de água e muito provavelmente foi formado no sistema solar exterior. Isto é, as “pedrinhas” (geólogos agora têm uma síncope) vêm de muito, muito longe e são muito, muito velhas.

O dr. Peter Jenniskens trabalha em Mountain View, mas não no Google. Ele é astrônomo e é um dos principais pesquisadores do Centro Carl Sagan do Instituto para Busca de Inteligência Extra-terrestre. O Holandês-Observador foi o chefe da pesquisa, que foi publicda na Science e que você poderá baixar o *.pdf AQUI. Como vocês podem ver, Jenniskens é um cientista sério e fala, no artigo, sobre o material encontrado. Muitas pessoas, entretanto, poderão usar isso como prova que Allah criou o Universo, pois antes de ser condrito, o condrito não era um condrito e sim uma esfiha. Mas o condrito ainda será apenas um condrito.

O pedregulhão tem três metros de comprimento e caiu bem em Sierra Nevada, Califórnia, a uma velocidade absurdamente boçal de cerca de 103 mil km/h. Segundo o Holandês-Observador, o condrito circulou o Sol três vezes durante uma única órbita de Júpiter, e dada a sua velocidade, o meteorito foi exposto a raios cósmicos por um período curto e apontou para a Terra, vindo de uma órbita baixa inclinada.

A recuperação rápida resultou na detecção de compostos antes que desaparecessem rapidamente ao reagir com a atmosfera terrestre. Dessa forma, os pesquisadores tiveram oportunidade de estudar a receitinha da qual o meteorito foi formado, entendendo melhor sobre nosso sistema solar, nosso planeta e nós mesmos.

Para alguns, uma pedra é uma pedra. A diferença está naqueles que se espelham em Isaac Asimov e murmuram “engraçado…”


Fonte: Mãe da Criança

6 comentários em “Pesquisadores encontram um tesouro em meteoritos

  1. Muito legal, mas duas perguntinhas:
    1. Lendo o texto, diz-se que é possível encontrar substâncias orgânicas. Eu sempre tive em mente, e acredito que a maioria das pessoas, que substâncias orgânicas são formadas por seres vivos. Quimicamente o que define uma substãncia orgânica?
    2. Como diabos eles sabem o que meteorito deu 3 voltas ao redor do Sol antes de se encaminhar a nós?

      1. @André,
        1. Tive 2º grau técnico, só vi quimica no primeiro ano. Realmente terrível.
        2. Meu inglês é mediano pra qualquer coisa fora da área de informática, minha área.

  2. Seja bonzinho, André… :razz:

    O que custava explicar que basta ter carbono para qualquer composto ser considerado orgânico, mesmo que esteja morto e/ou nunca tenha sido vivo, como diamante (nunca vivo), plástico (veio de petróleo, que já foi vivo – ok, licença poética), ou neurônios (vivos, mas que no caso de algumas pessoas, tenho lá as minhas dúvidas…)

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