O império das abelhas kickboxers contra-ataca

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No doce e ético mundo natural, as espécies vivem em harmonia. Cachorrinhos sorridentes, gatinhos brincalhões rolam pelo carpete, cabritinhos cantantes voando para o sul no inverno etc. Essa visão idílica é lindamente maravilhosa, mas ela só existe na mente de criaturinhas de bom coração (ou otárias, mesmo). O mundo natural é mau feito o Pica-Pau de avental; e um perfeito exemplo disso é da briga entre abelhas melíferas e ácaros fedorentos.

O dr. Greg Hunt é professor de genética comportamental do Departamento de Entomologia da Universidade de Purdue, nos Estados Unidos. Ele estuda como abelhas melíferas (aquelas que produzem mel, pois melo da força, mel da energia, mel dá tudo de bom) interagem com ácaros da espécie Varroa destructor, um ácaro fidamãe que é capaz de aniquilar colônias inteirinhas de Apis melilfera!

Mas os animais são éticos. Ruins, só os seres humanos.

A questão, entretanto, vai além disso. As abelhinhas necessitavam de ter alguma forma de contra-atacar e foi por isso que Zeus, digo, Diana, digo, Assurbanipal, digo, Goku, digo, o processo evolutivo deu-lhes uma chance. Uma mutação no seu código genético lhes agraciou com a capacidade de se defenderem do hóspede maldito, praticamente um Resident Evil entomológico, onde as A. meliferas estão desenvolvendo defesas para enganar e destruir e esmagar os V. destructor. O estudo foi publicado na PloS One.

Há uma atual preocupação com o desaparecimento de abelhas. Elas são responsáveis pela maior parte das polinizações e seu desaparecimento não será nada agradável. Cientistas acreditam que não é apenas um problema ambiental, mas sim que os ácaros e inseticidas também estão atacando as abelhas.

Algumas abelhas apresentam uma característica chamada de "Sensibilidade Higiênica", onde elas atraem os ácaros malvadinhos, muito provavelmente pelo cheiro, e os prendem, selando literalmente seu destino. Hunt está caçando os genes que permitem essas defesas e dizem que já reduziu consideravelmente as possibilidades.

Mapas com cerca de 1.300 marcadores genéticos foram criados para procurar os genes responsáveis ??pelo comportamento de limpeza. Os pesquisadores estreitaram a pesquisa a uma região em um cromossomo que contém 27 genes. O gene Neurexin 1 é um dos candidato mais prováveis, que nos humanos está associado com o autismo e a esquizofrenia.

Hunt e seus colaboradores estão agora pesquisando de forma a restringir o campo de atuação dos genes, de forma a entenderem qual, como e porque eles dão as características da sensibilidade higi}ênica das abelas.. Uma vez identificados os genes participantes, as abelhas poderiam ser especialmente criadas de forma que tenham resistência a essa praga e possam suprir o sumiço que essas abelhas vêm tendo.

Como bônus, você pode ler ESTE TRABALHO (em PDF) de Sância Maria Afonso Pires, sobre o comportamento higiênico associado ao ácaro Varroa destructor em colônias de abelhas melíferas portuguesas.

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Sobre André Carvalho

και γνωσεσθε την αληθειαν και η αληθεια ελευθερωσει υμας

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