Pesquisadores se inspiram em lagartos na construção de robôs para andar em Marte

Domingão de Sol, céu azul e moças desnudas na praia. Então, como legítimo representante do sexo masculino, o mané resolve sair pra fazer teste de Cooper. Calça tênis, short, camiseta regata e sai correndo na areia para mostrar que ele está em forma (mesmo porque, esferas são formas bem definidas). Correr na areia não é algo mole e dali a alguns minutos, o tiozão ficará com as pernas pesadas e doendo. Pelo menos, ficou com o teste de Cooper feito.

Engenheiros gostam de usar seres vivos como inspiração em suas criações. Infelizmente, o tiozão acima não seria modelo pra nada, a não ser bola de futebol. Como estamos falando da exploração do terreno de Marte e não de gente que não se toca, sai de cena o tiozão e entra como modelo um lagarto.

O solo marciano é um deserto pedregoso, feio e de um tom avermelhado depressivo. Se você achava que lá tinha estradas pavimentadas e com supercivilizações avançadas, errou de modo crasso. Claro que Tatooine pode ser uma exceção nesse ponto, mas estamos falando de planetas que realmente existem (pelo menos, acho que Marte existe).

No caso de Marte, rodas não são o melhor. Aliás, nem aqui na Terra. Como eu já tinha dito antes, uma das melhores formas para a configuração de um robô andarilho é a forma de insetos e aracnídeos e demais artrópodes. O brinquedinho criado pela DynaRoach não possui uma configuração de um bicho feio e com casca grossa. Eles preferiram um outro bicho feio: lagartos. Abaixo, um vídeo da New Scientist sobre o filhote de exterminador.

http://c.brightcove.com/services/viewer/federated_f9?isVid=1

O dr. Daniel Goldman é professor da Faculdade de Física do Instituto de Tecnologia da Georgia, que é um instituto no qual você é capaz de deduzir em que trabalha e onde fica. Goldman chefia o Complexo de Reologia e Biomecânica (CRAB, o caranguejo). A reologia é o ramo da mecânica dos fluidos que estuda as propriedades físicas que influenciam o transporte de quantidade de movimento num fluido. Em outras palavras, ela estuda como se dá fenômenos em que há movimento não só do fluido em si, indo de lá pra cá, como outros corpos "navegando" nesses fluidos.

O protótipo idealizado pela equipe do Homem de Ouro dos robozinhos, tem apenas 10 centímetros de comprimento e sua massa é de ridículas 25 gramas. Este tamanho é fundamental para que o robozinho não afunde na areia, cujo movimento e princípios se baseia no Lagarto Jesus, um dos répteis mais maneiros que eu já vi, mesmo não transformando a água em vinho. No caso do robô, o modelo foi feito mediante estudo do lagarto cauda-de-zebra (Callisaurus draconoides).

Para entender a mecânica do movimento do robô, a equipe criou um modelo de computador de pernas do robô que interagem com milhões de grãos de areia. Eles descobriram que a areia simplesmente ficou no lugar, parando pernas do robô afundando e deixando-a roçar a superfície. Os resultados foram apresentados em uma conferência de robótica em Sydney, na Austrália, na semana passada, mas o interessante é que enquanto esta pesquisa visa obter melhores robôs que possam se locomover por terrenos difíceis, ela também ajuda a compreender o movimento dos lagartos que inspiraram estes robôs. A pesquisa foi publicada no The Journal of Experimental Biology.

Com os planos de enviar mais robôs a Marte, novas tecnologias de locomoção são requeridas, devido aos diversos tipos de terrenos marcianos, sendo todos inóspitos e de difícil acesso para boa maioria de veículos, devido aos vários tipos de acidentes geográficos de lá. Não só isso, ajuda a entendermos a evolução de animais reais, vendo como eles se adaptaram ao ambiente que o cerca.

5 comentários em “Pesquisadores se inspiram em lagartos na construção de robôs para andar em Marte

  1. Pois é… os caras terão que trabalhar muito mais até encontrar algo que possa realmente “andar” no terreno de marte!! Esse robozinho do vídeo se cair de pernas para cima, danou-se… vai ficar que nem uma tartaruga, ou seja, phudido!! Mas vamos aguardar e dar crédito a esses cientistas!

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