DARPA mostra seu guepardo-robô. Natureza ri

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DARPA é acrônimo de Defense Advanced Research Projects Agency (Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa). Quando os soviéticos saíram na frente lançando o Sputnik, colocando a língua pra fora, os polegares na orelha e balançando os demais dedos fazendo "bléééééé", Eisenhower montou na macaca, fulo da vida, achando que os EUA tinham que ter um centro de pesquisa melhor que os garotos de Nikita Khrushchov. Como contrariar presidentes nunca foi uma ideia sensata, a DARPA foi fundada e dela sai maravilhas tecnológicas para o campo de batalha (ou não).

Eles apresentaram recentemente um robô quadrúpede bem ligeirinho, uma espécie de guepardo-robô (em inglês, chamam Cheetah e é daí que vem o nome daquele salgadinho Cheetos). Pelo menos, ligeirinho para um robô.

Vi um artigo sobre o uso de robôs militares controlados remotamente, só que eu questiono o formato bípede deste robô. Ok, vamos observar a nós mesmos: quantas vezes você tropeça num ambiente que você já conhece? Se você me disser que nunca deu uma topada com o dedão num móvel de sua casa, ou você é cadeirante ou não tem móvel ou está mentindo. Ainda ontem eu dei com o meu belo e formoso dedão no pé da minha mesa, sendo uma prova cabal que um designer inteligente não faria uma cagada dessas. Em contrapartida, você nunca viu uma aranha tropeçando. No máximo elas sobem pela parede até  que uma chuva forte lhes derrubem (não acredito que me desdobrei para encaixar uma piadinha com uma música que minha filha gosta). O formato bípede é tão ineficiente que pouquíssimos animais adquiriram esta configuração.

A chave então seria uma configuração, pelo menos, de um quadrúpede. E foi isso que o pessoal do DARPA fez: um robô quadrúpede, mas não um robô qualquer, e sim um robô veloz (para um robô), que compararam com um guepardo. veja o vídeo abaixo:

O projeto foi feito em parceria com a Boston Dynamics, e é chamado de Maximum Mobility and Manipulation (M3). A pleno vapor, o robô Papa-Léguas corre a impressionantes 28,97 km/h (eu respeito o SI e me recuso a usar grandezas despropositadas). Com a palavra, o pai da matéria em termos de corrida:

Bom, quando você é o Acinonyx jubatus e consegue correr a mais de 120 km/h, você pode sacanear qualquer um. Isso significa que o robô é uma bela porcaria, certo?

ERRADO!

O guepardo chegou à atual configuração depois de 4,5 bilhões de anos. O DARPA existe a menos de 60 anos. Em segundo lugar, o robô ligeirinho não tem a exata configuração de um guepardo. Os "joelhos" do robô são para a frente, enquanto que o guepardo, como bom felino que é, corre na ponta dos pés, onde a "dobra" do pé (que parece um joelho virado pra trás) ajuda na impulsão. As largas narinas são responsáveis por nutrir o guepardo com uma boa captação de oxigênio, enquanto que ele mantém o equilíbrio por causa da sua cauda, que funciona como um estabilizador/leme. Infelizmente (para o guepardo), ele não consegue correr por longos períodos (as presas agradecem).

O robô foi construído tendo em mente as melhorias que podem ser feitas. Se aquele treco de metal saísse correndo a mais de 100 km/h, algo deve ter saído errado e seria hora para nos prepararmos pro apocalipse robótico. Pelo que vi no vídeo, os "joelhos" não dobram, o que limita a ação das pernas, sem o fator alavanca impulsionando-o pra frente. Some-se a isso que ele é controlado externamente, enquanto que até mesmo o cérebro de uma barata é mais complexo que a lata velha que você tem aí na sua mesa.

Então os cientistas fizeram merda e não são capazes de imitar uma barata?

NÃO, SUA MULA!

Significa que eles têm que trabalhar com materiais existentes e criar (esta é a chave da coisa) uma tecnologia que não existe, com materiais que não estão presentes nos seres vivos. Repito: a Natureza demorou BILHÕES E BILHÕES (a bênção, tio Carl) de anos para termos o que temos hoje e o que conseguimos? Um olho com um ponto cego e um duto urinário que passa dentro da próstata. Até mesmo a Natureza faz merda! Os nerds do DARPA (e eu chamo nerd no bom sentido) estão no caminho de produzir um robô que possa correr bem, e o uso de 4 pernas é uma excelente configuração para isso. Sendo uma área recente, eles já conseguiram muita coisa. E antes que você cite as pobres criancinhas da África (aquelas criancinhas as quais você nunca deu nada e nem quer na sua casa), lembre-se que é o tipo de tecnologia que não está sendo focada para o campo de batalha (não que não seja usado um dia) e que pode ter inúmeras aplicações, inclusive (e especialmente) para deficientes.

Dessa forma, pouco importa se o robô corre 2, 3, 5, 20 vezes mais devagar que um organismo biológico. O importante é que pesquisas assim é que desenvolvem novas tecnologias e pesquisas por novos materiais e técnicas de construção.


Fonte: Mãe da criança

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Sobre André Carvalho

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